Economia

Maria Luís à espera de "novos impostos"

Maria Luís Albuquerque traça um cenário orçamental negro e antevê surpresas desagradáveis nas finanças públicas. "Parece que vamos ter de esperar que o ano acabe para saber", diz a deputada do PSD, que vê na redução do défice conseguida por Mário Centeno um truque de adiamento de despesa que pode sair caro.


"Ou é despesa que faz falta  e está a apenas a ser adiada ou é despesa que não faz falta e vai acontecer pondo em causa as metas", defende a antiga ministra das Finanças de Passos Coelho, que está à espera de mais e novos impostos para conseguir receita que sustente as reinvidicações das esquerdas e os compromissos europeus.

"Haverá sempre mais e novos impostos", vaticina a social-democrata, que vê "a economia a definhar" e políticas que acentuam "um ciclo vicioso de empobrecimento".

"Diz o ministro das Finanças que os cortes não são cegos, nós também não somos cegos e vemos todos que a qualidade dos serviços se degrada", ataca.

Maria Luís Albuquerque, muito aplaudida pela bancada do PSD, diz que o Orçamento "diz muito pela informação que contém e pela que omite" e que é revelador de que "falhada a aposta no consumo interno, não há nada para colocar no seu lugar".

"Resulta demasiado otimista mesmo o modesto crescimento de 1,5% previsto para 2017 inferior ao registado em 2015", afirma a deputada que traça um retrato negro da situação económica.

"A dívida pública continua a crescer", sublinha, acrescentando com ironia, que "até se considera boa notícia o rating não descer". 

Vejam lá. Quando há um ano todos esperávamos que subisse", aponta, frisando a diferença entre um Governo que estava sob um programa de ajustamento e um Executivo que governa sem a troika.

"Tinham liberdade para fazer escolhas políticas, não estavam amarrados a um memorando (...) e usaram esta liberdade de escolha da pior forma", defendeu, Maria Luís Albuquerque, que acha que o Orçamento é mais um exercício feito para manter o Governo e não para aplicar ao país uma visão política.

"Não pode resumir a governação de um país à sobrevivência", afirmou.