Crítica

Café Society. Tudo o que podia ter sido

Há que somar ainda um nome: Vittorio Storaro. Ninguém melhor do que o diretor de fotografia de “O Último Tango em Paris”, “O Último Imperador” e “Apocalypse Now” para esta homenagem ao que foram aqueles anos.

Jesse Eisenberg facilmente passa por uma espécie de alter ego de Woody Allen neste filme que o realizador levou à abertura oficial da última edição de Cannes e que, ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos anos, é um regresso ao que de melhor fez nos seus mais de 50 filmes.

Nos tempos a que volta aqui, “Café Society” era um bar de Nova Iorque, nome que era mais uma das designações possíveis para o grupo de pessoas também conhecido por “Beautiful People” ou “Bright Young Things”, elite que frequentava os melhores bares de Londres, Paris e Nova Iorque, a patir dos anos 50 substituído por “jet set”. “Café Society” era um bar de Nova Iorque dos anos 30 e é daí que Woody Allen parte para contar uma história que demora a lá chegar.

Porque Jesse Eisenberg (Mark Zuckerberg em “A Rede Social”) é Bobby e Bobby é um judeu nascido no Bronx que se muda para Hollywood, onde vai encontrar o tio, Phil Stern (papel perfeito para Steve Carell), agente de estrelas de cinema, à procura de um trabalho. E é em Hollywood, onde se passa boa parte do filme, que Bobby conhece Vonnie (uma resplandecente Kristen Stewart), secretária de Phil, que quer levar de volta para Nova Iorque, onde trabalhará com o irmão, cliché do gangster (Corey Stoll) no seu “Café Society”. Mas não leva.

É nesse regresso que o filme parece perder o sentido, mas até isso está certo aqui, que é isso a vida quando se perde o amor que seria para ela inteira. E a isto há que somar ainda um nome: Vittorio Storaro. Ninguém melhor do que o diretor de fotografia de “O Último Tango em Paris”, “O Último Imperador” e “Apocalypse Now” para esta homenagem ao que foram aqueles anos. 

“Café Society”
**** 
De Woody Allen
Com Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Steve Carell, Corey Stoll, Sheryl Lee e Blake Lively