Sociedade

Cavalos no Tejo: Lisboa recebe a sua primeira Feira

Trazer o campo para a cidade, juntar os cavalos ao mar, usar a capital como montra. Tudo ideias e expressões usadas por Luís Newton, presidente da Junta de Freguesia da Estrela e mentor da primeira Feira do Cavalo de Lisboa. A ideia é mostrar aos lisboetas, turistas e demais visitantes o que de melhor se faz em Portugal. E a repetição do evento que ainda 
nem começou já 
é mais do que certa

Novembro, castanhas, cavalos, abafado e Feira da Golegã são palavras – para muitos, tradições – que andam alegremente de mãos dadas. A XLI Feira Nacional do Cavalo realiza-se este ano entre 4 a 13 de novembro de 2016, mas, pela primeira vez, os amantes de equídeos terão uma espécie de amuse bouche que começa já para a semana e num local inusitado: o Terraplano de Santos, em frente à discoteca Urban Beach, em Lisboa. 

O anúncio oficial da realização de uma Feira do Cavalo em Lisboa foi feito ontem no local onde tudo vai acontecer pelo ministro da Agricultura, Capoulas Santos. Mas se ao ministro coube a divulgação, é a junta de Freguesia da Estrela – e mais concretamente ao presidente Luís Newton – a quem se deve a ideia. De entrada gratuita, a Feira do Cavalo de Lisboa abre ao público oficialmente a 14 de setembro, à boleia das comemorações do dia Europeu do Cavalo, que se assinala a 13.

Até dia 18, os lisboetas podem aqui encontrar não só os melhores exemplares da espécie como uma zona de comes e bebes, batismos a cavalo para os alunos das escolas da Estrela e outras escolas lisboetas – assim como a crianças que apareçam com os pais – e muitos espetáculos equestres e até eventos desportivos, como é o caso de um torneio de horseball ibérico para o qual já esgotaram as vagas.

Lisboa como montra Há muito que Luís Newton pensava em mostrar na capital – que conta anualmente com cinco milhões de turistas – o que de melhor se faz em Portugal. “Quando falei da ideia de trazer uma Feira do Cavalo gerou muitas dúvidas”, explica ao i o presidente que já está, aliás, habituado a este tipo de retração dado os projetos inovadores que tem trazido para a freguesia, como por exemplo o GeoEstrela (uma aplicação que permite aos moradores denunciarem problemas urbanos – como a sujidade das ruas – e acompanharem a resolução dos mesmos em tempo real através do smartphone). Mas não vacilou, até porque a ideia de usar a capital como montra e assim divulgar eventos de interesse espalhados pelo país foi mais forte. “Fala-se muito de que Lisboa vive divorciada do resto do país. Julgo que Lisboa, com a quantidade de turistas e com as características que tem, não só não o deve fazer como tem quase a obrigação de usar a capitalidade como ligação ao território nacional”, defende o presidente.

A Feira do Cavalo de Lisboa é o primeiro destes tipo de eventos organizado pela junta, mas está longe de ser o último. “Ainda estamos a fechar as parcerias com as autarquias, mas teremos novidades em breve” promete o social-democrata. Certo, para já, é que esta é a primeira edição de um evento que será anual. 

Apadrinhada pela Golegã, as ligações da festa ficam por aqui até porque, como diz Luís Newton, “a feira da Golegã não é replicável”. Tanto por razões tradicionais como logísticas. “Uma das características da feira da Golegã é o facto dos proprietários levarem os cavalos e andarem de forma livre pela vila, que se transforma na totalidade em palco do evento”. Por cá, o número de cavalos será restrito mas ainda assim bastante respeitável. “Contamos com pelo menos uma centena”, explicou ao i Nuno Melo, consultor do evento. 

Está ainda a ser estudada a possibilidade de haver charretes de passeio para os visitantes e, no palco lateral, haverá fados e ainda um espaço vocacionado para famílias com crianças. O programa conta ainda com a presença da Charanga a cavalo da GNR – o único agrupamento musical do mundo que consegue tocar a galope –, a Reprise de Mafra e o espetáculo equestre “Lusitana Paixão”.

E, já que a inspiração do evento vem mesmo do Ribatejo, não irão faltar as típicas barraquinhas com “comida regional” e as mais cosmopolitas “food-trucks”, continua Nuno Melo. Tudo a postos para que os visitantes percorram um espaço em que a simbiose entre o campo e a cidade prometem não desiludir. 

“Queremos que no evento as pessoas desfrutem do rio, será uma oportunidade de juntar cavalos e mar, uma combinação bem portuguesa mas que provavelmente ainda não tinha acontecido”, diz Luís Newton entre risos.

Juntar os cavalos com o mar e com as... marchas. “Convidámos a marcha da Madragoa, uma das mais típicas de Lisboa e que pertence à freguesia da Estrela para atuar no picadeiro principal, rodeados de cavalos”. Uma combinação, no mínimo, inusitada. 

Mais esperada é outra das iniciativas propostas pela Feira. No dia 13, o dia Europeu do Cavalo e o dia de abertura oficial da feira será lançada – online e junto dos visitantes – uma petição que pede o Dia Nacional do Cavalo. 

A Feira do Cavalo de Lisboa não quer mimetizar a Golegã e, mesmo que o quisesse, seria impensável. Até porque há várias coisas que os frequentadores da Feira da Golegã não encontrarão em mês algum em Lisboa: uma delas é aquele friozinho penetrante que abraça os visitantes nas ruas da vila ribatejana em novembro, que não se fará sentir, certamente, na capital que está, como o resto do país, a ser brindada com um mais que doce setembro.