Cultura

Cuca Roseta: “Chamavam-me a canta-boa, diziam que não cantava bem, só era boa”

O caminho não foi fácil. Isabel Roseta, nome de batismo de Cuca, cresceu numa família onde todos cantam mas nenhum quis ser cantor. Por isso, apesar de, desde jovem, ter tido aventuras musicais – como nos Toranja, onde foi backing vocal – nunca viu nos palcos uma carreira.


Esta recusa obrigou-a a correr cursos e cursos, em busca de uma carreira. Em busca de si. Acabou por se encontrar nas casas de fado e num revelador encontro com o produtor e compositor argentino Gustavo_Santaolalla, que produziu o seu primeiro álbum. Resistiu aos preconceitos de quem não a considerava digna do fado. E seguiu em frente. Hoje, digam o que disserem, Cuca Roseta é fadista. E nada nem ninguém a afastará deste estilo tão português. Se for preciso levanta a voz para o afirmar.

Será a primeira vez no palco dos Coliseus – a 5 de novembro em Lisboa e a 12 no Porto –, sozinha e em nome próprio.

Sim. Já cantei nos Coliseus a convite de outros, como o Stewart Sukuma, e já lá fui milhares de vezes ver concertos. Mas nunca lá dei um concerto. Sempre que lançava um disco perguntavam-me se queria fazer os Coliseus, e eu disse sempre que ainda não me sentia preparada. Agora, prestes a lançar o meu quarto disco, senti que era a altura certa. Mas estou a preparar um concerto diferente daquilo a que as pessoas estão habituadas.

Ter tido um ano em que correu o país e deu mais de 150 concertos faz com que chegue aos Coliseus mais segura?

Sem dúvida. Sobretudo eu, que sou muito tímida. Apesar de precisar de me expressar de uma forma artística – seja através da música, da dança, da pintura – sou muito tímida e preciso de me ir sentindo segura para me entregar. A diferença do primeiro concerto deste ano para o último é enorme. A partir do momento em que me sinto mais segura, sinto mais o palco como minha casa e entrego-me mais. E acho que esse é o objetivo e a nossa responsabilidade. Sobretudo para quem é fadista, porque nós fadistas temos de encontrar a nossa verdade e temos de ser capazes de a partilhar.

Mas sente o cansaço?

Sem dúvida. Há muito cansaço. E os Coliseus vão encerrar esse ciclo. É engraçado porque normalmente as pessoas só veem o lado do glamour dos artistas, mas quando vem alguém comigo nas viagens oiço sempre um “não sei como é que aguentas isto”. Eu então, este ano, fiz o impossível.

Como assim?

Tenho uma bebé pequenina e não a queria levar todos os dias para uma cidade diferente. Por isso saía de casa o mais tarde possível, ia cantar a Bragança, por exemplo, e depois voltava durante a noite para poder dar-lhe o biberão às cinco da manhã. No dia seguinte avançava para outra cidade e fazia o mesmo. Queria estar bem no palco mas ser uma boa mãe. Percebi que conseguimos ultrapassar muito mais os nossos limites do que aquilo que imaginamos. Lembro-me de ser adolescente e precisar de dormir, pelo menos, oito horas. Hoje durmo duas horas e sinto-me bem. Não faz bem ao corpo, mas é o desafio que a vida me pede neste momento.

Não pôs a hipótese de, tendo em conta que tinha uma bebé pequena, fazer uma pausa?

Não. Cantei uma vez já com nove meses de gravidez, depois tive a minha filha e parei um mês. Parar e pedir ao público para esperar por mim não me faz sentido. Se as pessoas me pedem para ir cantar, acho que devo ir. E acabo por passar o dia com a minha filha, canto quando ela dorme. Eu é que não durmo. Trabalho como mãe durante o dia e durante a noite como artista. Mas acho que são fases da vida e é preciso sabermos agarrar as oportunidades.

