Sociedade

Montijo. Tempestade perfeita contra novo aeroporto

Ambientalistas, pilotos, municípios de Setúbal e até engenheiros contestam a ideia de um aeroporto complementar na Margem Sul

Para o governo, o Montijo é a melhor opção para solucionar a falta de capacidade do aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, mas o que não falta é quem não concorde e a polémica está de volta. Depois de muitos ambientalistas colocarem várias questões como a poluição do ar ou a conservação da natureza, é a vez de os municípios da região de Setúbal contestarem a ideia de um aeroporto no Montijo. 

Maria das Dores Meira, presidente da Câmara de Setúbal, chega mesmo a acusar o governo de “favorecimento político-partidário” da Câmara do Montijo. “Acho que é uma falta de respeito haver um plano estratégico, haver pensamento sobre a região, haver documentos elaborados sobre esse plano estratégico e o governo nem sequer convocar todos os municípios para falar disto, dando apenas conhecimento ao município da sua cor partidária”, explicou ontem, véspera da assinatura do memorando de entendimento entre a ANA Aeroportos e o governo.

O acordo de entendimento estabelece o compromisso de estudar aprofundadamente a solução Montijo para aumentar a capacidade do aeroporto Humberto Delgado, que já ultrapassou os 22 milhões de passageiros em 2016, um ano de números históricos em todos os aeroportos nacionais.

A presidente da Câmara de Setúbal relembrou ainda que, nos últimos 20 anos, foram feitos vários estudos que apontavam Alcochete como a melhor solução, e a verdade é que Maria das Dores Meira não está sozinha nas queixas e acusações que faz ao governo. De acordo com a Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), todos deviam ter sido ouvidos. 

De todos os municípios da associação apenas foi ouvido o Montijo, que é liderado pelo PS. “Perante os dados que existem, a solução de que o país precisa é um novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, cuja construção pode ser de forma faseada. O aeroporto complementar no Montijo não serve a região e não é uma alavanca de crescimento económico”, avançou Rui Garcia, que preside à AMRS. 

Pilotos e engenheiros contra Também os pilotos avisam que a base no Montijo jamais poderá ser usada como alternativa nos voos de longo curso caso uma das pistas do aeroporto de Lisboa seja desativada. Junta-se a esta posição da Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea (APPLA) também o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC). De acordo com o dirigente David Paes, ainda que acredite que existem soluções, partilhar o espaço com militares “é sempre um constrangimento”. 

Além dos pilotos, o bastonário da Ordem dos Engenheiros já fez saber que as acessibilidades ao novo aeroporto devem ser tidas em conta e garante desconhecer qualquer estudo sobre o novo aeroporto, apesar de já ter sido pedido ao governo que o faculte.