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Sindicato e Comissão de Trabalhadores da Carris abandonam reunião com PCP

Tudo parecia estar a correr como planeado, mas a Comissão de Trabalhadores e a SITRA, afeta à UGT, resolveram sair ainda antes de a reunião começar.

A reunião sobre a Carris tinha sido pedida ao PCP pela Associação Sindical do Pessoal de Tráfego da Carris, pela Comissão de Trabalhadores, pelo Sindicato Nacional de Motoristas e pela SITRA (Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes). Mas os comunistas fizeram uma proposta de reunião conjunta que incluísse todas as organizações do setor. Não houve nenhuma objeção e hoje às 14h todos estavam no Parlamento para um encontro com o PCP.

Tudo parecia estar a correr como planeado, mas a Comissão de Trabalhadores e a SITRA, afeta à UGT, resolveram sair ainda antes de a reunião começar.

"O PCP tentou transformar a reunião numa auscultação ao trabalhadores da Carris, o que devia ter feito antes de ter apresentado a apreciação parlamentar”, disse ao Observador o representante da SITRA, explicando o descontentamento com o facto de ter encontrado na reunião sindicalistas da FECTRANS afetos à CGTP.

Guerra entre UGT e CGTP

No PCP recusa-se comentar o incidente que parece a continuação do mau ambiente que se instalou entre UGT e CGTP depois de Carlos Silva ter recusado que Arménio Carlos fosse chamado a negociar uma adenda ao acordo de concertação social que não tinha assinado, na sequência do chumbo da TSU.

O que os comunistas explicam é que entretanto já foi marcaram novas reuniões com a SITRA e a Comissão de Trabalhadores para amanhã, aguardando apenas confirmação da disponibilidade daquelas estruturas para a hora indicada.

Entretanto, o PCP continua sem revelar as propostas de alteração que pretende levar à apreciação parlamentar do decreto que passa a Carris para a tutela da Câmara de Lisboa, no dia 24 de fevereiro.

Bruno Dias explica apenas que as propostas ainda estão em elaboração e que o objetivo será "salvaguardar uma solução para a empresa no quadro do setor empresarial do Estado".

Isto, porque os comunistas consideram que, embora as autarquias devam "ter forçosamente uma palavra a dizer" na gestão das empresas de transportes públicos, as câmaras não têm condições financeiras para ficar responsáveis por estas empresas.

De resto, Bruno Dias considera que as áreas metropolitanas, tal como existem, "não têm condições" para assumir a tutela dessas empresas, descartando assim uma hipótese que resolveria o problema levantado pelo PCP de Oeiras, Loures e Amadora não terem uma palavra a dizer na gestão da Carris apesar de algumas carreiras entrarem nestes concelhos.

A manutenção das empresas de transportes públicos no setor empresarial do Estado é "uma luta antiga" do PCP e deve ser nesse sentido que irão as propostas de alteração feitas pelos comunistas.

Essa solução não deverá, contudo, ser apoiada por PSD e CDS, que têm sido sempre favoráveis à concessão destas empresas a privados.

Diferente seria se o PCP avançasse com um pedido de cessação de vigência do diploma, já que aí teriam o apoio do PSD, embora não do BE, que desde a primeira hora se mostrou contra essa solução apesar das dúvidas sobre o decreto-lei que municipaliza a Carris.

PCP pediu apreciação parlamentar antes da TSU

Uma coisa é certa: o pedido de apreciação parlamentar apresentado pelo PCP já estava planeado muito antes da mudança de atitude do PSD na oposição.

Bruno Dias tinha anunciado esse pedido num debate parlamentar no dia 18 de janeiro, quando Pedro Passos Coelho não tinha ainda anunciado que António Costa deixaria de poder contar com o PSD "como muleta" do Governo nos temas em que não se entende com os parceiros à esquerda.