Sociedade

Obras no Campo das Cebolas revelam centenas de peças históricas

No local vai ser construída uma praça e um parque de estacionamento com mais de 200 lugares

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As obras que se realizam no Campo das Cebolas, em Lisboa, estão a revelar centenas de achados arqueológicos. Um cais pombalino e duas embarcações são algumas das descobertas que preenchem os 900 contentores retirados daquele local com artefactos. Nás últimas sextas-feiras, os cidadãos que se interessam por arqueologia e História de Portugal puderam acompanhar os trabalhos realizados.

Uma equipa de 60 pessoas está desde setembro a realizar as escavações no local. Já foi encontrado material de construção – como telhas, tijolos e tijoleira -, cerâmica comum e porcelana oriental e italiana. Para além disso, os trabalhos revelaram também peças do século XVI, como bijuteria, sapatos, pentes de madeira, alfinetes e moedas de ouro.

Mas as descobertas mais impressionantes são a estrutura do antigo cais, construído após o terramoto de 1755, e a embarcação do início do século XIX. De acordo com os especialistas que se encontram no local a realizar as escavações, este era um barco regional de transporte de mercadorias alimentares e de cortiça. Esta é a segunda embarcação encontrada no local – a primeira estava em em piores condições e já foi retirada do local. Os arqueólogos acreditam que o bom estado de conservação do barco agora encontrado se deve ao lodo do aterro.

Visitas às sextas Quem quis observar de perto os materiais encontrados pelos arqueólogos no Campo das Cebolas, pôde fazê-os às sextas-feiras. As visitas decorreram da parte da manhã e tinham como objetivo dar a conhecer aquilo que já foi um antigo cais pombalino e que neste momento se encontra escondido pelos tapais das obras que decorrem. No site da Direção-Geral do Património Cultural, não existe qualquer informação em relação à continuidade das visitas guiadas, contrariamente ao que foi noticiado por outros órgãos de comunicação social. A última realizou-se no passado dia 16 de dezembro.

A obra, a cargo da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL), deverá estar concluída no primeiro semestre de 2017 e tem como objetivo a criação de uma praça, um parque de estacionamento com mais de 200 lugares e equipamentos lúdicos. Dado o espólio encontrado no local, a EMEL está a ponderar integrar as descobertas arqueológicas no projeto final.