Economia

BCP. Aumento de capital com preço baixo poderá atrair investidores

Operação tem riscos mas vai permitir antecipar o reembolso da ajuda do Estado no valor de 700 milhões e aumentar os rácios de capital do banco.

 

A oportunidade de participar no aumento de capital do BCP “é arriscada, tanto por fatores históricos como por razões intrínsecas à realidade atual que dificilmente possibilitam a valorização do título em bolsa”. A garantia é dada ao i por José Correia, gestor da XTB. Perante esse cenário de risco, o analista lembra que a instituição financeira tem vindo a acenar com o pagamento de dividendos a partir de 2018.

“Para se financiar da melhor forma é importante sinalizar aos acionistas do banco a possibilidade de retorno do seu investimento o quanto antes, pelo que era expectável uma política de distribuição de dividendos favorável a quem participe do aumento de capital, por forma a fomentar a participação de mais investidores neste evento”, revela o responsável.

Mas o que é certo é que acompanhar a operação dependerá das expectativas que cada investidor terá para a evolução dos resultados do banco, nomeadamente no que se refere à capacidade de serem atingidos os objetivos que o BCP apresenta no seu plano de negócios. E a par disso há que contar com o baixo preço da operação e, como tal, poderá atrair investidores.

O banco liderado por Nuno Amado vai aumentar o capital em 1,3 mil milhões de euros, através da emissão de 14 mil milhões de novas ações com um desconto de 38% - fator que tem pressionado a cotação nas últimas sessões. Este dinheiro  vai permitir antecipar o reembolso da ajuda ao Estado no valor de 700 milhões de euros e aumentar os rácios de capital para níveis acima do exigido pelo regulador europeu. Uma intenção que, de acordo com o analista, “é um sinal de estabilidade financeira para um banco que apresenta dificuldades há já alguns anos, favorecendo uma imagem de consolidação para o futuro”. 

Títulos disparam

As ações do BCP voltaram esta terça-feira aos ganhos e acabaram por encerrar ontem a disparar quase 16% no primeiro dia em que negociaram sem direitos. No entanto, os títulos do banco já estiveram a disparar 22,54% para 16,95 cêntimos neste início de sessão em Lisboa e acabaram por estar a negociar acima do valor teórico do dia em que o aumento de capital foi anunciado, há mais de uma semana.  

As ações sofreram a partir de segunda-feira um ajuste técnico. Os títulos passaram a valer apenas 0,1383 euros em vez dos 0,8031 euros com que encerraram a sessão desta segunda-feira, uma vez que as ações adquiridas a partir de segubda já não conferiram o direito a participar no aumento de capital de 1,3 mil milhões de euros. Já este direito chegará esta quarta-feira ao mercado a valer 0,6648 euros. Isto significa que este valor teórico resulta da diferença entre a cotação de fecho desta segunda-feira e o preço teórico ajustado ao destaque dos direitos. Ou seja, não representa qualquer perda para os detentores de ações do BCP.