Economia

Crédito automóvel atinge recorde dos últimos cinco meses

De acordo com o Banco de Portugal, foi concedido mais crédito ao consumo em agosto.

O verão trouxe um aumento do novo crédito para comprar carro. De acordo com o Banco de Portugal (BdP), o valor mais elevado dos últimos cinco meses foi registado em agosto. No total, as novas operações de financiamento automóvel superaram os 196 milhões de euros, o que representa uma subida de 7,7% face ao mês anterior.

A verdade é que a concessão de financiamento para a compra de carro continua a ser uma das mais relevantes no que toca às novas operações de crédito ao consumo, captando mais de 40% deste tipo de empréstimos.

O valor que se registou em agosto compara aos números de março, altura em que este tipo de crédito superou os 201 milhões de euros.

No entanto, este cenário pode tremer com as medidas que anunciadas no Orçamento do Estado para 2017. E há associações do setor que alertam exatamente para a possibilidade de uma retração. Isto porque o imposto único de circulação (IUC) vai subir 0,8% tanto no escalão de cilindrada como no de dióxido de carbono. Também quem estiver a pensar em comprar um carro novo deve contar ainda com as taxas adicionais. As medidas anunciadas já mereceram vários alertas e críticas por parte do setor. No entender do Automóvel Club de Portugal (ACP), por exemplo, a proposta de Orçamento do Estado para 2017 segue “a via rápida da receita através do setor automóvel” e deixa ficar “a nu mais um saque fiscal” nesta matéria.

Para o ACP, o executivo de António Costa continua as “atualizações de impostos e taxas e, como vem sendo hábito, acompanhadas de um pacote exótico de taxas e impostos adicionais”. Além disso, o Automóvel Club de Portugal avança com a estimativa de que o governo deverá conseguir arrecadar, em comparação com o ano anterior, mais de 22 milhões de euros só em ISV e IUC.

A Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel também já fez saber que haverá consequências: “Tudo o que seja crescimento de custos da energia, de taxas, de impostos vai traduzir-se imediatamente em menor crescimento”.