Sociedade

Pedro Dias é também suspeito de crimes mais antigos

Notícias sobre homicídios de Aguiar da Beira levaram DIAP de Lisboa a reabrir uma investigação – já arquivada – a um roubo no Alentejo. Nas buscas dos últimos dias a casa do suspeito e de familiares foram encontradas as peças de arte roubadas.


Pedro Dias é suspeito de ter roubado diversas antiguidades de uma quinta no Alentejo há quatro anos. Após diversas buscas realizadas há dias na casa do suspeito dos crimes de Aguiar da Beira, as autoridades encontraram algumas das obras de arte que tinham sido furtadas em 2012 numa quinta do distrito de Évora. Entretanto, o inquérito do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa que estava já arquivado foi reaberto.

Ao que o i apurou, as diligências efetuadas não só em casa do suspeito como na casa dos seus pais e da ex-namorada permitiram recuperar peças de louça Companhia das Índias, pratas antigas e até uma tela. Alguns dos objetos ainda estariam escondidos dentro de sacos.

O furto de peças  

A reabertura do processo relativo a este roubo de peças de arte começou a desenhar-se quando surgiram as primeiras notícias dando conta de que o suspeito de  Aguiar da Beira teria namorado com uma veterinária de Arouca, com quem tem uma filha de dez anos.

E a ligação foi feita de forma muito simples, uma vez que as obras de arte desapareceram da quinta do Alentejo onde a veterinária trabalhava. “A ex--namorada trabalhava naquela quinta, sobretudo com os cavalos”, explicou ao i uma fonte conhecedora do caso.

Os investigadores do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa estarão convencidos de que a ex-namorada de Pedro Dias, bem como os pais do suspeito, nunca tiveram qualquer conhecimento do furto, apesar de as peças terem sido encontradas durante as buscas às habitações do seu círculo familiar mais próximo e à da ex-namorada.

Roubo ajuda a traçar perfil

Os novos dados que alegadamente colocam Pedro Dias como o suspeito deste “novo” crime são relevantes para a investigação aos homicídios, uma vez que ajudam a traçar a sua personalidade e a desvendar um pouco mais sobre o homem que a 11 de outubro iniciou uma fuga que viria a durar 28 dias – após ter alegadamente matado um agente da GNR e um civil e tentado matar outras duas pessoas. Depois dos crimes iniciais, Pedro Dias fez ainda vários reféns e chegou a ameaçá-los de morte e a agredi-los com muita violência.

Ainda na fuga terá usado diversos veículos que roubava e entrado em diversas habitações, com uma experiência que as autoridades acham cada vez mais natural.

Ex-namorada não sabia É a tese que a investigação assume como mais provável: apesar de ser a mãe da filha do suspeito e de o conhecer bem – havendo até notícias de que apresentara queixas por violência doméstica – tudo aponta para que a médica veterinária desconhecesse por completo que foi o ex-namorado que ficara na posse de material roubado da quinta do Alentejo onde trabalhava. O mesmo se aplica aos pais do suspeito.

O Ministério Público acredita que o esquema terá sido posto em prática sem que o círculo familiar mais próximo tenha tido qualquer informação, não tendo sequer questionado o aparecimento das peças que agora foram apreendidas – algumas delas ainda acondicionadas dentro de sacos.

Sobrevivente com segurança

Nos últimos dias têm sido noticiados os cuidados extremos com a segurança em todo este caso. O militar da GNR que sobreviveu aos disparos de Pedro Dias na madrugada de 11 de outubro está atualmente com segurança reforçada em casa. O Tribunal da Guarda considerou que poderia correr risco de vida ou ser pressionado para alterar a sua versão dos factos, o que colocaria em causa o processo – dado que António Ferreira é uma testemunha-chave.

O militar terá dois elementos da GNR à porta da sua casa para o proteger, algo que deverá prolongar-se até ao julgamento. De acordo com o seu depoimento inicial,_naquela madrugada, Pedro Dias tentou lançar confusão sobre a autoria dos crimes pedindo-lhe – após o assassinato do colega – que solicitasse informações à central sobre pessoas que nada tinham a ver com o caso. Possivelmente para que as suspeitas do duplo homicídio se centrassem nessas pessoas, disse o militar.

António Ferreira descreveu Pedro Dias como uma pessoa com “atitude calculista, enorme calma e frieza”, justificando que, após o assassinato do colega, o suspeito ainda terá tentado matar mais guardas, algo de que foi demovido com a informação de que o posto da GNR local tinha sistema de videovigilância.

Pedro Dias em Monsanto

A segurança em torno daquele que foi considerado o homem mais procurado de Portugal durante quase um mês também foi pensada ao pormenor.

Além dos cuidados acrescidos com possíveis movimentações que possam existir no exterior com vista a limitar ou mesmo anular a versão do militar sobrevivente, também dentro da prisão os cuidados estão a ser redobrados.

Pedro Dias, que está indiciado por dois homicídios, três tentativas de homicídio, três sequestros e um roubo – a que agora se somam as novas suspeitas de roubo no Alentejo – está atualmente na prisão de Monsanto.

O suspeito de Aguiar da Beira está sozinho numa cela e é monitorizado a toda a hora, com revistas quando vai e volta do recreio – onde apenas fica curtos períodos diários.

 

Esclarecimento:

Na sequência da notícia com o título “Pedro Dias suspeito de roubo no Alentejo há quatro anos” (publicada na edição de 14 de dezembro), o i/SOL foi contactado pela ex-namorada de Pedro Dias que confirma as buscas à sua casa, mas diz que nessas diligências não foram encontradas quaisquer peças furtadas.

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