Politica

PSD arrasa relatório do Banif

"O Governo quer esconder alguma coisa", afirma o deputado Abreu Amorim

O PSD não se revê no relatório final da comissão parlamentar de inquérito ao Banif e vai votar contra.

"Este relatório não contribuiu em nada para o prestígio do Parlamento", conclui Carlos Abreu Amorim que convocou uma conferência de imprensa para anunciar o voto contra e arrasar o trabalho do relator Eurico Brilhante Dias.

Abreu Amorim considera que a comissão ficou prejudicada pelo "rolo compressor da maioria.

Carlos Abreu Amorim acusou o Governo de "sonegar informação", criticou a forma como o relator desvalorizou o impacto da notícia da TVI no desfecho do caso e até anunciou uma "tabela de inverdades" do ministro Mário Centeno.

O social-democrata considera que Centeno faltou várias vezes à verdade, entrou em "contradição com o seu secretário de Estado" e demostrou "falta de responsabilidade".

"É absolutamente incompreensível que o ministro das Finanças com o que diz, p que faz e o que não faz, seja um elemento de instabilidade do sistema bancário", lançou Carlos Abreu Amorim, acusando o ministro de com as suas declarações ter prejudicado não só o Banif, mas também o Novo Banco e a CGD.

O deputado do PSD considera, aliás, que Mário Centeno violou o regime jurídico das comissões parlamentares ao negar informação e acesso a documentos, quando havia um parecer da Procuradoria-Geral da República que defendia que o segredo não se aplicava à comissão.

"O Governo quer esconder alguma coisa", afirma o deputado, que lamenta não ter tido acesso à carta de compromisso do Executivo.

Abreu Amorim junta ao lote de culpados do caso Banif "a crise política" causada pela forma como o Parlamento derrubou o Governo de Passos Coelho.

"A instabilidade política gerou um clima de incerteza", defendeu, explicando que o "vazio de poder" levou a "uma mudança radical de atitude das autoridades europeias".

"Passou a existir uma indefinição quanto à estratégia a seguir", apontou Abreu Amorim, que acha que isso deixou o Governo "completamente à mercê das imposições alheias".