Cultura

Dakota Johnson. “A psicologia de um sadista com numerosos fetiches sexuais é fascinante”

Chega hoje às salas “As Cinquenta Sombras Mais Negras”. Dakota Johnson regressa no papel de uma Anastasia mais confiante e menos submissa

Traduzido em 52 línguas, “As Cinquenta Sombras de Grey”, de E.L. James vendeu mais de 125 milhões de exemplares. A adaptação para cinema, apesar das críticas, revelou-se outro sucesso, ultrapassando os 570 milhões de dólares mundialmente. Cerca de dois anos depois, chega hoje às salas nacionais a sequela “As Cinquenta Sombras Mais Negras”, cuja pré-venda já se aproximava dos 30 mil bilhetes. Tudo para acompanhar a história de amor, luxúria e fantasia entre Christian Grey e Anastasia Steele, mais uma vez interpretada por Dakota Johnson.

No final de “As Cinquenta Sombras de Grey” vemos Anastasia Steele abandonar Christian Grey e a assumir o controlo da sua vida. Por que caminhos envereda a personagem na sequela?

“As Cinquenta Sombras Mais Negras” começa alguns dias depois da Anastasia ter abandonado o Christian. Ela tem o coração partido, mas ainda sente um grande amor por ele. Durante este segundo filme, vemo-la aceitar as suas emoções por ele, e a mostrar uma grande bravura ao permitir que elas vivam livres dentro de si. Ambos decidem dar uma segunda oportunidade à relação, mas desta vez é a Anastasia que dita as regras. Durante o filme, ela explora a sua sexualidade, o seu corpo e os seus desejos de uma forma muito honesta e bela. 

Mas como é que a relação evoluiu? 

Aquilo que é tão sedutor nesta história é que estas pessoas amam-se acima de tudo e são capazes de fazer seja o que for para proteger esse amor. Este forte elo torna as personagens mais humanas. Eles decidiram que querem estar juntos e agora há mais espaço para a sua relação evoluir e se aprofundar. 

O que mais gosta nesta personagem?

A evolução sexual e emocional da Anastasia como uma jovem mulher é muito interessante para mim, mas a melhor parte da sua personalidade é esta justaposição entre coragem e retidão que existe dentro dela. É igualmente capaz de explorar a sua sexualidade e ter compaixão e confiança em si mesma.

Já Christian é um homem complexo e misterioso, o que certamente também deve fazer dele uma personagem interessante de representar. 

Claro que a psicologia de um sadista com numerosos fetiches sexuais é fascinante. Imagino que o processo de a decompor lógica e emocionalmente seja delicioso para um ator.

O que vamos aprender mais sobre ele?

Neste segundo filme descobrimos aquilo que realmente aconteceu no passado do Christian. Vemos o abuso e a negligência dos quais ele foi vítima enquanto criança e que são os motivos para a dificuldade que ele tem em confiar nas pessoas. Também vemos um lado mais suave e liberto dele. As circunstâncias permitem que o seu humor e personalidade tenham mais espaço para brilhar.

Como foi trabalhar com Kim Basinger, que interpreta o papel de Elena Lincoln, uma mulher com relações importantes ao passado de Christian?

Foi uma delícia trabalhar com a Kim Basinger. Sou uma grande admiradora dela desde a primeira vez que vi “Nove Semanas e Meia”. O filme deu-me a volta à cabeça. Ela é tão talentosa e idiossincrática, já para não falar no facto de ser absolutamente deslumbrante. No meu mundo de sonho narcisista esta coincidência existe como uma espécie de cerimónia de iniciação, ou uma passagem de testemunho, se assim quisermos dizer. Tenho bem noção que nem eu, nem ninguém no planeta, vai conseguir ser tão sexy e brilhante quanto a Kim Basinger em “Nove Semanas e Meia”, e não tenho problema nenhum em admiti-lo. Acho que até prefiro viver na sombra desse grande filme, mas uma rapariga pode sonhar. Também foi uma dinâmica interessante porque não só vemos pela primeira vez o lado fugaz e protetor da Anastasia, mas também a vemos a enfrentar uma mulher sexualmente dominante. É uma mudança drástica de tom daquilo que é o comportamento normal dela.

Tal como no filme anterior, há uma componente humorística neste “As Cinquenta Sombras Mais Negras”?

