Sociedade

Daniel Oliveira: “A televisão não é muito pior do que a sociedade. As redes sociais expressam isso bem”

Teve uma infância atribulada mas feliz. Confessa que mede os passos que dá. Não chora com facilidade. E prefere muito mais confiar nas peças que tem do que jogar o destino às cartas. A sorte existe mas, para ele, só com muito trabalho. É reservado, mas tem o dom de fazer falar os outros.

Jogou xadrez. Se tivesse de fazer uma abertura, que tipo de abertura fazia nesta entrevista?

Eu era bastante atacante quando jogava xadrez, embora a vida me tenha mostrado que jogar à defesa não é mau. Na medida em que eu aqui estou a responder às perguntas, aqui estaria a jogar de pretas, portanto, eu responderia à sua abertura. Seria provavelmente uma abertura mais cautelosa, para perceber qual é o jogo do adversário. 

Se eu avançasse peão de rei , você responderia com uma defesa siciliana?

Sim, quando jogava de pretas usava mais a siciliana, com o avanço do peão de bispo, o que nos dá alguma contenção para perceber qual é o propósito do adversário nas primeiras jogadas. 

Mas se tivesse de escolher dois grandes mestres, o seu género de jogo seria mais o do Bobby Fischer ou do Anatoly Karpov?

O Fischer é um pouco mais louco que o Karpov. Eu talvez me identificasse mais com a escola russa, e com outro grande mestre, também cuidadoso e refletido, o Kasparov, que segundo as teorias via 23 lances à frente. Eu tenderia a jogar nessa lógica.

Ainda joga?

Só com o computador e, raramente, com o meu avô. Quando comecei a atividade profissional, o tempo começou a escassear, e o xadrez requer muito treino e muito rigor.

Foi o seu avô que o ensinou a jogar xadrez?

Sim, aprendi os movimentos com ele, e depois ele inscreveu-me num clube em que entrava em torneios, e depois jogava com as pessoas da minha idade e até com adultos.

E foi importante para si essa aprendizagem?

Foi muito importante, pelo método e pelo rigor. Por perceber, em relação à vida também, as consequências que uma jogada pode ter e que caminhos é que posso tomar consoante uma outra jogada. Isso é válido para a vida em geral, e nas entrevistas, em particular, utilizo isso para preparar a pergunta, mas também para prever a resposta do entrevistado e antever as perguntas seguintes, ter várias cambiantes para saber por onde seguir.

A sua vida joga-a mais como o xadrez que como um jogo de cartas?

Sim, gosto de dar passos bem calculados e de estudar bem o terreno que piso. E gosto de estar confortável nessa minha zona. Não atribuo muito à sorte, embora ela tenha de existir, as decisões que tomo na vida. 

Numa entrevista sua que li disse que tinha gostado da sua infância. Como é possível, no meio de todos os problemas que relata no seu livro, da vida atribulada com os problemas de droga dos seus pais?

Apesar das vicissitudes que tive, consegui ter uma infância acompanhada, com amor, com amigos, e feliz. Há certamente casos muito mais dramáticos que aqueles que eu presenciei. Visto a esta distância - e a memória sublima sempre parte dos acontecimentos mais traumáticos -, foi uma infância feliz.

Quando escreveu o livro “Uma Dose de Droga, Um Grama de Esperança?” sobre esses momentos traumáticos, foi uma espécie de exorcismo? 

Passaram 16 anos, salvo erro, o livro tem de ser lido à luz daquela altura. Naquele momento serviu como um exorcismo - talvez o termo seja demasiado forte, mas o sentido é este - não só para mim, mas para toda a família. No sentido em que aquelas histórias tinham um preso brutal para a família, aos olhos de todas as pessoas que a conheciam. Havia uma vergonha sobre aqueles acontecimentos. O livro, de alguma forma, banalizou-os e tirou--lhes esse peso e essa carga. Não me senti mais exposto do que estava à espera. E hoje, à distância destes 16 anos, acredito que o livro foi muito importante para aquilo que eu acabei por fazer: não escondi nada, abri o jogo desde muito cedo e não há gato escondido com o rabo de fora. Não há nada escondido de mim para investigar. 

