Cultura

Entrevista a Frederico Lourenço

Frederico Lourenço já era autor de traduções aclamadas da Ilíada e da Odisseia e, o mais recente ‘Prémio Pessoa’, pensou fazer o mesmo com o Evangelho de João, o seu texto favorito. Mas aos poucos foi colocando a fasquia mais alta e acabou por decidir traduzir toda a Bíblia Grega. O primeiro dos seis volumes, dedicado aos quatro Evangelhos, já está nas livrarias.

Antes de irmos à primeira pergunta, queria felicitá-lo pelos textos introdutórios, que são muito claros, equilibrados e instrutivos.

Foi justamente essa a intenção. Tem a ver com a maneira como eu entendo a escrita: acho que se a pessoa tem ideias, tem também de ser capaz de as verbalizar de uma maneira clara. Porque, se elas forem verbalizadas de uma maneira ambígua, quem lê fica sempre na dúvida sobre o que eu quero dizer. E, numa temática tão complexa como esta, se não se for claro dá-se azo a mal-entendidos na leitura.

Porquê começar pelos Evangelhos? Quando a obra estiver completa, as pessoas vão ter na estante os Evangelhos antes do Livro do Génesis. Isso não poderá provocar alguma confusão?

Quando as pessoas compram uma Bíblia que tem o texto completo, começando no Génesis e acabando no Apocalipse, muitas vezes desistem a meio, porque é muita coisa, são muitos livros. Aqui proponho outro itinerário, em que as pessoas vão lendo fases diferentes. Podia ter começado pelo primeiro volume do Antigo Testamento, como é habitual, mas preferi começar assim. Também há uma razão pessoal, que é a minha ligação muito funda com estes quatro textos. Os Quatro Evangelhos são, de todos os textos que li na vida aqueles que mais me tocam, que mais me comovem, que mais me têm suscitado a refletir sobre o que é a existência humana ou a nossa relação com Deus…

José Rodrigues dos Santos disse há tempos numa entrevista que escrevia romances porque aqueles que existem não o satisfazem. No seu caso, decidiu traduzir a Bíblia porque as versões que estavam disponíveis em português não o satisfaziam?

Existem traduções muito boas, como a chamada ‘Bíblia dos Capuchinhos’, que é muito avançada, muito aberta e até surpreendente de ler. Mas não deixa de ser uma Bíblia católica. Toda ela está impregnada da doutrina católica, em que o AT é interpretado pelo filtro do NT. O meu trabalho é diferente, porque não é uma Bíblia nem católica, nem protestante, nem outra coisa qualquer: é uma Bíblia que aborda o texto grego numa perspetiva que eu diria académico-universitária.

Mais fiel ao texto original, também?

Penso que as traduções que existem em português facilitam muito as dificuldades que o texto tem. As pessoas que leem em grego conhecem essas dificuldades, mas em português as rugas estão todas passadas a ferro. Achei que era interessante as pessoas terem a noção do que é o texto para uma pessoa que o lê em grego, qual é a sensação que dá lê-lo em grego, e foi isso que tentei fazer no NT: apurar um bocadinho a nitidez das palavras e utilizar um sistema dos parênteses angulares para pôr palavras que não estão lá, mas que a pessoa tem de imaginar para a frase fazer sentido.

O seu trabalho é um pouco como o do restaurador, que tem de deixar bem claro o que é o original e o que são acrescentos posteriores?

Exatamente. Acho que a questão do restauro é uma imagem muito apropriada – é uma imagem aliás de que eu ontem me lembrei ao fazer a apresentação pública do livro. É um bocado a ideia de um quadro antigo em que aplicamos aqueles produtos para tornar as cores mais parecidas com o que eram originalmente. E é um pouco esse trabalho que estou a fazer sobre o NT: restituir um bocadinho da cor que as palavras têm no original.

E retirar os repintes, por assim dizer.

