Politica

Esquerda insiste em offshores e irrita Passos

Jerónimo de Sousa diz que a saída de 10 mil milhões de euros para paraísos fiscais sem fiscalização da Autoridade Tributária entre 2011 e 2014 é a prova de que PSD e CDS "à banca, aos ricos, aos poderosos fecharam os olhos" ao mesmo tempo que aplicavam austeridade à generalidade dos portugueses. 

Uma argumentação secundada por António Costa que irritou Pedro Passos Coelho e o levou a interpelar o primeiro-ministro fora do tempo de debate previsto.

"São insinuações de baixa política", gritou Passos Coelho para a bancada do Governo, com microfone desligado, mas fazendo-se ouvir na sua indignação pela forma como a esquerda está a usar o caso dos 10 mil milhões de euros que saíram para offshores durante o seu Governo. "Não é forma de fazer política", foi repetindo, de dedo apontado a António Costa.

"É absolutamente escandaloso que um Governo que não aceitou acabar com a penhora da casa de família por qualquer dívida da família tenha tido difiuldade em saber o que se passou com 10 mil milhões de euros que saíram do país", tinha acabado de dizer António Costa, que considerou este caso como "muito esclarecedor", depois de Jerónimo de Sousa ter voltado ao tema na interpelação do PCP ao primeiro-ministro.

"Confirma-se o que tantas vezes dissemos sobre o PSD e o CDS serem fortes com os fracos e fracos com os fortes", atacou Jerónimo de Sousa

Também Heloísa Apolónia dos Verdes trouxe a questão ao debate. "Não estamos a falar de um montante pequeno. Estamos a falar de uma alarvidade", defendeu, lembrando que se trata de  um "montante muito superior ao orçamento para a saúde ou para a educação".

"Como é que esta receita fiscal que daqui podia decorrer escapa do país?", questionou a líder do PEV, considerando que há "responsabilidades políticas que não podem deixar de ser apuradas".