Mas abriu revelando a sua vida e a dos seus pais. Antes de publicar o livro, deu-lhes a ler?

O livro também resulta de entrevistas que lhes fiz, para além da minha memória - eles não tinham provavelmente a mesma visão que eu teria sobre determinados acontecimentos. Foi feito por um miúdo com 20 anos. Voltaria a fazê-lo. Eu nunca revelei o nome deles, não os expus. Quem sabia das histórias continua a saber. Quem não os conhecia não ficou a conhecê-los depois do livro. Eu queria que o livro lhes mostrasse um pouco o que foi a vida deles. E que servisse, de alguma forma, como uma tábua de salvação para eles. 

Diz numa entrevista que não se sente traumatizado - não é bem essa expressão que usa - nem raivoso com nada. Mas como é possível passar este tipo de experiências e não ficar um trauma?

Acho que foi o facto de ter sido muito acompanhado. Eu relativizo muito as coisas que acontecem. Acho que também há lições a tirar daquilo que vivi. Percebi desde muito novo o caminho pelo qual eu não devia seguir, e isso deu-me uma maturidade que me foi útil. E o facto de ter os meus avós, as minhas tias e primas muito próximas, e também os meus pais me terem dado sempre, apesar dos atos, palavras que me afastavam daquele mundo, acho que tudo isso foi fundamental para mim. Obviamente é uma fase da infância e adolescência que me marca, mas depois o que aconteceu a seguir foi tão superior ao que eu tinha projetado que isso acaba apenas por ser uma espécie de nota de rodapé, importante, mas que está completamente bem resolvida.

Desculpe a insistência na pergunta, mas acompanhou o seu pai a comprar droga, viu-os a drogarem-se, o seu pai foi preso, durante anos visitou-o na cadeia, a sua mãe prostituiu-se, e assistiu a tudo isso. É fantástico como conseguiu de alguma forma ultrapassar tudo isso.

Marcou, sim, mas creio que a minha vida seja diferente por causa disso. Provavelmente eu olharia para os problemas de maneira diferente se não tivesse vivido aquele tipo de situações.

Quando responde numa entrevista que “raramente chora”, a pergunta deve ter que ver com haver a ideia de que os seus entrevistados choram bastante nas suas entrevistas. Não sente que poderá ser devido a isso?

Acho que sim, que pode ter a ver. Lá está, estas coisas dão bagagem e carapaça. Sou mais resistente, desse ponto de vista, às vicissitudes da vida.

Considera-se mais filho dos seus pais ou dos seu avós?

Eu estou bem resolvido quanto a isso: sou tão filho dos meus pais como neto dos meus avós. As coisas estão balizadas, embora eles tenham sido fundamentais e decisivos: souberam proteger a criança. Mas sempre me senti filho dos meus pais, e hoje em dia, até porque a proximidade geracional é bastante evidente - eles hoje têm 52 anos -, somos pais e filho, mas também somos amigos próximos. 

Aos 14 anos foi campeão de xadrez, de partidas rápidas, mas também sonhava ser futebolista?

Sim, aqueles sonhos de miúdo. De ter um estádio cheio e marcar um golo na final. 

Queria ser avançado?

Como todos os miúdos, creio que nenhum quer ser defesa. Mas o sonho esvaiu-se porque eu era muito magrinho, não tinha perfil atlético para ser futebolista, apesar ter acalentado isso até tarde. Mas depois, rapidamente, também o sonho da comunicação começou a crescer.

Depois de ter ido fazer testes ao Benfica e não ter ficado, é na altura que cria um jornal chamado “Penalty”?

