Politica

Verdes querem que "constragimentos" europeus deixem de ser tabu

António Costa está disponível para debater o euro e acha mesmo que a discussão é necessária. Passos Coelho diz que essa discussão é uma "ficção". Os Verdes lançaram o repto, num altura em que as discussões à esquerda sobre o Orçamento do Estado ainda não estão fechadas

Heloísa Apolónia abriu hoje o debate quinzenal com o primeiro-ministro com um desafio a António Costa. "É tempo que esta matéria, estes constrangimentos, deixem de ser um tema tabu", lançou a líder dos Verdes, sublinhando os efeitos que as regras do euro estão a criar a Portugal.

"As regras de constrangimento europeu são uma agonia para nós", afirmou deputada do PEV, cujo apelo não ficou sem resposta.

O primeiro-ministro concorda com a ideia de que é preciso debater as regras do euro e até citou o prémio Nobel da Economina, Joseph Stiglitz, que tem sido muito crítico do euro e dos constragimentos que está a criar em economias como as portuguesas, tendo mesmo já defendido a saída de Portugal e até da Alemanha da moeda única.

Costa recordou que, depois do crescimento que a adesão à União Europeia provocou em Portugal "os últimos 15 anos foram de prolongada estagnação" e afirmou que "hoje é reconhecido por todos" - até do comissário Pierre Moscovicci, que o disse recentemente em entrevista -  que "o euro tem fracassado como instrumento de convergência".

O primeiro-ministro defende, por isso, que é preciso "retomar as políticas de convergência" e que os mecanismos do euro têm de deixar de ser um tabu.

"Tem de passar a ser um tema discutido", defendeu Costa, que acha que "as decisões são necessárias" para ultrapassar os obstáculos colocados pela zona euro.

Passos critica discussão de "ficção"

Passos Coelho considerou, contudo, este início de debate no Parlamento como uma "ficção", criticando a maioria de esquerda por se dedicar a debates fictícios, ignorando a realidade dos números que mostram um crescimento muito abaixo do que era esperado no Orçamento do Estado para 2016.

Uma crítica refutada por Costa: "O investimento não tem diminuído. O investimento privado tem aumentado. Aumentou 7,7%", respondeu, lembrando que este ano Portugal vai cumprir as metas do défice e sair do procedimento por défices excessivos "ao contrário do que aconteceu no ano passado".

Mais Costa criticou Passos por ter feito vários orçamentos retificativos, quando o atual Governo não apresentou qualquer retificativo.