Politica

Congresso do PCP. "Desiludam-se aqueles que esperam ver um PCP resignado à inevitabilidade da política de direita"

O apoio ao governo do PS, uma Europa impossível de ser refundada e democratizada, as prioridades do partido e uma homenagem a Fidel marcaram o discurso do secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, na abertura do XX congresso do partido, em Almada.

Na abertura do congresso, Jerónimo de Sousa considerou que a resposta "aos problemas nacionais exige um outro rumo"

Jerónimo de Sousa, na abertura do XX congresso do PCP, definiu as oito prioridades dos comunistas e garantiu que a solução política que viabilizou o governo do PS "permite ao PCP manter total liberdade e independência políticas, agindo em função do que serve os interesses dos trabalhadores, do povo e do país”.

O secretário-geral do PCP realçou diversas vezes os "avanços" conseguidos com esta solução política, mas considerou que "a nova fase da vida política nacional não traduz um governo de esquerda". E quis deixar claro este acordo não significa "uma situação em que o PCP seja força de suporte ao governo por via de um qualquer acordo de incidência parlamentar que não existe". 

Quanto à durabilidade do governo liderado por António Costa, Jerónimo garantiu que "depende directamente da adopção de uma política que assegure a inversão do rumo de declínio e retrocesso impostos pelo governo anterior e corresponda aos interesses e aspirações os trabalhadores e do povo". 

Jerónimo garante que o PCP não tem nenhum problema em assumir compromissos, mas não está disponível para "traficar princípios". E deixou um aviso: "Desiludam-se também aqueles que esperam ver um PCP resignado à inevitabilidade da política de direita!". 

Para o PCP, acrescentou Jerónimo, "a resposta aos problemas nacionais exige um outro rumo, outras opções, uma decidida determinação de colocar os interesses dos trabalhadores, do povo e do país acima das imposições e orientações da União Europeia".

O líder comunista definiu oito prioridades para o país. A primeira é "a libertação do país da submissão ao euro e das imposições e constrangimentos da União Europeia". A segunda a "renegociação da dívida pública, nos seus prazos, juros e montantes, que garanta um serviço da dívida compatível com as necessidades de investimento público". Jerónimo referiu em terceiro lugar a "valorização do trabalho e dos trabalhadores, assente no aumento dos salários, no pleno emprego, na defesa do trabalho com direitos, no combate ao desemprego e à precariedade e em maiores reformas e pensões" e logo a seguir a "defesa e promoção da produção nacional e dos sectores produtivos". 

O PCP apresentou ainda como prioridades garantir o "controlo público" da banca e "uma administração e serviços públicos ao serviço do povo e do país", Por último, Jerónimo referiu a necessidade de uma "política de justiça fiscal que alivie a carga fiscal sobre os rendimentos dos trabalhadores e do povo" e a "defesa do regime democrático e do cumprimento da Constituição da República". 

O congresso do PCP começou hoje em Almada e termina no domingo.