Cultura

Nem tudo é agosto. Dez filmes para ver antes que o verão acabe

Bridget Jones e o seu bebé, que ao que parece veio substituir o mítico diário, que nos desculpem por não figurarem nesta lista. Mas afinal esta season de silly tem pouco e ainda teremos muito com que nos entreter em salas escuras antes que este sol se vá. Decisão difícil, bem sabemos, mas o que fazer se nos oferecem para as próximas semanas as “Cartas de Guerra”, de Ivo Ferreira, o mais recente Larry Clark (“The Smell of Us”) e esta “Julieta” de Pedro Almodóvar? Aceitamos, claro. Antes assim

Bridget Jones e o seu bebé que, ao que parece, veio substituir o mítico diário que nos desculpem por não figurarem nesta lista. Mas afinal esta season de silly tem pouco e ainda teremos muito com que nos entreter em salas escuras antes que este sol se vá. Decisão difícil, bem sabemos, mas o que fazer se nos oferecem para as próximas semanas as “Cartas de Guerra”, de Ivo Ferreira, o mais recente Larry Clark (“The Smell of Us”) e esta “Julieta” de Pedro Almodóvar? Aceitamos, claro. Antes assim.

 

O Grande Fúsi
de Dagur Kári

Dagur Kári, jovem realizador nascido em Paris e criado na Islândia, de onde são os seus pais, mostrou cedo ao que vinha com a sua curta de final de curso, “Lost Weekend”, a ser 11 vezes premiada no circuito dos festivais. E o mesmo caminho parece seguir o seu último filme, que esta semana chega às salas portuguesas, centrado na história de Fúsi, um homem de 43 anos que ainda não largou a casa da mãe, com toda a monotonia que isso traz à vida de um homem de 43 anos, até ao dia em que conhece Alma e Hera, que mudam a sua vida.

 

Hrútar
de Grímur Hákonarson

De novo a Islândia, talvez isso queira dizer qualquer coisa. “Hrútar” é a palavra islandesa para “carneiro”, daí nalguns países o título ter sido traduzido para “ovelha negra” e é o título do premiadíssimo (28 distinções incluindo Un Certain Regard em Cannes) filme de Grímur Hákonarson que chega agora às salas portuguesas. Num vale de pastagens na Islândia remota, dois irmãos que não se falam há 40 anos juntam-se para salvar o que de mais precioso têm: as suas ovelhas.

 

The Smell of Us
de Larry Clark

Dos títulos certos para os dias mais quentes este do 
último filme do controverso Larry Clark, centrado num grupo de jovens skaters parisienses que vivem numa espiral auto-destrutiva, prancha de skate numa mão, petardos e cervejas na outra. Escrito por Larry Clark, que interpreta também uma das personagens, Rockstar, com Mathieu Landais, “The Smell of Us” é um filme de 2014 que chega agora às salas portuguesas. Um bom aperitivo para uma noite quente de verão. 

 

Cartas de Guerra
de Ivo Ferreira

Baseado na correspondência dos tempos de guerra de António Lobo Antunes com a sua mulher, Maria José, reunida em “D’ Este Viver Aqui Neste Papel Descripto” (Dom Quixote, 2005), “Cartas de Guerra” (nomeado para Urso de Ouro no Festival de Berlim),  que tem como protagonistas Miguel Nunes (António) e Margarida Vila-Nova (Maria José), teve a primeira estreia nacional no IndieLisboa, a 25 de abril, e chega em setembro às salas portuguesas.

 

Hitchcock e Truffaut
de Jent Jones

Mathieu Amalric, Wes Anderson, Olivier Assayas, Peter Bogdanovich, Arnaud Desplechin, David Fincher,     James Gray, Kiyoshi Kurosawa, Richard Linklater, Paul Schrader e     Martin Scorsese discutem, num documentário assinado por Kent Jones, de que forma “Hitchcock/Truffaut” influenciou os seus trabalhos. O livro, publicado em 1966, é resultado das gravações das conversas que os dois ícones do cinema tiveram durante uma semana, em Hollywood, em 1962.

 

Milagre no Rio Hudson
de Clint Eastwood

O último trabalho de Clint Eastwood é descrição suficiente para arrumar com tudo o que é sempre necessário dizer-se sobre um filme. Mesmo apesar do apoio do realizador americano a Donald Trump, que de qualquer forma Meryl Streep já disse que ia tratar de resolver (toda a sorte para ela). Este milagre no Hudson é pretexto para nos reencontrarmos com Tom Hanks, no papel de Chesley Sullenberger, o piloto tornado herói nacional depois de em 2009 ter conseguido aterrar em segurança ao largo de Manhattan, salvando a vida dos 155 passageiros que seguiam a bordo. 

 

Se as Montanhas se Afastam
de Jia Zhangke

Mais um exemplo a merecer destaque do cinema que nos tem servido a Ásia. Depois de “Um Toque de Pecado” (2013), o premiado realizador chinês regressa com “As Montanhas que Separam”, melhor argumento nos Asian Film Awards, nomeado para a Palma de Ouro em Cannes no ano passado, que acompanha a vida de Tao e daqueles que lhe são próximos em três períodos, no passado, no presente e no futuro, numa viagem a 2025.

 

Princess
de Tali Shalom-Ezer

Tali Shalom-Ezer, jovem realizadora nascida em Israel filha de uma romena e de um iraquiano, chamou a atenção de todos logo com a sua primeira longa metragem, “Princess”, filme de 2014 que estreou no ano passado em Sundance, nomeado para o Grande Prémio do Júri, que segue a história de Adar, uma menina de 12 anos, com o seu padrasto e as suas aventuras por “territórios perigosos”, até conhecer Alan, um rapaz que leva para casa e se torna parte da família.


Julieta
de Pedro Almodóvar

Aconteça o que acontecer ao cinema espanhol, ele terá sempre este nome. Pedro Almodóvar, criador de incontáveis filmes da vida de tanta gente, que depois de “Amantes Passageiros”, que já leva três anos, regressa com “Julieta”, título e nome da personagem principal, mulher de coração partido interpretada por Adriana Ugarte e Emma Suárez, em dois momentos da vida. Vigésimo filme do cineasta espanhol, baseado em três contos de “Runaway” (2004), de Alice Munro.

 

Snowden
de Oliver Stone

Escrito por Oliver Stone e Kieran Fitzgerald, título obrigatório para quem quiser perceber a vida do homem que esteve por trás de uma das maiores fugas de documentos secretos  de sempre dos serviços secretos norte-americanos, em junho de 2013, aqui interpretado por Joseph Gordon-Levitt. Com estreia mundial marcada para meados de setembro, “Snowden” baseia-se sobretudo em dois livros: “The Snowden Files”, de Luke Harding, e “Time of the Octopus”, de Anatoly Kucherena.