Politica

JSD. Golpada outra vez?

JSD de Braga acusa deputados de “tomada de poder” com filiação relâmpago de 124 jovens para tentar ganhar uma eleição. Secretária-geral diz-se “de consciência tranquila”

Há guerra na JSD. Depois de as eleições para a Juventude Social Democrata de Braga, realizadas no verão passado, terem sido declaradas nulas, a comissão política da ‘jota’ bracarense lançou ontem um comunicado à imprensa em que acusava a direção nacional de “tomada de poder”.

Segundo a nota, o processo eleitoral “referido esteve envolto em polémica porque, à última da hora, houve uma entrada anormal” de militantes “apenas em algumas concelhias tidas como próximas da atual direção nacional da JSD”.

O comunicado afirma que alguns desses militantes foram contactados e “afirmaram não terem assinado qualquer ficha de preponente a militante”, sendo que parte estudará “numa escola de Famalicão, mas foram inscritos massivamente na concelhia de Guimarães”.

A deputada Margarida Balseiro Lopes, também secretária-geral da JSD, é referida como tendo enviado “uma adenda ao caderno eleitoral”. Contactado pelo i, Simão Ribeiro, líder nacional da ‘jota’, afirmou que “a secretária-geral apenas reencaminha cadernos, a elaboração de cadernos eleitorais é da comissão eleitoral independente”. Balseiro Lopes afirma também que está “de consciência tranquila” e que esta “eleição foi declarada nula”. Simão Ribeiro, também deputado, adianta mesmo que Firmino Costa, que assina o comunicado, “diz-se presidente [da JSD de Braga] mas não é”.

Ribeiro adianta ainda que “as fichas de maiores de 18 anos nem passam pela JSD, passam pela sede do partido [PSD]”, sendo que o comunicado aponta que o PSD terá lançado “uma listagem para as eleições da comissão política distrital” onde não constavam os militantes reencaminhados por Balseiro Lopes. “As fichas foram feitas dentro do prazo legal e também com concelhias de apoiantes dos queixosos”, riposta o presidente da JSD.

Ao i, Firmino Costa afirmou: “Impugnaram as eleições sete meses após o início do mandato, numa demandada totalmente ilegal e ultrapassando todas as regras estatutárias, para marcarem novo ato eleitoral e impedir a minha recandidatura”.

Firmino havia saído vencedor da eleição, entretanto declarada nula, com 69 votos a favor e dois contra, sendo que a lista contrária optou por não exercer o seu direito de voto baseada num parecer da jurisdição nacional. “Se o objetivo da Lista Z era não participar no ato eleitoral e se estavam tão certos da ilegalidade processual, porque é que entregaram listas e se apresentaram a sufrágio?”, inquire o comunicado.

Golpada 2.

0 Sobre isso, Simão Ribeiro também esclareceu ao i que a lista de Firmino Costa havia marcado “eleições antecipadas para dar uma golpada”. “Pessoas deste calibre não são bem vindas na JSD. São um mau exemplo do que se deve fazer em política”, remata o líder da juventude partidária. “Adulteraram um caderno eleitoral e a comissão eleitoral independente avisou que o rateio não era aquele”.

A direção nacional da ‘jota’ mantém-se, portanto, firme na posição de declarar a eleição de Firmino Costa, que assina o comunicado, “impugnada”. O comunicado apela aos estatutos da JSD, reclamando que passaram 30 dias e não receberam “qualquer notificação dos órgãos distritais” sobre a impugnação do ato eleitoral.

Galpgate outra vez

Os jovens bracarenses dizem esperar “que esta tomada de posição por parte dos órgãos nacionais da JSD não seja uma retaliação política à nossa postura crítica relativamente às viagens pagas a deputados durante o Europeu de futebol”.

Na altura, a distrital liderada por Firmino Costa havia criticado duramente os parlamentares do Partido Social Democrata, incluindo o vice-presidente da bancada, Hugo Soares, pela polémica em torno dos jogos do Euro. Hugo Soares é também presidente da concelhia de Braga.

Firmino Costa diz que irá lançar “muito em breve as iniciativas políticas que fazem parte do programa eleitoral”, apesar de o líder nacional não o reconhecer como detentor do cargo.

O comunicado termina com uma provocação aos deputados da ‘jota’, atentando que “sempre que a JSD nacional e os seus máximos responsáveis, Simão Ribeiro e Margarida Balseiro Lopes, criticarem a postura do ‘novo tempo’ de António Costa da geringonça, devem lembrar-se que a casa que gerem padece de vícios absolutamente pidescos”.

Ao i, Balseiro Lopes respondeu que “os assuntos da JSD resolvem-se nos órgãos próprios e a JSD é muito mais importante que um grupo de pessoas que se acha mais importante que a JSD”.

Fonte da ‘jota’ que se reservou ao anonimato admitiu ao i que “isto não tem qualquer tipo de precedente”.

Novo ato eleitoral está por marcar devido ao facto de o recurso apresentado pela comissão de Firmino Costa suspender a hipótese de eleições até resolução do conflito.

“Não é com golpes e inscrição maciça em cadernos eleitorais que ganham o respeito dos jovens” Firmino Costa“Não é com golpes e inscrição maciça em cadernos eleitorais que ganham o respeito dos jovens”