Economia

BCP já tem condições para pagar empréstimo ao Estado de 700 milhões

O banco tinha dito que o aumento de capital serviria para regularizar o empréstimo obrigacionista de ações convertíveis contraído em 2012.

O aumento de capital de 1,3 mil milhões do BCP chamou a atenção dos investidores e os acionistas de referência acompanharam a operação para reforçarem as suas posições, passando a controlar cerca de 42% do banco liderado por Nuno Amado. As novas ações, vendidas a 9,4 cêntimos cada uma, serão admitidas à negociação em bolsa na próxima quinta-feira ou em data aproximada, de acordo com as últimas informações avançadas pelo banco liderado por Nuno Amado.

Depois de concluir o aumento de capital, o banco está agora em condições de pagar ao Estado a última parcela, de 700 milhões de euros, do empréstimo obrigacionista de ações convertíveis (CoCos), que chegou a totalizar três mil milhões de euros e foi contraído em 2012.

Petrolífera mantém posição

A grande surpresa foi a impossibilidade de a Fosun atingir os 30% da instituição financeira, tal como desejava, ficando-se pelos 24% do capital. Mas, feitas as contas, reforçou a sua posição, uma vez que, antes do aumento do capital, a empresa chinesa detinha 17% do BCP.

Ainda assim, fica comprometida pelo acordo de investimento celebrado com o banco em novembro a atingir esta posição a prazo. No entanto, a Fosun passou a ter direito a nomear mais três elementos para o conselho de administração do BCP, além dos dois administradores já cooptados e que aguardam luz verde do Banco Central Europeu para assumir funções, João Nuno Palma e Lingjiang Xu. 

Já a Sonangol, presidida por Isabel dos Santos, que controlava 14,87% do capital do BCP, foi obrigada a investir 198 milhões de euros para preservar esta posição na estrutura acionista. 

A posição da empresária acabou por confirmar a intenção que já tinha sido admitida por um analista ao i, ao afirmar que Isabel dos Santos já teria condições financeiras para acompanhar esse aumento de capital, ao contrário do que se verificava há uns meses. 

“A recuperação do preço do crude tem beneficiado as empresas do setor energético e, por conseguinte, a Sonangol tem tido nas últimas semanas maior capacidade para participar neste aumento de capital”, referiu José Correia, gestor da corretora XTB.

Recorde-se que a Sonangol, no final de 2016, solicitou ao Banco Central Europeu autorização para reforçar a sua posição no banco para um nível superior aos 20%, tendo recebido resposta positiva no início deste ano. A petrolífera angolana é acionista de referência do BCP desde 2007, onde começou por ter uma posição qualificada de 2%. 

Além da petrolífera angolana, também a InterOceânico, outro dos acionistas angolanos do banco, participou neste aumento de capital para manter a sua posição de 1,7%, o que representou um investimento de 23 milhões de euros. Também o Fundo de Pensões da EDP optou por manter a participação de 2,56% com um investimento de 28 milhões de euros.

Elevada procura A procura para a subscrição de novas ações superou em mais de 20% a oferta disponível (122,9%). Já as ordens dadas para os títulos atribuídos através de rateio superaram 14 vezes o número de ações disponíveis, revelou o banco em comunicado à CMVM.

Tratou-se do quarto aumento de capital desde 2011, tendo já sido arrecadados ao todo 4,3 mil milhões de euros. Estas operações têm servido não só para cumprir as metas de solidez definidas pelos órgãos reguladores -Banco Central Europeu e Banco de Portugal - como também para dar um maior fôlego à instituição financeira, a fim de expandir a sua atividade.