Internacional

Brasil. Mesmo com mil soldados na rua, poucos se aventuram a andar por Vitória

A onda de homicídios e de assaltos do fim de semana encheu morgues e pôs famílias barricadas em casa. 

O grande reforço de segurança enviado pelo governo brasileiro para a zona metropolitana de Vitória, no estado de Espírito Santo, não parece ser suficiente para assegurar à população local que a onda de violência do fim de semana não se vai repetir e é seguro sair à rua.

De acordo com a revista “Veja”, o governo adiou esta terça-feira o regresso às aulas nas escolas públicas e limitou os serviços de atendimento nos postos de saúde, mesmo depois da chegada de mil membros das Forças Armadas e 200 elementos da Força Nacional, que patrulham as ruas. 

A revista brasileira indica para além disso que dois autocarros foram incendiados na segunda-feira e que várias repartições públicas e negócios estão de portas fechadas. Há famílias inteiras barricadas em casa, algumas com sofás a servirem de blindagem para as suas portas. 

O clima de insegurança começou no sábado, quando familiares de polícias, legalmente impedidos de fazer greve, se concentraram nos acessos dos quartéis de Vitória, reivindicando acertos salariais, o pagamento de subsídio de alimentação, subsídio de risco e insalubridade, para além de mais vencimento noturno. 

A sua presença impediu a saída dos veículos da polícia, o que, de acordo com a “Veja”, deixou a zona metropolitana de Vitória praticamente sem policiamento. O resultado foi um aumento exponencial nos assaltos e homicídios, para além de numerosos atos de vandalismo. 

Não há números oficiais, mas a morgue do Departamento Médico Legal de Vitória ficou sobrelotada, chegando a ter 30 corpos para apenas 12 gavetas frigoríficas. “Parecia campo de guerra da Síria”, diz à “Veja” o diretor do departamento, Rodolfo Laterza.