Já tinha um filho, hoje com oito anos. Ter sido mãe novamente alterou a sua postura em palco?

Sim, acho que muda sempre. Fui mãe aos 26 e agora aos 34, mas em ambos os casos senti que mudou muita coisa em mim. Sinto-me mais forte e mais lutadora. E essa maturidade e garra vê-se no palco e na minha voz. Sobretudo porque o fado é completamente transparente. Se não estiver bem, nota-se; se estiver equilibrada, nota-se.

Numa entrevista recente disse que não se considerava uma fadista tradicional, que é uma discussão muito atual no que diz respeito à chamada nova geração do fado. Na mesma conversa ainda acrescentou o facto de se considerar uma fadista da escola da Amália. Estas duas afirmações não podem ser vistas como paradoxais?

A Amália nunca foi tradicional, só agora é que é considerada tradicional. Sou uma fanática da Amália. Adoro-a, não só como cantora, mas como pessoa. Li todos os livros sobre a sua vida, todas as entrevistas. A Amália hoje em dia é muito respeitada, mas no passado não foi. Os puristas do fado diziam que era um atentado ao fado. Ela própria dizia que sempre se sentiu muito magoada porque era respeitada lá fora, mas em Portugal não a queriam a cantar. Quando a Amália apareceu teve um pianista inacreditável a compor fados para ela, com refrão. Depois começa a trazer a poesia erudita para o fado, que é algo que também foi muito criticado porque supostamente o fado era um grito do povo. A Amália tirou o fado dos bairros e levou-o para os palácios, o fado passou a ser ouvido por todos os estratos sociais. Mas só mais velha e depois de morrer é que a consideraram uma fadista tradicional. Eu venho dessa escola. Admiro muito o fado tradicional, mas identifico-me mais com o fado melódico da escola da Amália. E com a poesia mais erudita. Por isto passei a escrever as minhas próprias letras, à procura desta verdade que acho que o fado precisa de ter.

Houve uma fase, relativamente recente, em que o fado parecia estar a cair no esquecimento. Depois, aos poucos, começou a aparecer a tal nova geração, que foi mostrando outras formas de ser fadista. O que acha que permitiu o reaparecimento do fado com roupagens tão pouco tradicionais?

Esta nova geração é muito mais livre, até na forma como está no palco. Lembro-me de as pessoas irem à casa de fados e criticarem-me. Diziam: “Isto não é fado, não veste preto nem usa xaile.” Eu dizia que o fado não tinha a ver com moda, o fado é interior, nunca teve nada de superficial. O fadista pode vestir o que quiser, desde que conte uma história e seja um declamador de poesia. A nossa voz é uma escrava da história que contamos, não usamos a voz para mostrar que conseguimos chegar a uma nota mas antes para contarmos uma história. Por isto digo sempre que o fado não se pode entender sem ouvir a letra.

Não sente que pode haver o risco, nesta nova geração que tem esticado tanto os limites do fado, de perdermos a noção do que é o fado?

Não sinto que haja esse risco. O fado vai-se adaptando aos tempos. Acho que o fadista pode manter-se sempre fadista, mesmo que use, por exemplo, a percussão ou outros instrumentos que não estão na origem do fado. Hoje em dia chegamos a ter uma banda em palco e isso traz um ritmo ao fado que ele não tinha, mas que até o torna bastante popular.

Mas então qual é o critério para, hoje em dia, considerar algo fado?

Tem de ter a guitarra portuguesa e tem de ter o sentimento de catarse, de irmos à nossa história de vida, de não nos sobrepormos à história que contamos. E de nunca tornarmos o fado superficial. Porque se o fado passa a ser superficial deixa de ser fado. O fado é muito intenso, tem uma certa melancolia... As pessoas que gostam de cantar fado são pessoas que gostam de falar sobre sentimentos, que gostam de parar a vida de robot e dar tempo a elas próprias.

No seu caso, sobretudo sendo tímida, quando é que percebeu que tinha necessidade de escrever os temas que canta e, no fundo, dar esse tempo a si própria?

