Economia

Crédito para obras. Saiba qual é a melhor solução do mercado

Para créditos até 10 mil euros, nem sempre compensa recorrer a um crédito para obras. Nestas situações, o crédito pessoal é mais vantajoso

Pedir um empréstimo para fazer as mais variadas obras em casa é a realidade que se impõe à maioria dos portugueses. E essa tendência ganha maior relevo nesta altura do ano, com o verão prestes a terminar, já que esta época fica muitas vezes reservada para renovar o imóvel.

Mas quais as condições disponibilizadas pelas instituições de crédito neste momento? Quais os principais aspetos a ter em conta na hora de escolher a solução mais adequada para a carteira? Qual o prazo mais adequado? Serão os créditos especializados para obras apelativos? Onde entram os bancos na corrida pelas melhores condições para os clientes? Para dar respostas a todas estas questões, o site ComparaJá.pt, plataforma gratuita de simulação de produtos financeiros, fez uma ronda pelos vários bancos e chegou à conclusão de que nem todos disponibilizam produtos específicos para financiar obras em casa, apesar de terem condições bastante semelhantes ao crédito hipotecário e pessoal, revela ao i. 

Ainda assim, este estudo adianta que “as soluções que existem no mercado são bastante acessíveis”, mas garante que “em alguns casos, a oferta de crédito pessoal sem finalidade poderá ser mais atrativa para o consumidor face ao crédito especializado”, salienta o diretor geral da plataforma, Sérgio Pereira. E dá um exemplo: a Credibom disponibiliza a solução “Pessoal Promocional”, e para um financiamento de cinco mil euros a 24 meses, o consumidor ficaria a pagar por mês 229 euros com uma taxa anual nominal (TAN) de 8,25%, mas se recorresse a um crédito destinado a obras para o mesmo montante, no mesmo banco e para o mesmo período, ficaria a pagar 238 euros mensais com TAN de 11,20%. Feitas as contas, dá uma diferença de nove euros mensais e menos 216 euros no total do empréstimo. 

Também o crédito a pedir poderá variar consoante o valor de que necessita. Segundo o mesmo estudo, apesar de apresentar taxas de juro mais altas, o crédito pessoal ou com a finalidade de remodelações em casa acaba por ser uma boa opção para obras mais pequenas, quando o valor não ultrapassa os 10 mil euros.

Além disso, Sérgio Pereira aconselha quem já tem um crédito à habitação a consultar primeiro o seu banco. A explicação é simples: “O imóvel pode ser considerado enquanto garantia. Além de ter menos custos associados, será mais fácil conseguir o empréstimo adicional.” Mas para isso necessita de ter cuidados redobrados, já que tal pode implicar alterações ao contrato corrente, podendo dar lugar, por exemplo, à revisão em alta do spread. “Se for esse o caso, o crédito vai ficar caro o suficiente para não compensar, sendo a melhor solução avançar para um crédito pessoal”, alerta o responsável.
 
Ofertas Para um empréstimo de cinco mil euros a pagar durante 24 meses, o Crédito Agrícola e o Cetelem apresentam, de acordo com o estudo, as ofertas mais competitivas entre as soluções analisadas. As instituições praticam mensalidades de 228 e 229 euros, respetivamente. “Os consumidores que pretendam ‘despachar’ a dívida e pagar o empréstimo em apenas um ano apenas poderão contar com a CGD ou o Cetelem, visto só estas instituições permitirem que se pague durante este período de tempo. Neste caso, é a agência francesa que sobressai ao apresentar uma prestação mensal de 438 euros e TAN de 8,9%”, refere (ver quadro em baixo). 

Quanto ao banco do Estado, apesar de a TAN ser mais baixa, ficando nos 7,772%, a prestação mensal para o produto CrédiObras, no valor de 5 mil euros a pagar em 12 meses, são 445 euros.

No entanto, quem necessitar de um valor mais elevado para realizar obras de maior dimensão encontra um leque de ofertas ainda mais alargado e competitivo. Para o montante de 10 mil euros a ser pago em 36 meses, continua a ser o Crédito Agrícola a instituição financeira a oferecer a solução mais competitiva, praticando uma TAN de 8,75% e mensalidade de 317 euros. Também para pagar durante três anos, a Cetelem tem ao dispor dos clientes uma oferta que, apesar de ter uma mensalidade de 319 euros, apresenta uma TAN de 8,9%.

No caso de o prazo de pagamento dos 10 mil euros passar para cinco anos, ou seja, 60 meses, o Crédito Agrícola lidera igualmente as ofertas ao disponibilizar uma mensalidade de 206 euros e TAN de 8,750%. Apesar de ter uma TAN de 9,99%, a Cetelem pratica – para as condições simuladas pelo ComparaJá.pt – uma prestação mensal de 214 euros, com valores iguais em ambos os seus produtos. Igualmente com uma TAN competitiva surge a Cofidis (10,50%), que conta também com uma mensalidade bastante acessível, a rondar os 217 euros.17 euros.