Tecnologia

Facebook vai introduzir filtro para travar notícias falsas na Alemanha

Alemães querem impedir a propagação de conteúdo noticioso fabricado em ano de eleições gerais

A empresa norte-americana que detém a maior e mais conhecida rede social a nível mundial vai dar início, nas próximas semanas, à introdução de mecanismos próprios para travar a proliferação de notícias falsas na Alemanha. O desenvolvimento de testes do recém-criado filtro do Facebook, que identifica e assinala conteúdo noticioso falso, é já uma realidade nos Estados Unidos desde dezembro, mas a sua expansão para o território alemão será a primeira experiência da ferramenta na Europa. E, para já, a única. “Por agora, o nosso foco é apenas na Alemanha, mas estamos certamente a refletir sobre quais os países que podem aderir de seguida”, confirmou um porta-voz do Facebook ao “Financial Times”.

A propagação de notícias falsas ganhou um ímpeto redobrado durante a campanha presidencial norte-americana e as autoridades alemãs querem evitar que o mesmo possa vir a acontecer no país. Em setembro deste ano, a Alemanha vai a votos e o governo de Angela Merkel está atento aos riscos da circulação de conteúdos falsos pelas redes sociais que possam contribuir para influenciar o eleitorado. Na noite de passagem de ano, por exemplo, foram vários os utilizadores alemães do Facebook que partilharam uma notícia, oriunda da Breitbart News – um site noticioso norte-americano de extrema-direita –, que dava conta de que um grupo de 1000 pessoas, a maioria refugiados, tinha atacado a polícia e incendiado uma igreja de Dortmund, descrita na peça como a “mais antiga igreja alemã”. Nem a igreja referida é a mais antiga daquele país nem a polícia foi atacada, e muito menos houve um incêndio.

A ferramenta que está a ser de-senvolvida pelo Facebook na Alemanha permitirá aos utilizadores denunciarem uma notícia como sendo “falsa”. A mesma será então analisada por uma equipa independente de jornalistas de investigação, que procederão ao chamado fact-checking. Caso confirmem que o conteúdo é enganoso, a notícia será marcada como “contestada” e deixará de ser prioritária para o algoritmo do feed de notícias daquela rede social. Para além disso, se um utilizador resolver partilhá--la, receberá um aviso sobre o seu conteúdo discutível.