Economia

Setúbal. Municípios contra aeroporto no Montijo

Os Municípios da Região de Setúbal são contra a ideia de ter um aeroporto complementar no Montijo. 

A posição foi anunciada pela associação que os representa, a AMRS, e que garante que vai pedir uma reunião urgente com António Costa.

A posição foi dada a conhecer pelo presidente da associação, Rui Garcia, que considera que todos os municípios deviam ter sido ouvidos. De todos os municípios da AMRS, apenas foi ouvido o Montijo, que é liderado pelo PS.

Perante os dados que existem, a solução de que o país precisa é um novo aeroporto no campo de tiro de Alcochete, cuja construção pode ser de forma faseada. O aeroporto complementar no Montijo não serve a região e não é uma alavanca de crescimento económico”, avançou Rui Garcia.

A posição destes municípios e o pedido de reunião urgente surge a poucos dias da assinatura do memorando entre a Ana Aeroportos de Portugal e o governo. O acordo de entendimento estabelece o compromisso de estudar aprofundadamente a solução Montijo para aumentar a capacidade do Aeroporto Humberto Delgado, que já ultrapassou os 22 milhões de passageiros em 2016, um ano de números históricos em todos os aeroportos nacionais.

A indefinição em torno da solução

António Costa fez saber, na semana passada, que a opção Montijo, quando o assunto é o novo aeroporto, ainda não está fechada. E em causa está o facto de ser necessário saber o que diz o relatório sobre a migração de aves naquela zona.

No entanto, Pedro Marques, ministro do Planeamento e Infraestruturas, acabou a semana a garantir que isto não implica qualquer “adiamento”.

"Não há adiamento de natureza nenhuma, nós vamos dar passos próximos para o desenvolvimento do projeto. O projeto tem várias etapas e uma das etapas é exatamente aquela que, espero eu, que nos próximos dias ou nas próximas semanas será dada. Em breve terão conhecimento do que se trata", disse Pedro Marques.

E acabou mesmo por acrescentar: “A questão que foi colocada pelo senhor primeiro-ministro não é de hoje, não é de ontem, nós sabemos obviamente por razões de segurança, por razões ambientais, os estudos de impacto ambiental, os estudos dos movimentos migratórios de aves têm que acontecer e estão a acontecer com normalidade".

A verdade é que, apesar das declarações de Pedro Marques, o discurso do primeiro-ministro mostrava a necessidade de esperar por um resultado. Até lá, nenhuma decisão podia ser definitiva: “Temos acordado com a ANA [Aeroportos de Portugal] que é necessário aprofundar o estudo relativamente à solução que aparenta viabilidade, que é a do Montijo, mas é uma viabilidade que está condicionada ainda a dados que só poderemos ter no final do ano, designadamente sobre o impacto de ser uma zona de migração de pássaros".