Sim, tirar os repintes e indicar claramente o que não está no texto. Penso que essa é uma característica muito inovadora desta tradução. Em português não há mais nenhuma e mesmo as que tenho consultado em inglês, alemão, em francês, em italiano – hoje em dia graças à internet podemos ter quase uma biblioteca numa pen – não são assim.

Houve algum momento em que tomasse a decisão de traduzir a Bíblia ou foi um processo mais gradual?

Foi mais gradual. A primeira ideia de todas, inicial, não era fazer a Bíblia toda, era fazer apenas um Evangelho, o Evangelho de João. É o meu texto preferido, o texto que levaria para uma ilha deserta.

E continua a ser?

Continua a ser. Acho que é um texto divino. Tem qualquer coisa que ultrapassa a explicação humana. É um texto que se lê sempre como se fosse a primeira vez. Já li centenas de vezes mas tenho sempre a sensação de ser a primeira – é sempre especial. Depois percebi que para entender bem o Evangelho de João tinha de perceber as diferenças entre o Evangelho de João e os outros três, que são muito parecidos entre si. E pensei ‘Não, o que é mais interessante propor uma tradução em que estejam os quatro Evangelhos’.

Para ver os contrastes?

E para poder remeter de um lado para o outro. Mas isto torna-se uma espécie de toxicodependência. Ficava a faltar o resto do NT, porque também precisava de remeter mais para a frente, para S. Paulo ou o Apocalipse. Gradualmente veio a ideia de fazer o NT, e a certa altura dei por mim a dizer ‘Vou fazer a Bíblia toda’.

Perdido por cem…

Perdido por mil. Mas é preciso dizer que a intenção em relação ao AT é diferente da do NT. Não há novidade em traduzir o texto grego do NT porque isso já foi feito. O que nunca tinha sido feito era nesta perspetiva mais neutra do ponto de vista confessional, com a vontade de restituir um pouco mais de exatidão ao texto. Em relação à versão grega do AT, já é uma coisa nova. A questão da Bíblia Grega é importante para a História do Cristianismo, para perceber qual era o texto que os primeiros cristãos liam. No reinado de Constantino, por volta do ano 330, a Bíblia mais canónica era a Bíblia Grega.

Na introdução refere que Jesus tinha irmãos. Esse dado é consensual?

Em todos os Evangelhos há esse episódio em que Maria aparece com os irmãos de Jesus para virem falar com ele. E ele tem aquela resposta: ‘A minha mãe e os meus irmãos são todos aqueles que põem em prática a palavra de Deus’. A questão aqui é saber interpretar se irmãos significa mesmo irmãos ou se, de acordo com a interpretação mais tradicional católica, significará primo. Mas sob o prisma linguístico e histórico aquela palavra, adelphos, tem de facto o sentido de irmão – irmão uterino, filho da mesma mãe.

Com que idade começou a ler a Bíblia?

Comecei antes dos dez anos, mas ainda não era a Bíblia a sério. Fiz a escolaridade em Inglaterra, onde os meus pais viveram entre 1965 e 1973, até eu ter dez anos, mais ou menos, e na instrução primária em Inglaterra tínhamos uma disciplina que se chamava Escrituras, que talvez equivalesse àquilo que em Portugal seria Religião e Moral.

Por que viviam os seus pais em Inglaterra?

Porque o meu pai foi fazer um mestrado em Filosofia na Universidade de Oxford e depois ficou lá como leitor de português.

E o Frederico gostava dessa cadeira de Escrituras?

Gostava muito e era bom aluno. E então os meus pais ofereceram-me uma Bíblia adaptada para crianças.

Em português ou em inglês?

Em inglês. Mais tarde, em 1973, os meus pais ofereceram-me a minha primeira Bíblia, também em inglês, que ainda tenho. Essa é a Bíblia completa, da Oxford University Press, que só tem o texto em inglês, não tem notas. Comecei a ler e foi a minha Bíblia durante alguns anos, mas vim a perceber que antes é preciso estudar alguma coisa.