Para mim foi ao contrário. Sempre escrevi, mesmo antes de cantar. E sempre dei muito tempo aos sentimentos e a um lado mais espiritual. Por exemplo, sempre meditei, gosto de ir sozinha para a praia, de fazer trilhos sozinha. Acho que fui estudar psicologia nesta procura. Nasci assim e depois só me consegui encaixar no fado. Mas sofri muito até perceber para que é que tinha nascido. Durante dois anos tive uma grande ansiedade porque andava a experimentar uma série de coisas e não me sentia na minha pele. Já cantava fado, as pessoas diziam-me para ser fadista e eu dizia que não podia porque não tinha nascido num bairro típico. Cantava o fado para mim porque me dava uma alegria imensa, mas nasci em São João do Estoril numa casa onde não se ouvia fado! Os fadistas são sempre filhos de fadistas ou de pessoas que, pelo menos, ouvem fado em casa. Em minha casa ouvia-se música clássica. Por isso fui estudar Direito, onde estive três anos até desistir porque aquilo não tinha nada a ver comigo. Depois fui para Psicologia Clínica, que terminei, mas achei que não podia exercer porque era sensível demais, por isso fui fazer uma pós-graduação em Marketing para fazer psicologia do consumidor. Mas também não era aquilo. Ainda fui para Antropologia, porque gostava de viajar e conhecer outras culturas. Acabei por perceber que tudo aquilo que procurava estava no fado. Nasci para cantar o fado, mas foi muito difícil aperceber-me disto. A vida quase me gritava que o caminho era o fado, mas eu tinha muitas dúvidas.

Reforçadas pelos preconceitos que fazem parte do fado?

Sim, sim. Fui vítima de muitos preconceitos, mesmo. Sofri muito. Quando comecei senti tudo isso na pele. As pessoas do fado diziam-me sempre que não era fadista. E eu, como adorava o fado, sentia-me muito triste. Chamavam-me a canta-boa, diziam que não cantava bem, só era boa. Sofri imenso com isto. [emociona-se] Até porque nunca fui uma pessoa superficial, apesar de ter um aspeto feminino e sensual.

Mas como é que a rapariga que era, até fisicamente, uma outsider, e a quem diziam que não era fadista, conseguiu começar a cantar em casas de fado?

Costumo dizer que tenho uns anjinhos que me foram abrindo portas e me salvaram. Eu estava nos Toranja, onde era backing vocal, e houve um dia em que cantei fado e, logo nesse momento, percebi que nunca mais queria cantar outra coisa que não fado. Só que, como não tinha o fado na minha vida, achava que não sabia nada de fado e por isso fui fazer um trabalho, como se fosse de faculdade. Fiz uma pesquisa enorme sobre o fado para tentar perceber o que era e qual a sua raiz. Depois comprei uma coletânea de fados tradicionais e ouvi-a toda. E finalmente fui a uma casa de fados, a Academia das Bifanas, na Artilharia 1, em Lisboa, e perguntei se podia cantar.

Como é que reagiram?

Perguntaram-me quem é que eu era para chegar ali a dizer que queria cantar o fado. Depois, quando finalmente me deixaram, toda a gente dava palpites sobre a minha forma de cantar.

Mas nessa altura ainda estudava?

Sim, estava no último ano de Psicologia. A minha ideia era que o fado fosse um hobby.

Como é que os seus amigos, do curso ou os mais ligados aos Toranja, encararam a sua súbita veia fadista?

As minhas amigas gozavam imenso comigo. Morávamos todas em São João e íamos sair à noite juntas para Lisboa. Nessa altura, deixei de ir sair com elas e passei a ir para os fados. Achavam que eu estava louca. Todas as sextas-feiras ia cantar para a Academia das Bifanas, onde fiquei fixa. De graça, claro. Durante um ano cantei lá sem receber nada. Foi um caminho que fiz sozinha atrás desta paixão pelo fado.

