Economia

Casas. Portugueses voltam a comprar e mercado deverá crescer 30% este ano

Depois do maior aumento na Europa, com os valores das casas a subirem 7,6% em 2016, este ano, os preços deverão estabilizar, sobretudo em Lisboa e no Porto, já que estão muito inflacionados

A venda de casas continua a bater recordes atrás de recordes. A procura vai continuar a subir e os preços deverão acompanhar esta tendência nas principais cidades, como Lisboa e Porto. A Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) acredita que 2017 reúne todas as condições para ser um ano melhor que o ano passado e aponta para crescimentos na ordem dos 30%.

“A retoma do setor imobiliário está mais do que estabelecida e é um mercado com enorme potencial de valorização e de descentralização do investimento nacional e estrangeiro para outras regiões do país, continuando a haver uma aposta na reabilitação urbana para recolocação destes imóveis no mercado, através do arrendamento urbano ou do alojamento local.” Mas a associação do setor deixa recados: “É necessário que este mercado possa funcionar normalmente, sem sobressaltos que possam ser introduzidos por eventuais medidas que afetem a credibilidade que o mercado imobiliário deve ter.”

Também do lado das mediadoras, a perspetiva é positiva. Contactadas pelo i, as empresas admitem que, em parte, este aumento da procura está relacionado com a maior concessão de crédito à habitação. A verdade é que os bancos têm vindo a abrir os cordões à bolsa e os números falam por si: de acordo com os dados do Banco de Portugal, até ao terceiro trimestre do ano passado, o montante de novas operações cresceu 51%.

“A evolução registada no montante de novas operações de crédito à habitação permitiu que muitas famílias portuguesas regressassem ao mercado para comprar e vender os seus imóveis. Este efeito sentiu-se sobretudo nos mercados periféricos, onde se registaram os aumentos mais significativos das transações face ao ano anterior”, lembra ao i Ricardo Sousa, administrador da Century 21 Portugal .

Já Miguel Poisson, diretor-geral da ERA Portugal, lembra que a economia vai crescer mais este ano e que o turismo vai continuar a ser o seu motor, com efeitos muito positivos no imobiliário, nomeadamente no investimento na compra de imóveis para alojamento local. Ao mesmo tempo, acredita que a concessão de crédito à habitação deverá crescer na casa dos 30%.

Abrandamento de preço

 As casas em Portugal ficaram 7,6% mais caras em 2016, o que representou a subida mais acentuada na Europa. Daí as mediadoras contactadas pelo i acreditarem que esta subida não irá registar-se este ano, pelo menos nas zonas que apresentam valores inflacionados. E a opinião é unânime: os preços vão atenuar para a realidade do mercado.

“O maior desafio, neste momento, estará em estabelecer os preços corretos para os imóveis. Há uma ideia generalizada de que os preços estão a subir globalmente em todo o Portugal, mas esta subida de preços está muito localizada em certas freguesias de Lisboa e Porto, não tanto no resto do país”, refere Beatriz Rubio, CEO da Remax Portugal.

Além disso, as mediadoras acreditam que a construção deverá arrancar de forma mais visível, uma vez que há uma grande escassez de casas novas em muitas zonas do país. Já os centros das cidades, face aos preços elevados que são praticados, começam a tornar-se mais atrativos para o investimento. “Muitos investidores têm optado por esta estratégia porque as rentabilidades chegam facilmente a níveis superiores a 6%”, afirma Miguel Poisson.

Ricardo Sousa defende ainda que é necessário encontrar soluções de habitação ajustadas às reais capacidades das famílias portuguesas, que são o principal motor do setor imobiliário nacional. “Os aumentos consecutivos dos preços médios de venda de imóveis, causados sobretudo pela escassez de novas construções e pelo desajuste da oferta imobiliária face às reais capacidades financeiras dos portugueses, estão a dificultar o acesso das famílias a soluções de habitação no centro das cidades, onde os preços dos imóveis já estão a chegar a níveis inalcançáveis”, refere.

Também a crescer este ano estarão as periferias das grandes cidades que, tendo em conta o mais fácil acesso ao crédito à habitação e sendo os preços dos centros das cidades tão elevados, começam a tornar-se muito atrativas do ponto de vista do investimento. É o caso, por exemplo, de comprar para arrendar em locais com boas vias de comunicação para o centro das cidades.