Foi mais ou menos nessa sequência. Fui ao Benfica com 10 ou 11 anos e fiz o jornal com 13. Era muito rudimentar, era feito no computador lá de casa, tentava fazer entrevistas com jogadores e as pessoas da televisão, o que de alguma forma me aproximava quer do mundo do futebol, de que eu gostava tanto, quer do mundo da comunicação. 

E como vai parar à SIC?

Entrevistei para o jornal a Conceição Lino, a Alberta Marques Fernandes, o Jorge Perestrelo e o Jorge Schnitzer. Faço essas entrevistas e publico-as no jornal, e o Schnitzer terá gostado dessas entrevistas, terá partido dele ou do Paulo Garcia, que também entrevistei na altura. Chamaram-me para colaborar como os “Donos da Bola”, como assistente de produção. E depois fui ficando.

Tinha que idade?

Dezasseis.

Menos seria considerado por lei trabalho infantil (risos).

São circunstâncias muito particulares, próprias daquela época. A SIC vivia um momento especial, tinha cinco anos de existência, e foi tudo isso que permitiu que um miúdo, aos 16 anos, tivesse algumas responsabilidades até. 

O que fazia?

Comecei por dar ao pedal ao teleponto, para o David Borges, porque ele tinha um momento em que apresentava em pé. Acompanhava a montagem das peças quando o jornalista não podia estar presente. Até que depois comecei a fazer algumas peças e fazia trabalhos mais de produções: mandar faxes e convites...

Ainda havia faxes...

Não havia internet. Estive nessas funções ano e meio, e depois achei que isso me estava a limitar naquilo que queria fazer, e saí. Fui para uma revista de televisão, a “TV 7 Dias”.

Trabalhou, portanto, no “Guggenheim de Ranholas”. 

(risos) Onde tive oportunidade e espaço para fazer muitas entrevistas. Dirigia a revista o Nuno Farinha, que é hoje diretor-adjunto do “Record” , que me deu oportunidade de fazer esse trabalho e de vivenciar uma outra experiência. Estive lá um ano e meio. Depois, o Nuno Santos convidou-me para ser um dos fundadores da SIC Notícias, e entro em julho de 2000 para o curso de formação.

E foi boa a experiência na Impala?

Eu tinha 17 anos e, para mim, tudo era experiência e tudo era caminho. Fazia muito o meu trabalho fora da redação. Ia para o Algarve, um mês ou dois, entrevistar pessoal que estava em férias...

E especializou-se logo nas entrevistas?

Fiz algumas reportagens, mas era sobretudo entrevistas.

Mas de onde lhe vem esse gosto pelas entrevistas?

Não consigo precisar, mas sempre gostei de perceber o outro lado da história fora do lado que é mais visível. Sempre achei que as perguntas pudessem suscitar qualquer coisa que nós não conhecemos. 

Olhando para si, você tem um ar reservado. É uma pessoa que na vida normal mete conversa com as pessoas?
Nada. Muito reservado mesmo. 

Então as entrevistas são um bom desbloqueador de conversa?

São um bom desbloqueador, e também nas entrevistas adoto a postura que tenho na vida: ouvir muito mais do que falo. As entrevistas e o programa dão-me a legitimidade de conhecer uma série de histórias de vida que, noutras circunstâncias, provavelmente teria de mudar a minha personalidade para as conhecer. 

Dessas primeiras entrevistas escritas para uma revista, o que recorda?

Lembro-me de entrevistar o Fernando Peça em casa dele. Já estava algo debilitado mas com uma generosidade fantástica, aos 98 ou 99 anos, como se fosse um entre iguais, como se não fosse um miúdo que ali estava, e isso deu-me uma grande perspetiva da grandeza daquela pessoa. 

Quando vem para a SIC Notícias, vem fazer o quê?

