Cultura

Festa do Livro: não é feira, é uma festa

Ou não fosse Marcelo Rebelo de Sousa  Presidente. Até domingo, os jardins do Palácio de Belém recebem mais de 40 editoras para a prometida celebração da literatura portuguesa

Marcelo e pilhas de livros serão sempre mais ou menos a mesma coisa no imaginário de boa parte dos portugueses, sobretudo para os fiéis espetadores da TVI, e sobretudo se do outro lado da mesa estiver Júlio Magalhães ou Judite Sousa. A intenção anunciada, logo na primeira edição da Feira do Livro de Lisboa em que Marcelo Rebelo de Sousa esteve como Presidente da República concretizou-se, com o anúncio de que entre os dias 1 e 4 de setembro os jardins do Palácio Nacional de Belém vão estar abertos ao público para a Festa do Livro em Belém, organizada em conjunto com a APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, a cargo de quem está a Feira do Livro, todos os anos levada ao Parque Eduardo VII, em Lisboa.

Uma primeira edição que provavelmente terá outras, adianta Pedro Mexia, consultor para a área cultural do Presidente da República, e que não procura “evidentemente” competir com a Feira do Livro. “É muito mais pequena, são apenas quatro dias, e muito menos editoras, com públicos diferentes”, esclarece Pedro Mexia, acrescentando que “a própria participação da APELindica que não é concorrente”. O objetivo da Festa do Livro em Belém é, além de abrir aos cidadãos um espaço que durante todo o ano é de acesso restrito, promover a literatura de língua portuguesa, “num momento de quebras e difícil para as editoras”.

Serão cerca de 40 as chancelas representadas – seleção que ficou a cargo da APEL – para preencher um programa de quatro dias, que começa hoje às 18h00, com a sessão de abertura à qual se segue um realejo com Florbela Espanca e, às 19h00, o lançamento do livro “Eleições Presidenciais, Candidatos e Vencedores. Portugal (1911-2016)”, editado pelo Museu da Presidência da República, com a presença do próprio Marcelo Rebelo de Sousa e da historiadora Elsa Alípio.

Poesia e Manoel de Oliveira. Do programa, que pode ser consultado na íntegra, juntamente com o mapa do recinto, na página do Facebook da Presidência da República, Pedro Mexia destaca os “Poetas do Povo”, sessões diárias de leitura de poesia musicadas, que vão “ao encontro de um público que já existe” e que tem crescido, à procura de estabelecer uma ligação com a poesia urbana.

Lugar ainda para concertos, como o de Cristina Branco, prestes a lançar o seu novo disco, “Menina” (sexta-feira às 23h00 no Palco Pátio dos Bichos), jogos didáticos para as crianças, sessões de autógrafos (com Álvaro Laborinho Lúcio, amanhã, Bruno Vieira Amaral, Luísa Ducla Soares e Maria Inês de Almeida, no sábado, e Ana Esteves, no domingo) e ainda para uma projeção de um filme de Manoel de Oliveira que até agora ainda não tinha sido mostrado a esta escala. 

“Visita ou Memórias e Confissões”, a longa metragem que o nome maior do cinema português, que morreu em abril do ano passado, tinha rodado em 1982 e terminado em 1993, para ser exibido após a sua morte. Legado autobiográfico em que Manoel de Oliveira se acompanha a si próprio nesses anos, com Urbano Tavares Rodrigues e as vozes de Teresa Madruga e Diogo Dória, argumento escrito pelo próprio em conjunto com Agustina Bessa-Luís. Testemunho pessoal que acompanha ao mesmo tempo o período do fim do Estado Novo e da Revolução, exibido pela primeira vez um mês após a sua morte, na Cinemateca Portuguesa, poderá agora ser visto por todos os que couberem no Pátio dos Bichos, sessão dupla nas noites dos dois últimos dias da Festa do Livro em Belém.