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FIFA. Ronaldo "The best": O Prémio contra a cegueira

O CR7 foi eleito pela quarta vez o melhor jogador do mundo pela FIFA – segunda sem a chancela conjunta com a Bola de Ouro da “France Football”. Na hora do discurso, garantiu nunca duvidar de que iria receber o troféu, no que considerou ser “o melhor ano da carreira”

“As pessoas não são cegas”. A frase é de Cristiano Ronaldo, o vencedor da noite ontem em Zurique – da noite, não; do ano. É verdade: o capitão da Seleção Nacional foi eleito o melhor jogador de futebol do mundo em 2016, arrecadando o primeiro troféu “The Best” da FIFA. Primeiro com esta designação, bem entendido, pois nas suas vitrinas Ronaldo já tinha outros três prémios de melhor jogador do ano atribuídos pelo organismo máximo do futebol mundial: 2008, 2013 e 2014 – os dois últimos em conjunto com a Bola de Ouro, atribuída pela revista francesa “France Football”. Em dezembro passado, o CR7 já tinha conquistado precisamente a quarta Bola de Ouro da carreira, igualando agora o feito para a FIFA.

Na corrida a este troféu, Ronaldo superou Lionel Messi e Antoine Griezmann, a exemplo do que já havia acontecido na eleição para a Bola de Ouro. O internacional português obteve 34,54 por cento dos votos, enquanto Messi, que ficou no segundo lugar, arrecadou apenas 26,42 por cento. Griezmann, finalista derrotado por Ronaldo na Liga dos Campeões e no Europeu de França, fechou o pódio com 7,53 por cento. Os votos foram efetuados por representantes de órgãos de comunicação social de todo o mundo, selecionadores nacionais, capitães das seleções e adeptos, que podiam votar no site da FIFA. Todos tiveram um peso igual no resultado final (25 por cento cada).

Com mais esta conquista, Cristiano Ronaldo deixou para trás outro Ronaldo, o Fenómeno, e Zinedine Zidane, curiosamente seu treinador agora no Real Madrid – tanto o brasileiro como o francês haviam vencido o troféu por três ocasiões. Messi continua, ainda assim, a ser o recordista: cinco conquistas – quatro consecutivas, entre 2009 e 2012, e depois em 2015. Mais um desafio para o prodígio português, que daqui a menos de um mês celebra o 32º aniversário (5 de fevereiro).

títulos coletivos decidiram

Em 2016, Cristiano Ronaldo apontou 55 golos em 57 jogos, vencendo o Europeu por Portugal e a Liga dos Campeões e o Mundial de Clubes pelo Real Madrid. Foi ainda o melhor marcador da Liga dos Campeões 2015/16, com 16 golos em 12 jogos. Messi até teve melhores números – fez mais golos (59) e mais assistências, vencendo ainda campeonato e Taça do Rei pelo Barcelona. Ainda assim, o CR7 não tem dúvidas: este foi o “melhor ano” da sua carreira. “Muitas dúvidas havia, mas mais um troféu demonstrou que as pessoas não são cegas, veem os jogos, as competições...”, disparou Ronaldo, logo após receber o prémio das mãos de Gianni Infantino, presidente da FIFA. E completou: “Depois de tudo o que ganhei, não tinha dúvidas de que podia vencer este troféu e a Bola de Ouro. Foi um ano magnífico a nível individual e coletivo, os prémios falam por si mesmo.” E falam mesmo.

sem pepe no onze do ano

A distinção para o melhor jogador do ano era a mais esperada da noite, como é compreensível, mas antes disso já Ronaldo tinha sido agraciado com outra honra. O CR7 foi eleito para o onze do ano da FIFA (FIFPRO, assim se chama a categoria), juntamente com outros quatro jogadores do Real Madrid: Sergio Ramos, Marcelo, Modric e Kroos. Pepe também estava nomeado, mas acabou por ficar de fora do onze final, perdendo para Piqué, um dos cinco elementos do Barcelona nomeados – os outros foram Dani Alves (que a meio do ano se mudou para a Juventus), Iniesta, Luis Suárez e Messi.

Manuel Neuer, guardião alemão do Bayern Munique, foi o único a conseguir furar o domínio quase integral dos dois gigantes espanhóis, numa votação levada a cabo por um painel composto por jogadores profissionais de todo o mundo.

Fernando Santor perdeu para Ranieri

Se Cristiano Ronaldo voltou a sair a sorrir de uma gala FIFA, já Fernando Santos não teve razões para tal: o selecionador nacional não conseguiu conquistar o galardão de melhor treinador do ano, que foi entregue a Claudio Ranieri pelas mãos de Diego Armando Maradona. O técnico italiano de 65 anos mereceu o prémio pelo extraordinário feito ao comando do Leicester City, modesta equipa que conduziu ao título na Premier League. Fernando Santos, de resto, terminou no terceiro lugar do pódio, recebendo também menos votos do que Zinedine Zidane: o campeão europeu pelo Real Madrid somou 16,56 por cento, enquanto o campeão europeu por Portugal recebeu 16,24 por cento das escolhas – Ranieri venceu com 22,6 por cento. O selecionador nacional falhou assim o objetivo de se sagrar o segundo português a conquistar o galardão, depois de José Mourinho em 2010, no primeiro ano em que o mesmo foi atribuído.