Lia corrido ou salteado?

Salteado. Só li corrido muito mais tarde. Na adolescência havia sempre um momento em que desistia ou saltava. Lia só as coisas de que gostava. Há certas coisas na Bíblia em que precisamos de maturidade intelectual. Estou a pensar, por exemplo, nas cartas de S. Paulo. Nenhum adolescente tem capacidade intelectual para compreender aquele tipo de argumentação, aquele tipo de questões. Tem de se ter uma certa maturidade e uma certa bagagem do que é o Cristianismo, o que é o Judaísmo, e tentar pôr essas coisas em confronto.

Nessa altura ainda não tinha essa maturidade. Quando começou realmente a compreender todo o alcance da Bíblia?

Comecei a apaixonar-me por este texto quando comecei a ler o NT em grego. Aí é que comecei a gostar mesmo. E comecei a descobrir a beleza que o texto tem em grego.

Isso foi quando, no primeiro ano da universidade?

Não, o primeiro ano da universidade foi quando comprei a minha primeira edição do NT.

Mas nessa altura ainda não dominava o grego, pois não?

Tinha feito o exame de 11.º ano de Grego, mas estava mais ou menos a zero. Foi só nos quatro anos que tive de grego na faculdade que comecei a aprender a sério e a apaixonar-me pela língua.

Há pouco estava a dizer-me que havia partes que saltava e que começou pela parte de que mais gostava. Há partes muito aborrecidas de fazer a tradução?

Agora que estou a fazer a tradução tenho uma atitude diferente. A minha abordagem é ‘já não há nenhuma parte aborrecida. É tudo igualmente interessante.

Mesmo aquelas partes que são páginas e páginas só com nomes?

Essa parte é fantástica, é a mais fácil. Não tenho de pensar: ‘Ai meu Deus, como é que eu vou traduzir esta palavra?’. O nome não levanta grandes dúvidas nem grandes angústias em relação à tradução.

Mas há partes mais aborrecidas?

Não. Quer dizer… Houve coisas que eu já tinha lido e conhecia bem mas nunca tinha achado assim tão, tão maravilhoso e facto de ter de as traduzir e de as ver um bocado debaixo do microscópio levou-me a conhecê-las de outra maneira. No segundo volume há um texto que não estava à espera que me enchesse tanto as medidas, que é o Livro do Apocalipse. É um livro de uma imagética absolutamente extraordinária. Esse deu-me mesmo prazer, até porque é um texto que se deixa traduzir, não resiste. Ao fazer a tradução do Livro do Apocalipse lembrei-me muito do prazer que senti tantas vezes na Odisseia e na Ilíada, que são também exemplos de textos que se deixam traduzir, não lutam connosco. É só pôr em português o que lá está em grego, fica sempre bem. Mesmo que seja um burro a traduzir o Livro do Apocalipse vai sair uma coisa bonita porque o texto é lindo. E é curioso que inicialmente esteve quase para não entrar no cânone da Bíblia.

Como sabemos isso?

Existem muitos manuscritos antigos, do século IV, V e VI, que ainda não têm o Livro do Apocalipse. Mesmo no século IV há alguns debates de grandes teólogos sobre se esse livro devia ou não fazer parte da Bíblia.

Falou dos manuscritos. Qual era o suporte em que estes livros estavam originalmente escritos e como sobreviveram?

Um dos nossos grandes problemas é que o manuscrito mais antigo do NT completo é do século IV, em pergaminho. Está datado mais ou menos de 330 – d.C, obviamente. Pensa-se que terá sido feito no reinado do imperador Constantino e pertence à biblioteca do Museu Britânico, de Londres. Existe um outro manuscrito que deve ter sido feito mais ou menos na mesma altura, que está na biblioteca do Vaticano, e esses são os primeiros manuscritos completos.

Já os viu?

