Economia

Em busca da inflação perdida

BCE reúne na quinta-feira para decidir futuro da política de estímulos económicos. Analistas antecipam que será mantida. 

A subida do preço do petróleo  – que se antevê depois da decisão da OPEP cortar a produção – deverá fomentar o aumento da inflação. Esta subida tem sido um dos objetivos centrais da política do Banco Central Europeu (BCE) e este deverá ser para manter.

 «Na nossa reunião de política monetária em dezembro avaliaremos as várias opções que permitirão manter o elevado nível de política acomodatícia para assegurar a convergência sustentada da inflação para níveis abaixo, mas perto dos 2% a médio prazo», disse o presidente do BCE, Mario Draghi.

O programa de compra de obrigações da dívida soberana do BCE, no valor de 1,74 milhões de milhões de euros, terminará em março, mas os analistas antecipam que esta deverá continuar.

A vasta maioria dos economistas que responderam a um inquérito da Reuters, divulgado ontem, antecipam que O BCE_«deverá anunciar uma extensão por seis meses do seu programa de estímulos» na reunião da próxima semana. De acordo com a agência noticiosa, «uma decisão na reunião de quinta-feira do BCE poderá ajudar a multiplicar o impacto dos estímulos na taxa de juro de referência, uma vez que se espera que a Reserve Federal norte-americana suba os juros, fortalecendo o dólar». No entanto, um eventual aumento das taxas de juro só deverá acontecer quando houver uma recuperação económica.

Riscos políticos

Os analistas consideram que tem havido sinais de melhorias nos dados económicos mas que a estabilidade financeira da zona euro está ameaçada por riscos políticos. A Itália realiza no domingo um referendo sobre uma reforma constitucional que poderá decidir o futuro do primeiro-ministro  Matteo Renzi.

Muitos analistas consideram que um voto ‘não’ – que as sondagens antecipam – em conjunto com as eleições em França, Holanda e Alemanha no próximo ano ameacem o projeto europeu. Todos estes países são fundadores da CEE.

Além disso há a o Brexit, que Mario Draghi considera que «tem consequências muito difíceis de prever» e cujas negociações ainda estão por começar e sabe-se pouco por onde irão e em que moldes irão decorrer.

Apesar das expetativas para mais estímulos económicos por parte do BCE, a previsão para a inflação para este ano é de 0,2% e de 1.3% para 2017. Os analistas não acreditam que atinja o objetivo de 2% almejado pelo BCE, pelo menos até 2019.