Politica

Autárquicas. Bloco de Esquerda vai lançar Ricardo Robles contra Fernando Medina

O nome do deputado municipal eleito pelo Bloco já tinha sido apontado como possível candidato contra Medina

Ricardo Amaral Robles, líder da bancada do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Lisboa, vai ser o candidato do partido à câmara da capital nas eleições autárquicas de outubro do próximo ano.

O i sabe que o nome do deputado municipal não foi ainda discutido oficialmente na estrutura do partido, mas Ricardo Robles é o escolhido para correr contra Fernando Medina nas próximas eleições municipais.

Fonte oficial do BE limitou-se a dizer ao i que a decisão ainda não está tomada.

“A discussão sobre as candidaturas autárquicas será tida a seu tempo, sendo certo que o Bloco de Esquerda ainda não decidiu quem será o seu candidato à Câmara Municipal de Lisboa”, assegurou fonte oficial dos bloquistas.

Certo é que esta candidatura do BE parece incapaz de vir a causar “mossa” e a desviar eleitores da base social de apoio do PS em Lisboa.

Aparentemente, esta será uma candidatura em que o Bloco “mostrará aquilo que o separa do PS em termos de gestão e propostas para a capital, mas poucos estragos fará na candidatura de Medina”, sustentou ao i fonte que tem acompanhado o processo pré-eleitoral na autarquia.

O líder da bancada do BE na Assembleia Municipal – o partido elegeu quatro deputados nas autárquicas de 2013 – admitiu recentemente [em entrevista ao “Diário de Notícias”] disponibilidade para ser o candidato do Bloco à câmara.

O autarca lembrou que “há muitos anos” dedica a vida à militância e ao ativismo político em Lisboa, assegurando que sempre esteve disponível para “todos os combates que envolvam a cidade” e que assim continuará, “independentemente dos protagonismos que possam existir”. E concluiu: “Não recuso nenhum combate.”

O nome de Ricardo Robles começou a ser falado já depois de, numa fase inicial, Mariana Mortágua ter surgido como a mais forte figura a avançar na capital contra Medina.

Todavia, algum desgaste na imagem apontado à deputada – sobretudo depois da polémica à volta do anúncio da nova taxa do IMI – e o reconhecimento de que o seu trabalho ao serviço do grupo no parlamento está longe de estar esgotado terão levado a um aparente recuo da direção do BE em cavalgar essa onda.

Foi na sequência desse alegado abandono de uma candidatura de Mariana Mortágua que as vozes começaram a virar-se para este engenheiro civil de 38 anos.

Regressando à entrevista, Ricardo Robles assumiu que a prioridade do Bloco de Esquerda nas eleições do próximo ano em Lisboa passa pela eleição de um vereador e que isso fará toda a diferença no desempenho do partido na ação fiscalizadora do executivo municipal.

As autárquicas sempre foram uma pedra no “sapato eleitoral” do Bloco de Esquerda. Basta comparar os resultados do partido nos dois últimos atos eleitorais, autárquicas 2013 e legislativas 2015.

Ponto prévio: nas eleições locais, os bloquistas não conseguiram eleger um único presidente de câmara ou presidente de junta de freguesia. Estavam em jogo 308 presidências de câmara e 3085 presidências de juntas de freguesia. Já nas legislativas, o Bloco de Esquerda passou a ser a terceira força política do país.

Nas últimas autárquicas, por exemplo, no conjunto da votação ao nível nacional para as câmaras, o BE não foi além dos 2,42% e 120 982 votos. Ao todo, para as 308 câmaras do Continente e regiões autónomas, conseguiu eleger apenas oito vereadores, em 2086 lugares em disputa. Dois anos depois, nas legislativas, o partido ultrapassou o meio milhão de votos, mais precisamente 550 892.

Isto significa que o partido, tal como ficou patente nos documentos aprovados na última convenção nacional, aposta no “aumento da sua representação nos municípios e freguesias”.

O BE também não abdica de concorrer sozinho às eleições locais do próximo ano. Coligações, só depois da contagem dos votos. Ou seja, os bloquistas mostraram-se disponíveis para assumir compromissos “para transformação à esquerda”, mas sempre pós-eleitorais.

A única exceção parece continuar a ser a Madeira, mais concretamente o Funchal.

Em 2013, uma coligação que se pode considerar inédita e onde sobressai o PS contou também com o apoio do BE e conseguiu eleger o independente Paulo Cafôfo para dirigir o Funchal. Tudo indica que essa continuará a ser a única coligação pré-eleitoral que o BE mostra disponibilidade para subscrever.