E depois da Academia das Bifanas?

Fui cantar para Carcavelos. Conhecia muito bem a Ana Moura, que já era fadista. Conhecemo-nos através da Universal que editava os Toranja. Gostava muito dela e ela ajudou-me muito no inicio da minha carreira – foi ela que me disse para me habituar ao público e aprender a projetar a voz. E foi ela que me falou de um amigo que ia abrir um bar em Carcavelos, para onde eu podia ir cantar. Foi o primeiro sítio onde ganhei dinheiro para cantar fado. Só que aquilo não tinha nada ar de casa de fados. Mas foi giro. Depois fui cantar num restaurante na Bicuda. Foi aí que o José Luís Nobre Costa, que um dia veio tocar comigo, me chamou para ir a casa do João Braga para ele me ouvir a cantar. Lembro-me que me senti numa audição, estava nervosíssima. A meio da música o João parou-me e perguntou o que é que eu fazia dali a dois dias. Eu disse “nada”. E ele convidou-me para ir com ele a um programa na RTP onde ele iria cantar com vários fadistas. Fiquei histérica.

E depois?

Na sequência do programa, a Maria da Fé, do Senhor Vinho, e o Mário Pacheco, do Clube de Fado, perguntaram-me se não queria ir cantar para lá. Como já tinha ido muitas vezes ao Clube de Fado ver outros fadistas, fui lá primeiro, cantei e o Mário convidou-me logo para ficar lá. No Clube de Fado senti todo o preconceito das pessoas que me iam ouvir, mas ao mesmo tempo senti-me sempre protegida pelo Mário Pacheco. Ainda hoje ele me diz que tem muito orgulho em mim, mas também nele porque tinha toda a gente à volta a dizer-lhe que eu não era fadista e ele sempre disse que eu era fadista. Ele diz que toda eu sou fado. Ainda hoje todas as minhas letras têm um pouco desta frustração de querer afirmar que sou fadista. Eu sou fadista, mesmo vindo de São João do Estoril! [levanta a voz] Hoje em dia, venha quem vier, eu sei que sou fadista e nasci para cantar o fado. Mas na altura era muito insegura. Passei muitas noites a chorar.

Nessa fase desabafava com alguém?

Praticamente não. A minha família também não percebia porque é que eu cantava o fado. Eles nem me iam ouvir cantar. Em minha casa toda a gente canta muito bem. Nunca fui considerada especial numa família, com cinco filhos, em que todos cantam incrivelmente bem. Até a minha avó e a minha mãe cantam! Os meus irmãos foram todos solistas num coro e eu fui a que nunca cheguei a solista. Quando finalmente me foram ouvir cantar, já eu cantava há uns anos, lembro-me de a minha mãe, emocionada, me dizer: “Nunca pensei...” Hoje em dia apoiam-me imenso e são os meus maiores fãs.

Em que momento é que percebeu que estava na altura de parar de saltar entre cursos e dedicar-se inteiramente ao fado?

Acho que foi o aparecimento do Gustavo Santaolalla. Eu já estava a cantar no Clube de Fado e tinha tido propostas de três editoras muito boas, uma delas holandesa. Mas eu dizia sempre que não queria gravar, o que deixava o Mário Pacheco louco. “Como é que é possível? Todos os fadistas querem uma proposta destas!” Mas eu dizia sempre que não cantava o fado para ser cantora, cantava o fado porque gostava de estar ali, naquele ambiente, e que só ia gravar se aparecesse alguém que fosse mesmo apaixonado pelo que eu sou e não pela minha imagem. Se calhar, se não tivesse sofrido com a história do canta-boa tinha dito que sim à primeira proposta para gravar, nunca tinha conhecido o Gustavo e não tinha a carreira que tenho.

O que recorda desse encontro?

Foi realmente muito marcante, por isso é que lhe disse que sim. Ele foi com a banda dele, os Bajofondo, ouvir fado. Já eram 2h e o Mário veio-me perguntar se eu podia cantar mais. Disse logo que sim porque eu estava sempre a querer cantar, achava que só assim era fadista. Até nessa noite eu estava lá porque tinha ido substituir uma colega. Cantei e, no final, o Gustavo levantou-se, com lágrimas nos olhos, agarrou-me nas mãos, e disse que eu era uma estrela mundial. Não fazia ideia quem ele era e achei que era um louco. Mas depois percebi que estava mesmo muito emocionado. E ele disse-me que precisava de mostrar ao mundo o que tinha ouvido ali. Ele ficou com o número do Mário, só que o Mário andava a viajar e só me dizia: “Que chatice, foste dar o meu número a um gajo de Los Angeles, agora está sempre a ligar-me e eu estou no Japão e isto é caríssimo!”. Passado algum tempo, o Gustavo, como não conseguia resposta, falou ao Tozé Brito da Universal, para ver se ele conseguia resolver a situação. Um dia, o Tozé entra pelo Clube de Fado, de braços no ar, a perguntar se nós estamos malucos, que ele é um dos maiores produtores do mundo e nós andamos a rejeitar-lhe as chamadas! Finalmente falámos com o Gustavo, ele voltou a Portugal e começámos a trabalhar. O disco saiu dois anos depois.

O que fez nesse período?

Continuei a cantar normalmente no Clube de Fado. Talvez porque tinha gravado com os Toranja, não senti aquela excitação do primeiro disco (“Cuca Roseta”, 2011), que pode ser perigosa para um artista.

Foi quando saiu o disco que decidiu dedicar-se em exclusivo ao fado?

Ainda antes de gravar o Gustavo teve uma conversa comigo na qual lhe disse que não queria viajar pelo mundo a cantar porque ia finalmente começar a trabalhar como psicológica, pois tinha tido uma proposta. Ele disse-me que tinha de escolher. Não cheguei a entrar na empresa que me tinha contratado. E nesse mesmo dia disse ao Mário que, se ia ser mesmo fadista, queria cantar todas as noites. Quando saiu o álbum corri o mundo a cantar. E desde então já lancei três álbuns e nunca estive sem concertos.

Logo no segundo álbum, “Raiz” (2013) aventurou-se na escrita e composição.

Quis ser do contra e fazer o que me apetecia, dissessem o que dissessem. Segui o meu instinto.

O que a fez, no terceiro álbum, voltar a juntar-se a um parceiro gigante, o Nelson Motta?

O meu público dizia-me que eu era uma fadista muito leve e fresca. Ouvi tanto isto, e no mundo inteiro, que achei que queria fazer um álbum positivo. E fui à procura de um produtor que visse a tristeza e a melancolia do fado de forma alegre... Só podia ser alguém do samba, que é a coisa mais triste do mundo, mas com ritmo. Ao pesquisar sambas antigos cheguei ao Nelson Motta, só que ele há dez anos que não produzia discos. Comecei a tentar o Jaques Morelenbaum e entretanto recebi um telefonema a dizer-me que o Nelson Motta estava em Lisboa e queria conhecer-me. Ele queria desafiar-me para um projeto de fadistas que cantavam, samba – que não se realizou – mas aproveitei o contacto para lhe dizer que tinha o sonho de ele me produzir um disco e expliquei-lhe a minha ideia de dar positividade ao fado. Ele disse que já não produzia mas que, como tinha gostado da ideia, ia arranjar alguém da sua confiança para me acompanhar. Uma semana depois ligou-me a dizer que ia produzir o meu disco, o “Riû”.

O que se pode esperar do seu próximo trabalho?

Agora, no quarto disco, quero voltar a casa, ao fado mais tradicional.

E ainda se sente uma outsider no fado?

Não. As pessoas ainda me veem como uma outsider no fado. Mas isso já não me magoa. Podem criticar-me o que quiserem, isso não me impede de seguir em frente.