Politica

Galp dá guerra no PSD

Luís Montenegro e Hugo Soares garantiram ter pago do seu bolso a deslocação para ir ver os jogos da seleção portuguesa de futebol, mas têm sido duramente criticados

 

António Costa bem queria dar o caso como “encerrado”, mas as viagens pagas pela Galp para secretários de Estado, autarcas e deputados irem ver jogos do Euro 2016, parece estar longe de ter arrefecido por completo. Ontem, PSD e CDS queriam ver o tema debatido na reunião da comissão permanente da Assembleia da República, mas não o conseguiram porque a esquerda entende que é mais premente debater os incêndios. Pelo meio, Luís Montenegro saiu da conferência de líderes a garantir que não deixará cair a polémica e aproveitando para lançar uma farpa que quase passava despercebida.

“Por estes dias, assisti, conformado, a um aproveitamento dessa situação, que também foi aproveitada, até, por companheiros meus de partido para criar algumas dificuldades, porque, infelizmente, também tenho a noção de que há no meu partido pessoas que se preocupam mais com o meu futuro do que eu próprio”, atacou, em declarações à RR, Montenegro, que já há algum tempo figura nas listas de putativos futuros candidatos à liderança do PSD.

Quem eram os “companheiros de partido” a que se referia Montenegro? Não é difícil perceber se se olhar para o Facebook de outro nome que tem sido dado como possível futuro candidato a líder, José Eduardo Martins.

Aquele que é um dos poucos a assumir publicamente as críticas à liderança de Passos Coelho, usou o Facebook para apontar as fragilidades do PSD no tema das viagens que foram pagas pela Galp a três secretários de Estado, incluindo o dos Assuntos Fiscais, Rocha Andrade, que deu particular polémica por causa do contencioso de 100 milhões de euros que a Autoridade Tributária mantém com a petrolífera.

“É pena o PSD não estar em condições de liderar este assunto que só a opinião pública e o CDS não deixam morrer”, escreveu José Eduardo Martins numa alusão às dúvidas suscitadas pela viagem de três deputados ao Euro 2016: Luís Montenegro, Hugo Soares e Luís Campos Ferreira, em relação aos quais chegou a ser noticiado pelo Observador que teriam viajado a convite do empresário Joaquim Oliveira, mas que vieram a público garantir ter pago todas as despesas, ficando apenas dúvidas sobre as justificações apresentadas na Assembleia da República para faltar ao trabalho parlamentar.

Montenegro critica Hugo Soares

Luís Montenegro e Hugo Soares garantiram ter pago do seu bolso a deslocação para ir ver os jogos da seleção portuguesa de futebol, mas têm sido duramente criticados por terem justificado a falta na Assembleia da República por razões de “trabalho político” e “motivos de força maior”.

Montenegro mantém a versão de que o que fez foi “trabalho político” por ter estado num jogo onde estava também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa. Mas admite que a justificação de Hugo Soares como “motivos de força maior” não terá sido a mais correta, apesar de enquanto líder da bancada parlamentar do PSD ter validado a ausência justificada.

“Creio que essa justificação não foi a mais correta”, admitiu, explicando que quando aceitou a justificação não se deu conta de que a falta tinha sido dada no dia do jogo da final do Campeonato Europeu de Futebol.

Por isso, agora Luís Montenegro espera que o seu vice-presidente da bancada social-democrata, Hugo Soares, corrija a justificação dada para a falta no dia da partida.