Economia

Avião da TAP: faltam verbas para enviar caixas negras para França

O Gabinete de Investigação de Acidentes com Aeronaves precisa de autorização do governo para investigar problema com avião em Lisboa

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O diretor do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA), Álvaro Neves, vai pedir autorização ao ministro Pedro Marques para continuar a analisar o incidente com um avião da TAP no fim de semana. O trem de aterragem partiu-se e o gabinete precisa de ir até um laboratório em França para fazer a leitura das caixas negras.

O diretor do GPIAA relembrou, em declarações à TSF, que o organismo vive numa situação de estrangulamento financeiro. Por isso, Álvaro Neves pediu ontem autorização ao governo para poder continuar a investigação.

Avião da Azul O incidente com um avião com cores da TAP, que transportava 20 pessoas na ligação Porto-Lisboa, fez com que os passageiros não ganhassem para o susto quando um dos pneus do trem de aterragem rebentou. A pista chegou mesmo a ter de ser encerrada. O aparelho acidentado é um dos ATR da TAP Express, marca que no início deste ano substituiu a Portugália. De acordo com a companhia aérea, “trata-se de um ATR72, ao serviço da TAP Express desde abril de 2016. Anteriormente, foi registado pela Azul, que recebeu o avião de fábrica em dezembro de 2015. É, portanto, uma aeronave nova, que começou a operar ao serviço da TAP Express com quatro meses após sair da fábrica”.
O incidente, no entanto, voltou a levantar questões no seio do setor, que desde cedo questionou tanto o fim da Portugália, cuja operação foi entregue à White, como a própria compra de aviões à Azul, companhia brasileira de David Neeleman, um dos acionistas do consórcio Gateway.

Fim da Portugália O fim da Portugália foi anunciado este ano com o aparecimento da TAP Express, cujos voos foram entregues à White, uma empresa privada cujo presidente, na altura da operação, estava nos quadros da TAP. A decisão criou excedentes de pilotos no seio da Portugália e indignação. Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, foi uma das figuras que mais questionaram a escolha desta empresa “sem capital público envolvido e sem avaliação da Autoridade da Concorrência”.

17 aviões A EuroAtlantic Airways, uma companhia aérea privada portuguesa, admitiu mesmo processar a TAP caso não fosse explicada a entrega de aviões e rotas à transportadora White, no âmbito da reestruturação desenhada pelos novos acionistas da empresa de bandeira, Humberto Pedrosa e David Neeleman. No entender desta empresa, deveria ter existido uma sondagem de mercado para entregar a operação da Portugália.

Os 17 novos aviões foram, de acordo com a TAP, fornecidos pela Azul, em regime de leasing, numa operação avaliada em 400 milhões de euros. Aviões da Azul, que estavam com pouca atividade no Brasil devido às dificuldades naquele mercado, ganharam assim novos destinos.