Cultura

NOS Alive: Todos os caminhos vão dar a Chemical Brothers

Num desfile de todos os êxitos pedidos e devidos, a dupla de Manchester transformou o Passeio Marítimo de Algés numa pista de dança gigante. Noite que Pixies já tinham aquecido sem deixar ferver e que foi muito de Robert Plant, como não, atuação curta mas certeira. Foi o primeiro dia de NOS Alive.


A escolha será sempre dura entre uma semi-final de um europeu e um primeiro dia de NOS Alive que começa cedo e a prometer, mais difícil quando essa semi-final nos decide o futuro para domingo. Contra a indecisão, nada como ir de bandeira às costas para o Passeio Marítimo de Algés — e eram muitas, não sabemos quantos estrangeiros chegaram a Lisboa nos últimos dias mas juraríamos que era sobretudo inglês que se ouvia falar esta quinta-feira no NOS Alive, a arrancar com um cartaz a lançar dúvidas sobre se seria possível abandonar o palco principal para espreitar os outros seis, numero recorde para esta décima edição.

Mas vamos ao que interessa que é a música, ou talvez não. “How’s fooftball”, perguntava Robert Plant. Deus Plant, permitam-nos, que ver este homem subir a um palco é como pensar em como seria a vida se Jim Morrison fosse vivo. Por exemplo. O resto é o que está para trás e para a frente também de um homem de 67 anos que se reinventa com estes Sensational Space Shifters com a mesma facilidade que nos dá Led Zeppelin como pão que alimenta a alma e o rock nesta noite quente. 

A voz já não chega aos lugares agudos por onde se passeava nos anos 70 mas estão aqui, reinventadas mas sem se perderem, “Black Dog”, “Babe I’m Gonna Leave You”, “Dazed and Confused” e uma despedida em encore que dificilmente seria mais perfeita do que com esta “Rock’n’roll". Hora e pouco que foi mesmo pouco, queríamos tudo, mas o que é bom não dura para sempre, já sabemos, e assim sempre há maneira de dar um pulo a Wolf Alice, até Pixies deixarem. É que há muito para ouvir esta noite, tem dois dias “Um Chagga Lagga”, primeiro single do anunciado “Head Carrier”, primeiro com Paz Lenchantin no baixo, que ouviremos completo no final de setembro.

Arranca então uma “Bone Machine” a mostrar que um desfile de êxitos é aquilo para que se preparam, confirmação dada por “Wave on Mutilation” logo a seguir, registo que não há de mudar, haverá ainda “Where is my Mind”, “Here Comes Your Man” para agradar a todos, set completo, ao menos isso para confortar os corações ainda feridos pela perda de Kim Deal. Pixies cumprem, e bem, só não surpreendem. 

Atuação difícil de se ver até ao fim até porque lá ao fundo, no Palco Heineken já os belgas Soulwax se preparam para aquele que será um dos concertos da noite. Porque este rock eletrónico ou o que quiserem chamar a esta agressividade dançável que quase enlouquece está para lá de tudo o que se podia pedir quando o relógio bate a meia noite, porque ao fim de tantas edições já temos mais que obrigação de saber o que vale o aconchego do face to face que nos dá este palco. 

E é algures pelo ponto mais alto a que nos leva a banda de David e Stephen Dewaele — que no final de tudo ainda hão de voltar a este palco para fechar a noite como 2manydjs — que começamos a desejar que esta explosão termine rápido, que o pior que pode acontecer a alguém aqui e agora é ter que interromper isto para dar início à peregrinação devida a The Chemical Brothers. 

Mas o Universo é perfeito, ou então é o NOS Alive está a tentar que seja, e há um momento em que todo o Passeio Marítimo de Algés se desliga e o Palco NOS se transforma em Meca e a multidão começa a peregrinação para não perder um segundo dos monstros da eletrónica que são os Chemical Brothers. “Hey girl, hey boy” é a deixa reitrada de “Surrender” que em três segundos transforma o Passeio Marítimo de Algés numa pista de dança gigante numa noite que Pixies aqueceram mas que são eles a fazer ferver. Desfile de êxitos, também, afinal 1989 já foi há alguns anos, num concerto irrepreensível, e apetecível, com um final já a arder com “Galvanize” e “Block Rockin' Beats” como combustível. Depois disto só mesmo uns Throes + The Shine a desembrulharem e atirarem rockuduro do NOS Clubbing para nos ressuscitar, em simultâneo com 2manydjs no Heineken, mesmo ao lado. Hoje há mais: Radiohead, Tame Impala, Courtney Barnett, Father John Misty, Hot Chip. Difícil é escolher.

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