Venho para duas áreas: desporto e sociedade/famosos. Produzia editorialmente o “Jornal de Desporto” das 12h30 e vice--coordenava o “Caras Notícias”. Mas fazia também muitas outras coisas. Quando aconteceu a tragédia de Entre-os-Rios e os ataques do 11 de Setembro, todos nos desdobrávamos. A SIC Notícias nasceu num ano particularmente noticioso. Fazia um pouco de tudo, tinha 19 anos, estava na idade de fazer tudo. 

E o que se lembra de ter feito nessa altura para além destes dois casos?

Lembro-me de ter sido enviado para um fogo em Palmela. Era o Paulo Camacho que estava a coordenar o último jornal, não havia mais ninguém, e fui fazer a cobertura do fogo com o meu colega e câmara Pedro Góis. Fiz desde manifestações, peças sobre desratizações de escolas... E depois, no desporto, fiz o habitual: jogos, conferências de imprensa e treinos. Mas também fui fazer de pé de microfone para conferências de imprensa do PSD. Mas do que eu gostava mesmo era de embrulhar os conteúdos: estar aqui na base e arranjar formas de o jornal ter o tempo certo. Nós éramos só três a fazer um jornal de meia hora e era um desafio interessante. 

A erupção dos reality shows é mais ou menos coincidente com a sua ida para a SIC Notícias. Percebeu que a televisão tinha mudado?

A opinião generalizada é que aquilo estava a mudar o paradigma da televisão. Hoje, vistos à distância, aquele tipo de reality shows parecem-me muito inocentes quase. Hoje em dia, acho que se extremou muito mais o comportamento, mas as pessoas também se predispõem a isso.

São elas que se predispõem ou são escolhidas para fazer aquilo? Essas pessoas são o retrato fiel da sociedade portuguesa ou vão buscá-las a determinados sítios?

Acho que são uma parte da sociedade portuguesa, pelo menos de uma camada. Como é aquela frase do Al Pacino no “Advogado do Diabo”: “I rest my case. Vanity... is definitely my favorite sin.” Aquelas pessoas, não foi a televisão que as inventou, elas predispõem-se de facto para aquilo. Para quem faz televisão, o reality show é um produto muito rentável, porque tem as horas que a gente quiser ao mesmo custo, e garante ali um mês, dois ou três meses de conteúdo. O conceito não me choca, mas há momentos, manipulações e episódios que me chocam como telespetador e até como profissional de televisão.

Mas não corresponde a uma sociedade em que as pessoas são porque aparecem na televisão, e não aparecem na televisão porque são?

Corresponde, sim, mas a televisão não é muito pior que a sociedade. As redes sociais expressam isso bem. Vive-se muito mais para aquilo que parece e para aquilo que nós queremos evidenciar aos outros que somos. As redes sociais vieram exponenciar isso, e provavelmente não chegámos ao limite dessas práticas.

As redes sociais transformaram a nossa vida?

Sim, claramente. Não necessariamente para melhor. Há coisas ótimas como reencontrar velhos amigos da escola; num sentido mais abrangente, serem catalisadoras de revoltas contra ditaduras, como na Primavera Árabe. Têm muitas coisas boas. Mas não está balizada a forma como as pessoas emitem opinião: liberdade de expressão sim, mas não pode haver uma desresponsabilização sobre aquilo que é dito. Eu não sou dos casos que se podem queixar mais, como recentemente aconteceu com o Markl, mas há uma espécie de efeito de bullying. O debate é sempre feito a partir da desqualificação do outro. Não é útil e parece que na sociedade virtual se ignoram os códigos de conduta. 

Mas veio colmatar uma lacuna social. Antigamente havia espaços de convívio e sociabilidade que, hoje, a sociedade moderna esvaziou.

Pelo menos criou uma ilusão de sociabilidade que depois não existe na prática, que estamos com muitos amigos e que toda a gente lê a nossa opinião. 

As redes sociais não são mais ferramentas de sedução e engate, já para não falar do Tinder?

