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Os culpados do Banif

No entanto, em última análise, a responsabilidade pela resolução é do Governo de Passos.

Chegou ontem à caixa de correio dos deputados da comissão de inquérito o primeiro esboço do relatório final com as conclusões do Banif. Foi às 23h59. Hoje de manhã, o relator Eurico Brilhante Dias apresentou as conclusões e apontou culpados.

Os acionistas, o Banco de Portugal e o governo de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque estão na linha da frente dos responsáveis, segundo o relatório apresentado esta manhã em conferência de imprensa no Parlamento.

Eurico Brilhante Dias chegou à conclusão de que “o Grupo Banif tinha um modelo de negócios insustentável, uma exposição fortíssimo ao setor imobiliário que era, diria, diferente do setor financeiro”, pelo que os primeiros responsáveis do que aconteceu no Banif são os seus acionistas.

A supervisão bancária do Banco de Portugal está na segunda linha de culpados apontados pelo relator da comissão parlamentar.

“Aquilo que o senhor Governador chamou nesta casa de light supervision não teve eficácia”, apontou o deputado socialista.

"Se o Banif estava no meio da tabela, nem quero pensar o que seriam as más práticas”, atacou.

De resto, Brilhante Dias lembrou que o Banco de Portugal deu um parecer positivo à capitalização pública do Banif.

O deputado do PS recordou ainda o papel que a troika e a Direção-Geral de Concorrência europeia teve no desenrolar de todo o processo.

No entanto, em última análise, a responsabilidade pela resolução é do Governo de Passos.

Eurico Brilhante Dias acusou o anterior Governo de ter perdido tempo na tentativa de substituição da administração liderado por Jorge Tomé e critica a forma como Maria Luís apresentou oito planos de reestruturação, todos eles considerados insuficientes pelas autoridades europeias.

"Todas [as versões] tinham erros, falta de fiabilidade nos dados, estavam constantemente a aparecer novos dados, sempre piores. A DGComp teve sempre a possibilidade de dizer que os planos eram de “fraquíssima qualidade”, como aparece nas missivas trocadas na altura", frisou.

Depois de tudo isto, a situação degradou-se ao ponto de o Governo de António Costa ter optado pela resolução do Banif.

"A solução de resolução foi má, mas foi para evitar uma solução péssima”, conclui Eurico Brilhante Dias, explicando que "a  situação era uma situação de urgência”.

"O BCE rejeitou a solução de banco de transição, há a notícia da TVI e acabamos por chegar a uma situação em que no dia 18 se recebem quatro propostas, só três das quais vinculativas e nenhuma com valores líquidos positivos, portanto o banco foi para resolução”, sublinha o socialista.