Desastre aéreo. Russos rejeitam hipótese de terrorismo

Kremlin aponta falha técnica ou humana na origem da queda de avião militar russo no mar Negro. Noventa e duas pessoas morreram.

As autoridades russas prosseguem as investigações para descobrir o que levou à queda de um avião militar na madrugada do passado domingo, no mar Negro, poucos minutos depois de levantar voo de um aeroporto de Sochi, e a possibilidade de terrorismo não parece entrar, para já, no leque das hipóteses mais plausíveis. Segundo Moscovo, a explicação para a morte das 92 pessoas que seguiam a bordo do aparelho estará relacionada com falhas técnicas ou, eventualmente, devido a um erro do piloto.

O avião Tupolev TU-154 tinha como destino Lakatian, na Síria e transportava soldados, jornalistas, uma ativista e conselheira de direitos humanos do presidente Vladimir Putin, e 64 membros do conhecido coro do exército, Alexandrov Ensemble, que iria participar nas celebrações de Ano Novo, numa base militar russa na região.

O acidente aconteceu por volta das 5h30 de domingo (2h30 em Portugal continental), cerca de sete minutos depois de o avião ter levantado voo. Os radares do aeroporto de Sochi, na costa russa banhada pelo mar Negro, perderam quase imediatamente o contacto com o TU-154, após a descolagem, e a aeronave acabou por cair a pouco menos de 10 quilómetros de distância do local de partida, em pleno mar.

O exército russo e as equipas de socorro iniciaram, logo no domingo, as operações de salvamento, mas concluíram rapidamente que nenhuma das 92 pessoas que ia a bordo do avião tinha sobrevivido, tendo em conta o extenso rasto de destroços encontrado na água, que suger que o impacto foi violento e destrutivo. Foram enviados para o local mais de 3500 elementos, distribuídos por dezenas de barcos, helicópteros e aviões, e para as buscas no fundo do mar – o local onde a aeronave se despenhou tem uma profundidade de quase 30 metros – estão em ação drones, submergíveis e mais de 100 mergulhadores.

Falha técnica ou humana

Para além da recolha dos corpos e da limpeza da área, a prioridade das equipas de resgate é a de encontrar, o mais rápido possível, as caixas negras do aparelho, que podem ajudar a explicar as causas reais do desastre. Causas essas que, tendo em conta as autoridades de Moscovo, parecem descartar a hipótese de atentado.

“Para já, as principais teorias não incluem terrorismo, por isso assumimos que problemas técnicos, ou um erro de pilotagem, podem ter causado [o acidente]”, esclareceu Maksim Sokolov, ministro dos Transportes da Federação Russa, citado pelo canal televisivo RT. “De qualquer forma, só após a investigação, realizada em conjunto com um comité técnico especializado do ministério da Defesa, poderemos ter a certeza”, lembrou.

O desastre aéreo levou o Kremlin a decretar, para segunda-feira, dia de luto nacional, em memória das vítimas mortais que, como confirmou o ministério da Defesa, correspondem a todas as 92 pessoas que seguiam a bordo do avião militar.

O avião militar partiu de Moscovo e fez escala em Sochi para reabastecer, mas tinha como destino final a cidade costeira síria de Lakatia.

Entre os passageiros estavam 64 membros do Alexandrov Ensemble, um grupo coral do exército, criado nos tempos da União Soviética, que iria atuar na base militar russa de Hmeymim, na Síria, no âmbito das comemorações do Ano Novo.

Yelizaveta Glinka, conselheira de direitos humanos do Kremlin e conhecida na Rússia pelo seu trabalho de ativismo humanitário e de caridade, também se encontrava a bordo e, de acordo com a imprensa russa, viajava para a Síria para trabalhar nos hospitais da região