Não, mas o do Museu Britânico está disponível online, superdigitalizado. É o chamado Codex Sinaiticus. Esse manuscrito terá sido feito no Egipto, esteve quase 1500 anos no mosteiro do Monte Sinai, foi descoberto no século XIX, o czar da Rússia comprou-o, e depois o Estaline, em 1933, precisava de divisas e vendeu-o ao Museu Britânico por 100 mil libras. Hoje em dia se calhar nem por 100 milhões de libras se comprava, tal é a preciosidade. Mas temos de perceber que mesmo essa Bíblia já é a cópia de cópia de cópia de cópia.

Não temos o documento original.

Não. Existem bocadinhos de fragmentos de papiros rasgados e danificados que têm vários livros do NT. Por exemplo, um fragmento talvez de inícios do século II, um papiro que foi encontrado no Egipto com um bocadinho do Evangelho de João.

Temos alguma ideia de quem eram as pessoas a quem se destinavam estes textos?

Destinavam-se, para começar, a pessoas que, sendo certamente de diferentes origens étnicas, tinham em comum o facto de entenderem Grego, que no século I era ainda a língua franca do império romano. Aliás os imperadores romanos desta altura – Augusto, Tibério, todos eles – eram totalmente bilingues em latim e grego.

E Adriano…

Adriano também, mas é mais tardio. As elites de Roma até escreviam umas às outras em grego. Júlio César falava com Brutus às vezes em grego, às vezes em latim. O grego era a língua comum.

Sabemos se os textos da Bíblia eram lidos na privacidade ou em voz alta?

Vejo muitas marcas nos Evangelhos de eles serem pensados para serem lidos em voz alta. Estamos num contexto em que muitas pessoas não eram escolarizadas. Conseguiam ouvir e entender mas não conseguiam ler, por isso precisavam que lhes lessem em voz alta. A própria escrita também era feita em voz alta.

Era alguém que ditava?

Sim. Sabemos isso através de várias figuras importantes da Antiguidade, não só figuras cujas obras estão na Bíblia como figuras da literatura clássica. Temos de ver que na antiguidade as pessoas não tinham todas visão a 100%, e não tinham possibilidade de usar óculos, porque não existiam. Sabemos claramente que S. Paulo ditava as suas cartas, embora soubesse ler e escrever e tenha escrito algumas coisas na sua própria letra. O poeta Virgílio também ditava as suas cartas e mesmo os filósofos… Não acredito que Platão tenha escrito uma palavra da sua obra, acho que ditou tudo a um secretário. Aristóteles a mesma coisa. O próprio S. Jerónimo, quando fez a tradução latina da Bíblia, a Vulgata, ditou-a. Era muito habitual a palavra verbalizada em voz alta tanto na escrita como na leitura.

Falou de São Jerónimo e lembrei-me das imagens que o representam no seu gabinete a escrever a Vulgata. Como é o gabinete do Frederico Lourenço?

É mais próprio do século XXI, porque tem computador e tem muitas ajudas que essas pessoas não tinham. Tenho muitas edições modernas, edições comentadas do texto grego, dicionários que não havia na altura. Há muitos recursos hoje que não havia nem quando eu nasci, quanto mais antigamente.

Trabalha em casa ou na universidade?

Tenho um gabinete na universidade, onde tenho muitos livros, e com uma vista muito bonita para o Mondego, o que me dá uma calma ótima. Em casa também tenho uma data de livros, e um computador com um ecrã um bocadinho maior para ter vários documentos abertos ao mesmo tempo. Mas trabalho nos dois sítios.

Disse-me que o Evangelho de João tinha qualquer coisa de divino. Não teve o receio de que mexer num texto divino fosse um ato quase sacrílego?

Não, até porque eu não tenho um espírito sacrílego, e o texto, sendo sagrado, não foi escrito por Deus, de certeza absoluta, foi escrito por um homem de carne e osso como somos nós os dois que aqui estamos.

