'Presente' de Cech não evitou derrota grega (2-1)

'Presente' de Cech não evitou derrota grega (2-1)

Uma entrada forte a agressiva foi a fórmula que a República Checa utilizou contra os gregos. O método foi executado num par de ataques apontados à baliza helénica, e os seus efeitos surtiram em cinco minutos, quando Petr Jiracek e Vaclac Pilar fizeram os primeiros dois golos da partida. No início da segunda parte, Petr Cech ainda 'ofereceu' um golo à Grécia, mas que não chegaria para evitar a derrota.

a pressão de vencer estava do lado de ambos, mas para a república checa, essa pressão vestia-se de obrigação, para manter viva a esperança de avançar para os quartos de final. com o empate no encontro inaugural do europeu, a grécia de fernando santos voltava a entrar em campo em busca de uma vitória.

na partida anterior, frente à rússia, os checos tinham já começado com um ímpeto ofensivo virado para tentar decidir o jogo desde cedo. aí, porém, frente a uma equipa russa organizada e coesa a defender, a pressão inicial não traduziu resultados no marcador, e a rússia retribuiria com uma vaga de quatro golos até ao final.

esta terça-feira, a tentativa de 'atropelo' checa surtiu efeitos. em cinco minutos conseguiram marcar dois golos, por via de passes a explorar os espaços que os gregos deixaram entre os seus jogadores da defesa. 

primeiro, jiracek entrou pela área grega com a bola controlada, e depois, um cruzamento rasteiro foi empurrado para o fundo da baliza, a meias, por vaclav pilar e um defesa helénico.

a grécia pagou o facto de contar com kostas katsoranis, antigo jogador do benfica e médio de origem, no centro da defesa - face à lesão de papadopoulos. os helénicos só acordaram da sua apatia inicial quando o seu guarda-redes tinha já, por duas vezes, ido buscar uma bola ao interior da sua baliza.

os checos, logo de início, começaram assim a reagir à derrota e frágil imagem que tinham deixado nos olhos dos seus adeptos, na partida anterior. essa reacção encontrou benefícios na inclusão de hübschmann no onze titular, sobretudo porque passaram a ter um médio defensivo no centro de campo, um homem melhor a defender do que a atacar, e que tanta falta lhes fez contra a rússia.

aí, plasil e jiracek formavam uma dupla a meio campo mais virada para avançar no terreno e participar nos ataque da equipa, esquecendo a estabilidade defensiva que deviam dar à equipa.

foi esta presença de hübschmann que, por exemplo, deu a segurança para jiracek poder avançar no campo e marcar o primeiro golo da sua equipa. isso e o facto de dar maior capacidade de luta nas disputas de bola no ar.

aos 22 minutos, a grécia teve que lidar com outra contrariedade, ao ter que trocar de guarda-redes devido à lesão de chalkias. e só 20 minutos volvidos é que os gregos conseguiram incomodar a baliza checa, e logo com um golo que, porém, viria a ser anulado por fora-de-jogo de fotakis. ao intervalo, o arranque fulgurante dos checos ainda valia uma vantagem uma por dois golos no marcador.

uma oferta após o descanso

a margem tranquila com que a república checa saiu para o intervalo foi quebrada logo ao décimo minuto da segunda parte, graças à ajuda de petr cech, o guarda-redes checo.

em 2008, uma falha sua acabou por contribuir para a reviravolta no marcador da turquia, então no último jogo da fase de grupos - que contava também com portugal. esse erro, na altura, colocou a bola nos pés de nihat, e hoje, a bola que não agarrou acabou junto a gekas, avançado que entrou ao intervalo, que aproveitou para marcar o golo que reduziu a desvantagem helénica no marcador. 

há quatro anos, o erro de cech ditou a eliminação do europeu, mas o de hoje não impediu que a sua equipa garantisse uma vitória que a mantém na frente da corrida rumo aos quartos de final.

moralizados pelo golo, a grécia procurou superiorizar-se no jogo, roubando a posse de bola de que os checos tinham usufruído durante a primeira parte. os helénicos passaram a ter mais bola, mas os checos, conformados com a ascensão helénica no jogo, recuaram e aproximaram-se mais entre si. 

a prioridade era estreitar os caminhos em direcção à baliza de cech, e resguardar uma vitória que já conseguiam ver no horizonte. o triunfo acabou por não fugir à equipa do leste europeu, que assim se coloca provisoriamente no segundo lugar do grupo a, ficando à espera do desfecho da partida entre a polónia e a rússia. 

os gregos, por outro lado, escureceram ainda mais o seu desenho no europeu, e só uma vitória diante dos russos, no último encontro, poderá dar a qualificação para os quartos de final. mas os helénicos ficam com a certeza de que já não dependem só de si para seguirem em frente.

onzes iniciais

república checa: cech, selassie, sivok, kadlec e limbersky; plasil e hübschmann; jiracek, rosicky e pilar; baros.

grécia: chalkias; torosidis, katsouranis, papadopoulos e holebas; maniatis, fotakis e karagounis; fortunis, samaras e salpingidis;

(artigo actualizado às 19h37.)

diogo.pombo@sol.pt