Sociedade

Aguiar da Beira: família receia que fugitivo “seja executado em direto”

As autoridades acreditam que Pedro Dias vai continuar a seguiro método utilizado há mais de uma semana para escapar: procurar refúgio em casas desabitadas em locais que conhece bem


Os pais do suspeito dos crimes de Aguiar da Beira vivem cada segundo em suspenso. De janelas e persianas fechadas para escaparem à presença dos jornalistas e protegerem a neta de 10 anos. Prendem-se ao ecrã do televisor, aguardando o pior. A presença massiva da GNR por cada local onde o duplo homicida se tem deslocado, com o arrastamento em bloco da comunicação social, fez com que a família de Pedro Dias se tenha fixado numa ideia: “Tememos que seja executado em direto”.

Na fuga que já ultrapassa uma semana, Pedro Dias deixou para trás roupa ensanguentada que o compromete. Trata-se das calças que foram usadas no dia em que sequestrou, em Arouca, a filha dos donos da propriedade onde se abrigara. O inimigo público nº1 já usou duas casas para se esconder, acreditando os investigadores que é este o método que continuará a seguir.

Com quase dois metros de altura, corpo robusto e sólido, mas sem recurso a ginásio, Pedro Dias é considerado pelas autoridades como “uma força da natureza”. É esta compleição física, aliada a uma inteligência natural, que lhe tem permitido resistir, por montes e vales, ao sol ou à chuva destemperada, às forças da GNR que há 8 dias o perseguem. Mas dificilmente o fugitivo passa despercebido. Além disso é caçador e conhece como ninguém aqueles matos.

Os investigadores, com base em filmes caseiros, estudaram-lhe a forma de andar: “é entroncado, anda com os braços abertos e ar altivo. É um sobrevivente”. Para a polícia é “um sobrevivente que, enquanto depender dele próprio, vai tentar regressar a este meio que conhece”.

“Dificilmente sairá para o estrangeiro porque já comunicamos com os nossos congéneres e passamos o perfil. Com a sua constituição dificilmente passará desapercebido”, adiantam as autoridades.

Ontem, em Arouca, os investigadores descobriram uma outra casa abandonada, pertencente a um idoso de mais de 90 anos, a residir num lar. Esta foi a primeira casa onde o fugitivo se escondeu em Arouca, antes de se ter mudado para a residência em ruínas na mesma localidade e da qual fugiu após ter sequestrado um vizinho e espancado e roubado 60 euros à filha dos proprietários, residentes no Porto. É aliás o único dinheiro que lhe resta, uma vez que vivia de expedientes e tem as contas bancárias a zeros. Com o seu próprio telemóvel desativado, neste momento é um solitário sem qualquer ligação ao mundo.

No dia a seguir aos primeiros crimes, a 12 de outubro, quando, após ter feito compras no LIDL é detetado por uma patrulha da GNR em São Pedro do Sul, onde se enfiara numa rua sem saída, sendo obrigado a abandonar o carro, encaminha-se a pé pelo mato para a sua zona, Arouca. A primeira casa onde ontem as autoridades detetaram a sua presença fica precisamente na desembocadura desse trajeto. A habitação não tinha grandes condições e acaba por se mudar para outra a 800 metros, onde acaba por sequestrar duas pessoas chegando a tentar asfixiar a mulher que lhe opôs resistência. É aí que os investigadores acabam por descobrir objetos de primeira necessidade que levara da primeira casa. Entretanto, no Opel roubado com que abandonou o local deixa as calças que vestiu no domingo, quando quase matou a mulher que sequestrou. O vestuário está completamente coberto de sangue, o que corresponde ao que a vítima, encontrada em muito mau estado, terá contado às autoridades.

A polícia já fez, entretanto, o levantamento de todas casas abandonadas, ou sem ocupação permanente, em Arouca e nas regiões que o fugitivo conhece bem, uma vez que, traçado que está o perfil do suspeito, concluem que dificilmente este “sairá da sua zona de conforto”. A tarefa não vai ser fácil, uma vez que numa zona desertificada, são centenas os abrigos onde se poderá refugiar. De acordo com a TVI, a PSP e a GNR têm recebido entre 20 a 30 chamadas por dia de pessoas a assinalarem ter visto o fugitivo. Uma das últimas aconteceu em Vila Real quando um cidadão telefonou a dizer que foi agredido pelo fugitivo e este obrigou-o a cozinhar para ele. Depois de interrogado pela PSP e PJ concluiu-se que a história era inverosímil. De acordo com o Correio da Manhã, militares da GNR fizeram hoje buscas a uma quinta de criação de cavalos em São Martinho da Antas, concelho de Sabrosa, Vila Real, cujos proprietários conhecem Pedro Dias. Acreditam que o fugitivo possa ter estado ou tentar passar por um local que conhece bem. Segundo o jornal terão mesmo interrogado a dona de um restaurante da aldeia frequentado pelo suspeito e amigos nas caçadas na região.

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