O facto de mexer no texto, de lhe ver o ‘avesso’ e as ‘costuras’, não lhe retira alguma sacralidade? Ficou com uma ideia da Bíblia diferente daquela que tinha enquanto simples leitor?

Necessariamente. Conhecer os cantos todos dos textos e ter essa noção das costuras, quando elas existem muda a nossa perspetiva. A minha reação em relação a isso é um bocadinho contraditória. Às vezes penso que é pena que as pessoas não tenham mais noção de como estes textos foram constituídos, porque conhecer isto é um antídoto contra o fundamentalismo, no sentido em estes textos têm uma história. Existem mais de 5 mil manuscritos do NT e são todos diferentes uns dos outros. Só a partir do momento em que foi impresso pela primeira vez o texto grego do NT, em 1516, esses exemplares são todos iguais. Mas antes da invenção da imprensa isso não era possível.

Li na entrevista que deu ao Expresso que esta empreitada lhe consumia doze horas por dia.

[risos] Isso é daquelas coisas que vocês, jornalistas, gostam muito. Se fosse doze horas por dia era bom, fazia isto num instante. Tento dedicar o meu dia inteiro, tirando as aulas, como é óbvio, e tentando descansar pelo menos um dia por semana. Mas digamos que o meu tempo está ocupado a fazer isto. Não só por uma compulsão obsessiva – e eu tenho muito essa característica. É também muito por uma questão de rentabilização do tempo, porque não dá para fazer isto umas horas e acabar dali a uma semana.

Como é o seu ritmo de trabalho?

Normalmente levanto-me antes das seis, às seis e meia começo, vou fazendo uns intervalozinhos ao longo do dia. A partir das sete da noite o meu cérebro apagou, portanto já não consigo mais. E não sou daquelas pessoas que conseguem trabalhar toda a noite, não consigo mesmo.

Também levantando-se às seis da manhã seria difícil…

Mas isso é o horário biológico. Não ponho despertador. Levanto-me porque acordo àquela hora.

Tem noção das coisas que está a perder enquanto se dedica a esta tarefa?

Quais coisas?

Podia estar a ler outros livros de que gosta, a ver um bom filme…

A Bíblia é mais interessante que isso tudo. Como literatura é mais interessante do que qualquer coisa que se possa ler, e é melhor cinema do que o próprio cinema [risos].

E a atualidade, passa-lhe ao lado?

Não. Leio pelo menos três jornais todos os dias, online, estou atento à realidade nacional e internacional e tenho as minhas opiniões sobre o que se está a passar. Não estou fechado numa torre de marfim. Mas não vejo televisão.

Mas tem?

Não, não. Não temos televisão.

Falámos da oralidade e da escrita. Além de ler e escrever, também sabe falar bem grego? Se for à Grécia consegue desenvencilhar-se?

Não. O problema é que este grego da Bíblia é muito diferente do que é falado. O grego moderno escrito entendo razoavelmente, mas do falado escapa-me muita coisa, porque na nossa lecionação do Grego Antigo utilizamos uma pronúncia muito diferente da do grego moderno. Isso cria-nos uma dificuldade quando vamos à Grécia.

Ainda tentou aprender o grego moderno?

Tentei. Tirei mesmo um curso de grego moderno em Atenas, em 2006, e estava muito entusiasmado, gostava de ter conhecimento de muita literatura mais recente e achava que poderia traduzir algumas coisas interessantes.

Quando terminar esta tradução, o que está previsto para 2020, acha que vai ter uma certa sensação de vazio?

Acho que se viver para chegar ao fim da meta vou sobretudo ter a sensação de ter feito uma coisa em que eu acredito, e acho que isso me vai deixar satisfeito.

Sente que este é o trabalho mais importante da sua vida, independentemente do que vier a fazer depois de 2020?

A tradução da Bíblia é claramente o mais importante trabalho da minha vida. Em relação a isso não há dúvida.

Esta entrevista foi originalmente publicada na edição impressa do SOL de 1 de outubro de 2016