As ferramentas estão sempre à nossa disposição para fazermos o que queremos fazer delas. A maior parte das redes não são forçosamente só para esse fim que falou.

Não concorda que, de alguma forma, a ferramenta faz a função e que aqueles que têm um martelo tendem a achar que os problemas são pregos?

Depende do objetivo de cada um. Nós temos um martelo e ele pode servir para várias coisas. Com o FB, por exemplo, é o mesmo. Pode servir para o engate como pode servir para boas ações e para criar movimentos que sejam úteis para as pessoas, como ficarmos chocados com a foto de um menino sírio queimado. Até pode ajudar a criar instrumentos para as pessoas reagirem.

Acha que é possível ter a Madre Calcutá no Tinder?

(risos) Não creio, mas o Tinder é diferente. O objetivo é mais claro que o do Facebook. O meu avô está no FB...

Por momentos pensei que já tinha título (risos).

(risos) Não. Mas o FB também é uma forma de as gerações mais velhas reencontrarem amigos. 

Li numa entrevista que achava que o seu maior defeito era a preguiça, mas lendo o seu CV parece que tem a idade do Fernando Peça, tal a quantidade de coisas....

Quando eu disse isso, tinha uma ideia diferente. O meu maior defeito é ser um viciado no trabalho, mas estou muito melhor do que há cinco ou dez anos.

Melhor porque arranjou vida?

Sim, porque arranjei vida e acho também que a idade também nos dá a capacidade de saber delegar e conseguir canalizar as energias para outras coisas. 

Se hoje tivesse de reformatar o “Fama Show”, o que lhe faria?

Os programas têm de ser vistos não apenas por si, mas na lógica de programação do canal em que se inserem. A estação tem uma série de ofertas que esse programa não precisa de suprimir. O “Fama Show” de hoje é completamente diferente daquele que começou. Tem na mesma cinco apresentadoras - sempre quisemos que elas fossem mais do que cinco sex bombs, e que pudessem ter um público abrangente, quer nas temáticas que abordavam, quer por causa da sua personalidade. O programa sempre teve a capacidade de se reinventar: tivemos mais de 200 rubricas.

Porquê só as sex bombs e não um homem ou até uma pessoa que fosse um apresentador LGBT?

Porque o conceito desse programa é de ter cinco mulheres que correspondessem aos cinco sentidos. Já esteve na mesa um apresentador masculino que servisse de contraponto, mas nunca aconteceu. É um formato vencedor há oito anos.

É o lado de que gosta na televisão ou consegue ver-se a fazer informação?

Eu não sou os programas que faço. Os programas correspondem sempre ao desejo da estação de ocupar um espaço. No meu caso concreto, aquilo que eu faço pessoalmente é o que me dá mesmo gozo, que são as entrevistas. Estou satisfeito a fazer o que faço e não vejo isso como patamar para mais nada. Tenho o privilégio, numa televisão generalista, de poder escolher quem entrevisto, de ter 40 minutos de entrevista em canal de sinal aberto. O que quero é continuar a fazer isso. Poderia fazer entrevistas na informação, mas não é isso que procuro.

Se tivesse de entrevistar o atual Presidente, o que procuraria não era saber da política dele, mas das emoções?

Não necessariamente, o que eu quero é o lado mais humano, e não obrigatoriamente o lado mais emocional. Procuro conseguir perceber o que essa pessoa nunca disse nas dezenas de entrevistas que já deu. Gosto desse lugar, que é uma fronteira ténue, que aborda coisas que não sejam de informação pura e dura, mas que tenham relevância informativa.

Nunca conseguiu entrevistar o Pinto da Costa.

E já estive com ele, e até tentei convencê-lo a vir cá. Creio que, se o programa fosse em direto, ele viria.

Ele tem medo da edição?

Medo é uma expressão forte, mas gosta de ter a certeza que as suas palavras saem como disse.

Mas não pode ser em direto?

Poderá ser. Ainda não perdi a esperança.