Desporto

No clube de Scolari só se for made in China

Um plantel 100% chinês é o objetivo do clube orientado por Scolari. Meta já tem data definida


Mais um episódio na novela Super Liga Chinesa, que parece não ter fim. O último highlight pertence à nova política de contratações adotada pelo Guangzhou Evergrande, clube chinês treinado por Luiz Felipe Scolari, hexacampeão da China.

O dono do clube anunciou que quer ter uma equipa formada apenas por jogadores do país, até 2020. Na perspetiva de Xu Jiayin a equipa ideal para o Evergrande “é constituída apenas por chineses e inclui um treinador de topo mundial”. Uma opção no mínimo curiosa, tendo em conta os gastos feitos pelos clubes chineses em estrelas internacionais na última época: um valor que ascende aos 400 milhões de euros.

No Evergrande o destaque vai para Jackson Martínez, ex-FC Porto, uma transferência que custou aos cofres do clube 42 milhões de euros. O mito tornou-se real e vários craques do futebol europeu não tardaram a rumar ao país asiático.

Carlos Tévez e o brasileiro Oscar são dois dos nomes sonantes que entram na lista dos que abandonaram os respetivos clubes, Boca Juniors e Chelsea, para se tornarem os jogadores mais bem pagos do mundo.

As contratações ‘loucas’ chamaram a atenção do órgão responsável pela regulação do desporto na China. “O gasto irracional” em jogadores estrangeiros é apenas um dos pontos visados pelo organismo que pretende estabelecer um “valor máximo na compra de futebolistas e dos seus salários”.

Três em campo

Uma das medidas colocadas em prática para contrariar a tendência foi a redução do número de jogadores estrangeiros permitidos em campo (de quatro jogadores para três). Uma decisão protecionista relativamente aos jogadores nacionais que acabou por não agradar a todos. André Villas-Boas, um dos treinadores mais bem pagos do mundo desde que aterrou no comando do Shanghai SIPG, criticou a medida. Nas contas do técnico português entram vários nomes internacionais, caso do brasileiro Oscar, Elkeson e Hulk, o central uzbeque Akhmedov, bem como o central português Ricardo Carvalho. A juntar a estes quatro nomes foi recentemente confirmada a intenção de avançar para a aquisição de Wei Shiao (avançado que soma 21 jogos e dois golos pelo Leixões esta temporada). “A maioria dos clubes planeou a equipa tendo em conta as regras anteriores”, referiu Villas-Boas, que prometeu ao presidente do SIPG que, no final da temporada, ele “dormiria com um troféu”.

A par da redução do número de jogadores estrangeiros, o estabelecimento máximo de um teto salarial é outra das propostas. As quantias astronómicas que muitas vezes levam um jogador a aceitar mudar de um colosso europeu para a China, constituem um motivo de preocupação. Mas há quem esteja por lá e não coloque essa opção no topo das prioridades.

 

“Não vai dar para gastar o que ganhar” O chileno Manuel Pellegrini foi um dos treinadores que aceitaram o desafio. Rumou para o Heber China Fortune, mas aos 63 anos garantiu ao jornal “Marca” que “se cumprir o contrato estabelecido [dois anos e mais um de opção] não terei tempo para gastar o que ganharei na China. Por isso, não é uma questão de dinheiro, mas de projeto”.

Sem projetos na Europa, o técnico chileno considerou a “proposta sedutora”. A aventura na China está agendada para março, altura em que arranca a Liga. Scolari quer manter a hegemonia, Villas-Boas tem uma promessa a cumprir e Pellegrini está em busca do primeiro título no Oriente...

 

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