Sociedade

Por dia morrem em média 298 portugueses. Sabe quais são as principais causas?

Mortes por tumores malignos estão a aumentar mas doença cardíaca e AVC dominam nos certificados de óbito

De que morrem os portugueses? Dados divulgados nos últimos dias pelo Instituto Nacional de Estatística, referentes ao ano de 2015, permitem traçar um retrato das causas de morte do país. As mortes por cancro, que no futuro, com o envelhecimento da população, se estima que venham a representar a principal causa a nível mundial, aumentaram 1,7% face ao ano anterior. Mas são as doenças do aparelho circulatório, que incluem enfartes e AVC, que continuam a precipitar um maior número de óbitos. Em 2015, estiveram por detrás de um terço das mortes registadas em Portugal. O acidente vascular cerebral é a principal ameaça: por dia, mata 32 portugueses.

As estatísticas sobre as causas de morte em Portugal, a que o i teve acesso, foram atualizadas pelo INE na passada quinta-feira. Os dados revelam que, em 2015, morreram 108.922 pessoas em Portugal, mais 3703 do que no ano anterior, o que dá uma média de 298 mortes/dia.

Deste total, 85.632 pessoas tinham mais de 70 anos, o que deixa Portugal mais perto de alcançar uma das metas do Plano Nacional de Saúde: garantir que apenas 20% da população morre prematuramente, sem celebrar os 70 anos. Pela primeira vez, a percentagem de portugueses que morreu antes de atingir esta idade, por doença ou por causas externas como acidentes, baixou do patamar dos 22%, ficando nos 21,8%.

No global, as doenças do aparelho circulatório foram a causa de morte de 32 443 pessoas, uma subida de 1% face ao ano anterior. O AVC matou 11 778 pessoas, mais de 90% com idade superior a 65 anos. Já o enfarte agudo do miocárdio vitimou 7328 pessoas. A boa notícia é que apresar de as doenças do aparelho circulatório contribuírem um grande número de mortes e incluírem outros problemas como hipertensão e outras patologias cardíacas, houve uma ligeira diminuição tanto nos óbitos por AVC como por enfarte, áreas em que a resposta rápida dos serviços de saúde é vista como determinante na recuperação dos doentes, daí terem vindo a ser criadas ao longo dos anos “vias verdes” de atendimento destes casos. Por outro lado, são também doenças em que mudanças no estilo de vida funcionam como prevenção.

No que diz respeito à doença oncológica, os dados do INE revelam que os tumores malignos estiveram por detrás de 26.640 mortes no país em 2015.

O cancro da traqueia, dos brônquios e pulmões é o que mais mata, tendo vitimado 4023 pessoas (11 por dia). Seguem-se as vítimas de tumores malignos do cólon, reto e ânus (3847). Em terceiro lugar nas causas de morte por doença oncológica está o cancro do estômago, que matou 2340 pessoas em 2015. O cancro da próstata matou 1723 homens no mesmo ano e o cancro da mama 1690 mulheres e 19 homens. Os dados do INE revelam que os cancros em que houve maior aumento do número de mortes foram os tumores da bexiga, pâncreas, fígado e também nas leucemias, em particular na população mais velha.

Alerta pneumonia e diabetes

Duas doenças que já representam um número elevado de mortes no país e que continuam a vitimar cada vez mais pessoas são pneumonia e diabetes. A pneumonia matou 6126 pessoas em 2015, 16 por dia, uma subida de 9% face ao ano anterior. Dois terços eram idosos com mais de 80 anos. Já a diabetes foi a causa de morte de 4406 pessoas, uma subida de 3%.

Suicídios baixaram Entre as mortes motivadas por causas que não doenças, o suicídio continua a ser o maior flagelo nacional. As lesões auto provocadas foram a causa de morte de 1132 pessoas em 2015. O número baixou 8% face ao ano anterior mas continua a ser superior ao que se verificava antes da crise socioeconómica dos últimos anos.

Seguem-se os acidentes de transporte, que vitimaram 810 pessoas em 2015. Em terceiro lugar surgem as mortes por queda, que têm vindo a aumentar. Vitimaram 736 portugueses, mais 19% do que ano anterior e quase tantas pessoas como as que morreram em acidentes de viação, onde os últimos anos as campanhas de prevenção parecem ter tido um efeito positivo. Das quedas, que além de fatais podem comprometer irreversivelmente a mobilidade, fala-se ainda menos. A maioria das pessoas que morreram nestas circunstâncias era idosos, mas as quedas foram também a causa de morte de 130 pessoas com menos de 65 anos.