Opiniao

Vivere in Portogallo

Os britânicos e os nórdicos, todos eles desejosos de Sol e de céu azul, descobriram-nos há mais tempo. Os franceses – que durante algumas décadas olharam para os portugueses como mão de obra barata que emigra, eles bons na construção civil e elas nas tarefas domésticas –, os franceses também já começaram a olhar o nosso país como destino para investimentos imobiliários. Agora chegou a vez dos italianos.

Fazem a rota do Mediterrâneo, até ao estreito de Gibraltar, e depois rumam para o Algarve. No temperado clima de Portugal, o do Algarve destaca-se por ser ameno o ano todo, de uma amenidade que contagia o próprio mar, quase sempre de pequeníssima vaga e com temperaturas de água quase mediterrânicas. Cheirando a mar e a frutos, como já aqui escrevi, e oferecendo-se na praia ou na serra, com uma riqueza de uma autenticidade que se foi perdendo noutras paragens.

Na luz dos muitos dias de Sol a brilhar num raro, para muitos estrangeiros, principalmente do Norte, céu azul, sem nuvens. Um céu azul que nos habituamos a ver e ao qual, pelo hábito em que estamos, nem sempre damos valor, mas que é um azul inédito para muitos dos nossos visitantes. Mesmo aqueles que também possuem uma luz invejável, como acontece no Sul de Itália, mas podem estar a perder autenticidade e preços competitivos.

Benefícios fiscais, proximidade cultural e até alguma estabilidade social e política também contribuem para estas descobertas. Que atraem reformados, como leio numa reportagem sobre a chegada dos italianos ao Algarve, reformados que querem viver do valor bruto das suas reformas, sem os pesados impostos de Roma, pelo menos durante dez anos, como Portugal oferece aos não residentes da União Europeia.

Este fenómeno é tão real que há já no Algarve agências, de iniciativa de profissionais italianos, vocacionadas para prestar assistência e informação aos cidadãos que queiram transferir-se de Itália para Portugal. Dantes era a margem esquerda do Mediterrâneo, onde está, por exemplo, a Tunísia, que atraía esses italianos, mas a situação no Norte de África alterou-se e os ventos sopram agora mais favoráveis para Portugal.

Subitamente a comunidade italiana em Portugal, nomeadamente no Algarve, passou de meio milhar para alguns milhares, mesmo sem voos diretos de Itália para Faro. Nestes contextos, ter companhias aéreas de bandeira é uma vantagem acrescida pois a criação de rotas que satisfaçam esta procura muito contribuiria para potenciar, por exemplo, a descoberta de Portugal pelos italianos.

‘Vivere in Portogallo’, num italiano conferido pelos programas de tradução disponíveis na Internet, poderá ser, muito em breve, uma das novas palavras de ordem da promoção do imobiliário português. Soa bem – ‘Vivere in Portogallo’.

 

*Presidente da CIMLOP – Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa