Sociedade

Irmãos iraquianos aceitaram entregar roupa à PJ para testes de ADN

Não invocaram imunidade no início e aceitaram colaborar com as autoridades. Ao i, fonte ligada à investigação explicou a necessidade de recolher as peças de roupa que os dois suspeitos usavam no dia das agressões


A Polícia Judiciária já tem na sua posse a roupa que os filhos do Embaixador do Iraque usavam no dia em que Rúben Cavaco foi violentamente agredido junto ao bar Koppus, em Ponte de Sor. Segundo o i apurou junto de fonte da PJ, as peças de roupa foram entregues nos últimos dias voluntariamente pelos dois jovens para que a investigação possa apurar se existem ou não vestígios biológicos da vítima.

Enquanto a investigação continua o seu curso, o estado clínico do português de 15 anos tem evoluído favoravelmente, tendo saído ontem à tarde da Unidade dos Cuidados Intensivos do Hospital Santa de Maria, onde se encontrava em coma induzido.

A evolução da situação de Rúben Cavaco é determinante para a continuação dos trabalhos, uma vez que além de ser fundamental ouvir a sua versão, também tem de ser feita a recolha de ADN para comparação com os vestígios que estão na roupa dos alegados agressores. Este último trabalho não pôde ser feito até ontem, sabe o i, dado o estado grave de saúde de Rúben Cavaco.

Fonte conhecedora da investigação explicou ainda que a imunidade não foi invocada ‘ab-initio’, lembrando que caso tal tivesse acontecido os dois jovens de origem iraquiana poderiam ter-se recusado a entregar objetos pessoais relevantes para a investigação, como é o caso da roupa que usaram.
A investigação, a cargo de uma equipa da Diretoria de Lisboa da PJ, esteve nas últimas horas em Ponte de Sor para ouvir diversas testemunhas e até os amigos de Rúben Cavaco que o acompanhavam na noite dos distúrbios. Uma das pessoas interrogadas foi um jovem que se suspeita ser o terceiro agressor. Segundo o padrasto de Ruben Neves, a investigação aponta para que o episódio tenha sido gravado por este elemento – até aqui nunca mencionado. 

Rúben não reconheceu a mãe Após esta parte da investigação, os inspetores deverão realizar outras diligências até que Rúben Cavaco esteja em condições de ser ouvido. Isto porque apesar de ter saído dos Cuidados Intensivos, ainda não está em condições para ser submetido a qualquer interrogatório.

Assim que acordou do coma, Rúben não terá sequer reconhecido a mãe. A notícia avançada pela TVIsurgiu pouco depois de o advogado que representa o jovem, Santana-Maia Leonardo, ter assegurado que ainda é necessária a realização de uma avaliação neurológica para se perceber ao certo qual o seu estado.

PJnunca quis seguir jovens A Polícia Judiciária nunca terá tido o objetivo de seguir os passos dos dois jovens, dado que estes colaboraram desde o início, de forma voluntária, com os trabalhos em curso. 

“O principal objetivo nesta fase é o de apurar o que é que se passou e depois ver qual o grau de responsabilidade individual. Será que um bateu e outro não ou será que houve agressões das duas partes. É preciso responder a todas as questões”, explicou em abstrato ao i fonte conhecedora dos trabalhos, referindo que “só mais tarde, e se for necessário, será feito o pedido de levantamento de imunidade”.

Depois de algumas notícias dando conta de que se tinha perdido o rasto dos dois jovens, a mesma fonte esclarece que “só se perde o rasto se o objetivo for o de seguir o rasto”: “Neste caso não era o objetivo”. 

Bagdade chama Embaixador Segundo uma publicação na página oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Iraque, o Embaixador Saad Mohammed Ridha já foi chamado a Bagdade para ser ouvido sobre “os recentes acontecimentos que envolvem os seus dois filhos”. 

 A reação do governo daquele país surgiu 24 horas após a embaixada ter publicado uma nota no seu ‘site’ referindo que as agressões tinham acontecido “em legítima defesa”, uma vez que os dois irmãos – que também possuem passaporte norte-americano – tinham sido alvo de insultos e ações racistas.

Apesar dessas declarações, a  Procuradoria-Geral da República disse ontem ao i não ter conhecimento da entrada no Ministério Público de qualquer “queixa formal apresentada pelo Embaixador do Iraque ou pelos seus filhos”.