Tenho tendência a encontrar humor em situações convencionalmente sem graça. Serviu-me de mecanismo para lidar com os problemas da vida e trazer esse meu lado para o meu trabalho enquanto atriz tem-me ajudado. Espero que o humor que eu vejo nesta história se traduza no ecrã para aliviar um bocadinho a atmosfera intensa deste filme.

Acha importante termos a capacidade de não nos levarmos muito a sério e de rirmos de nós próprios?

Acho as pessoas demasiado sérias extremamente aborrecidas.

Como foi voltar a encarnar Anastasia depois do sucesso de “As Cinquenta Sombras de Grey”?

Da primeira vez, a pressão de fazer uma adaptação fiel de uma história amada por tantas pessoas era assustadoramente enorme. Não quero com isto dizer que fazer o segundo filme foi fácil, mas foi seguramente mais familiar, digamos. Nunca tinha voltado a encarnar a mesma personagem, nem a trabalhar com a mesma equipa técnica. Foi como voltar a um acampamento. Desta vez, estas águas já tinham sido exploradas e eu e o Jamie [Dornan] sabíamos navegar pelas personagens e pela história. Foi uma experiência de aprendizagem seguir todo o arco de uma personagem, pela primeira vez na minha carreira.

A química entre os dois foi extraordinária no filme anterior. Como foi voltarem a trabalhar juntos? 

Por causa do fator intimidade, criámos uma atmosfera muito segura e protegida durante o primeiro filme. Depois ficámos grandes amigos, felizmente! Temos imensa sorte em darmo-nos tão bem, porque o caso contrário teria sido um pesadelo. Desta vez foram seis meses de filmagens e a maioria das cenas são entre o Christian e a Anastasia. É muito tempo para estarmos juntos e fomos capazes de passar esse tempo com uma alegre camaradagem. 

O que acha que torna Jamie Dornan a pessoa certa para o papel de Christian Grey?

Acho que o Jamie tem uma quietude que é essencial para este papel. Ele é muito inteligente e gracioso, e essas camadas debaixo do seu ar estoico dão uma nova profundidade à personagem. 

Como foi filmar as cenas mais picantes?

Já que foram imensas as cenas de sexo que tivemos de filmar, tentámos despreocuparmo-nos o mais possível, ainda que fazendo um esforço para que parecessem realistas. Filmar essas cenas pode ser um desafio física e emocionalmente, portanto tivemos de ter cuidado ao lidar com elas.

E sobre o novo realizador, James Foley, o que acha que ele trouxe de novo a este filme?

O James é um cineasta muito capaz e trouxe com ele um grupo de pessoas super talentosas. Ele conseguiu afinar o aspeto mais thriller do filme, o que acho que eleva a narrativa. 

Releu os livros de E. L. Jame’s para se preparar para mais este filme?

Antes de começarmos as filmagens, voltei aos livros para me refamiliarizar com as personagens e o tom da obra.

O que acha que torna os livros e os filmes tão populares em todo o mundo?

A essência deste filme é a de uma história de amor bela e intemporal, capaz de agarrar o espetador fortemente. Mas também acho que as pessoas têm uma curiosidade inata sobre o sexo e uma paixão pelo romance. Estes livros e filmes são uma receita perfeita para as pessoas saciarem essa curiosidade.

A Anastasia é uma mulher mais forte nesta sequela, que é algo que vemos cada vez mais nas personagens femininas do cinema atual. Sente-se orgulhosa de ser capaz de trazer esse aspeto ao grande ecrã?

Acredito profundamente que este é o aspeto mais importante no cinema atual. As histórias e os filmes são feitos para alcançar, informar e emocionar as pessoas. Se conseguirmos dar mais poder às mulheres, mais autoestima, mais força para lutarem por si mesmas, para se sentirem capazes e apoiadas, acho que podemos fazer a diferença. Especialmente considerando as circunstâncias políticas e sociais que vivemos.  

Como é que se sente ao ver outras jovens mulheres, inspiradas pelo seu papel, tomarem as rédeas da sua vida?

É algo que me faz sentir humilde. Ao fim de contas, faço apenas aquilo que amo e o facto de isso ter um efeito positivo na vida de outras pessoas é uma enorme honra.

 

Entrevista gentilmente cedida pela universal pictures