Economia

Sonangol mantém posição de quase 15% no BCP

Banco concluiu com sucesso aumento de capital com procura a representar cerca de 122,9% do montante da oferta. Fosun ficou com cerca de 24%, aquém dos 30% que pretendia.

Os acionistas de referência do BCP acompanharam o aumento de capital de 1,3 mil milhões de euros, tal como estava previsto, aproveitando a operação para reforçar as suas posições e passaram a controlar cerca de um quarto do banco liderado por Nuno Amado.

"No exercício de direitos de subscrição foram objeto de subscrição proporcional 13.943.683.125 ações, representativas de cerca de 98,4% do total de ações a emitir no âmbito da presente Oferta, tendo ficado  disponíveis  para  rateio 225.682.455 ações. Os  pedidos  suplementares  de  ações sujeitos a rateio totalizaram 3.463.624.516 ações, excedendo cerca de 14,3 vezes a quantidade disponível para o efeito", referiu o BCP em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

O reforço dos institucionais estrangeiros acabaram por impedir o grupo chinês de atingir os 30% tal como desejava, ficando pelos quase 24% do capital do BCP. Ainda assim fica comprometido pelo acordo de investimento celebrado com o banco em novembro a atingir esta posição a prazo. No entanto, a Fosun passou a ter direito a nomear mais três elementos para o conselho de administração do BCP, além dos dois administradores já cooptados e que aguardam luz verde do Banco Central Europeu para assumir funções, João Nuno Palma e Lingjiang Xu. 

A Sonangol, presidida por Isabel dos Santos, que controlava 14,87% do capital do BCP foi obrigada a investir 198 milhões de euros para preservar esta posição na estrutura acionista do banco liderado por Nuno Amado.

A posição da empresária acabou por confirmar a intenção que já tinha sido admitida por um analista ao SOL ao confirmar que Isabel dos Santos já teria condições financeiras para acompanhar esse aumento de capital, ao contrário do que se verificava há uns meses atrás. "A recuperação do preço do crude tem beneficiado as empresas do setor energético e por conseguinte a Sonangol tem tido nas últimas semanas maior capacidade para participar neste aumento de capital", referiu José Correia, gestor da corretora XTB.

Recorde-se que a Sonangol, no final de 2016, solicitou ao Banco Central Europeu a autorização para reforçar a sua posição no banco para um nível superior aos 20%, tendo recebido a resposta positiva no início deste ano. A petrolífera angolana é acionista de referência do BCP desde 2007, onde começou por ter uma posição qualificada de 2%.