Economia

FMI. Portugal com pior défice em 2021 e 3% do PIB no final do ano

Se em matéria de crescimento o FMI coloca Portugal na cauda da Europa, em matéria de défice é o desastre anunciado até 2021.

O FMI continua implacável em relação ao desempenho da economia portuguesa e do défice das contas públicas nos próximos anos. Se, na terça-feira, a organização liderada por Christine Lagarde punha Portugal na cauda da Europa em matéria de crescimento económico até 2021, com subidas do PIB sempre abaixo da média europeia, ontem voltou ao ataque em matéria de défice. Sem quaisquer dúvidas, o FMI garante que Portugal terá o pior défice orçamental da Zona Euro em 2021, de 2,9% do PIB. E apesar do otimismo de António Costa, que acredita num défice “confortavelmente abaixo dos 2,5%” este ano, o FMI, a menos de três meses do fim do ano, continua a duvidar desse número e aponta para um défice de 3% do PIB em 2016, um valor idêntico ao que espera para 2017, muito embora a Comissão Europeia venha a impor a Portugal uma redução para 1,5% ou 1,4% em 2017.

 

Quarto pior défice No “Fiscal Monitor”, um documento com as previsões orçamentais para vários países do mundo divulgado esta quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) mantém as previsões para as contas públicas portuguesas que apresentou em setembro, de um défice de 3% do produto interno bruto (PIB) este ano e no próximo.

A verificar-se esta estimativa do FMI, Portugal terá o quarto pior défice orçamental da zona euro em 2016, atrás apenas de Espanha (com um défice de 4,5% do PIB), da Grécia (3,4%) e de França (3,3%). Este previsão do FMI vem ao encontro das dúvidas da UTAO em matéria de receitas fiscais. Os técnicos da unidade de apoio orçamental do parlamento adiantaram esta semana que o governo precisa de captar 17 400 milhões de receitas fiscais até final do ano para cumprir os seus objetivos, uma missão que a UTAO considera inverosímil.

Ainda em matéria de défice, o FMI projeta que até 2021, último ano do “Fiscal Monitor”, os países que em 2016 têm défices superiores a Portugal melhorem significativamente os seus saldos orçamentais, enquanto Portugal apresenta uma redução de apenas 0,1 pontos percentuais.

Assim, e de acordo com as estimativas do fundo, Portugal terá o pior défice orçamental da zona Euro, de 2,9% do PIB, em 2021, último ano do horizonte do relatório coordenado pelo antigo ministro das Finanças Vítor Gaspar, que agora é diretor do departamento de Assuntos Orçamentais do FMI.

Nesse ano, a Eslovénia terá o segundo pior défice orçamental, de 2,8% do PIB, seguida da Grécia, com 2,6%, e da Bélgica, com 2,4%. Espanha e França terão saldos negativos de 2,1% e de 1% do PIB, respetivamente, estima o FMI.

 

Segunda maior dívida De acordo com o “Fiscal Monitor”, Portugal terá também o terceiro pior rácio de dívida pública face ao PIB na Zona Euro em 2016 (128,4%), apenas atrás de Itália (133,2%) e da Grécia (183,4%).

No entanto, Portugal piora a sua posição até 2021, embora reduza a dívida pública para 125,9% do PIB. No último ano do horizonte, e entre os países da zona euro, a dívida pública portuguesa será a segunda maior, apenas atrás da Grécia (169,2%).