Politica

CGD. Comissão de inquérito em stand-by depois de demissão

PSD pediu adiamento da reunião para indicar sucessor de Matos Correia, que saiu acusando a maioria esquerda de esvaziar a Comissão

Parada. É assim que está a Comissão de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD) depois da reunião de coordenadores de ontem que deveria ter servido para indicar um novo presidente que substituísse o demissionário Matos Correia. O PSD, que devia ter indicado um novo nome para presidir à Comissão, preferiu pedir um adiamento para a próxima terça-feira.

“Aquilo que se passou é demasiado grave para que não se tirem ilações”, limitou-se a dizer Hugo Soares à saída da reunião, sem contudo adiantar quais serão as “consequências regimentais, jurídicas e políticas” que PSD e CDS anunciaram estar dispostos a retirar caso a esquerda bloqueasse as suas tentativas de esclarecer o caso do acordo que alegadamente isentava António Domingues de apresentar declarações de rendimentos.

PS, BE e PCP chumbaram na terça-feira os seis requerimentos apresentados por PSD e CDS, concretizando aquilo que Hugo Soares diz ser um “bloqueio” e um “atropelo democrático”, mas sociais-democratas e centristas ainda não revelam qual será o próximo passo. Mas uma das hipóteses em cima da mesa é a criação de uma nova comissão que abranja o período de gestão de António Domingues.

Uma coisa é certa: tal como i tinha noticiado ontem, para o CDS está fora de questão abandonar a Comissão de Inquérito à Caixa.

“O CDS já disse que não abandona os lugares a que tem direito pelas regras da democracia. Nós não abandonamos comissões”, disse ontem João Almeida à saída da reunião, apelando a que todos os partidos refletissem sobre a melhor forma de continuar os trabalhos.

“É responsabilidade de todos ponderar a continuidade dos trabalhos”, frisou João Almeida, esperando que os trabalhos passem a decorrer “de forma substancialmente diferente” do que tem vindo a acontecer.

PS, BE e PCP é que não pouparam críticas à forma como a direita deixou a Comissão de Inquérito em banho-maria. É que, como se trata de uma comissão potestativa requerida por sociais-democratas e centristas, terá de ser o PSD a designar o sucessor de Matos Correia.

De resto, Paulo Trigo Pereira, o primeiro vice-presidente da Comissão que assumiu ontem interinamente as funções, assegurou que só está disponível para desempenhar esse papel durante um “período razoável” e nunca até ao final dos trabalhos que está marcado para o dia 24 de março.

“Esperemos que o PSD e o CDS façam a sua reflexão de forma rápida”, desejou o deputado do PS, João Paulo Correia, fazendo votos para que os trabalhos possam ser retomados “o mais brevemente possível”.

Mas no BE e no PCP considera-se que PSD e CDS estão a tentar criar uma manobra de diversão política. “Toda a gente já percebeu que o PSD e o CDS não estão interessados no objeto desta Comissão”, apontou o deputado do BE, Moisés Ferreira, que classifica a reunião de ontem como “mais um episódio de folhetim” a direita ter adiado os trabalhos. “Está nas mãos do PSD decidir se quer continuar com a Comissão de Inquérito ou se não quer continuar com a Comissão de Inquérito. É tão simples como isso”, afirmou o bloquista, enquanto Miguel Tiago do PCP disse lamentar que a direita esteja “a transformar esta Comissão num circo”.

Ontem ao final da manhã, Matos Correia anunciou a sua saída, acusando a maioria de esquerda de “tentativa sistemática de esvaziar objeto da comissão” e revelando ter atingido o seu limite com a forma como os requerimentos do PSD e do CDS foram travados, mas também como PS, BE e PCP impediram a distribuição das 176 páginas de documentação que tinham sido entregues por António Domingues e que a esquerda considerou estarem fora do objeto da Comissão.