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Aeroporto João Paulo II. Mota Amaral pediu autorização a Cavaco

Depois da visita papal aos Açores, Mota “diligenciou” para rebatizar o aeroporto de Ponta Delgada

Mota Amaral quis que o aeroporto de Ponta Delgada se chamasse João Paulo II. E “diligenciou junto do governo da República para que isso acontecesse com o aeroporto de Ponta Delgada, único no mundo a ostentar designação tão ilustre”.

Naquela época, João Bosco Mota Amaral ainda era presidente do governo Regional dos Açores. O primeiro-ministro chamava-se Cavaco Silva. Num artigo, publicado no site da Assembleia da República, intitutado “São João Pauo II e os Açores” Mota Amaral recorda a visita do Papa aos Açores em 11 de maio de 1991.

“A visita papal foi um verdadeiro acontecimento histórico para os Açores. Em mais de meio milénio de existência, pela primeira vez a cristandade açoriana acolheu o Sumo Pontífice! E não está garantido que um tal acontecimento se repita, mesmo apesar de o Papado se ter tornado, em consonância com os novos tempos, cada vez mais itinerante e com uma presença, directa e pessoal, repartida por todo o planeta”.

Católico praticante,o antigo presidente dos Açores – que foi presidente da Assembleia da República – recorda como decidiu homenagear o Papa João Paulo II nos Açores. “Em reconhecimento da atenção para connosco manifestada pelo Santo Padre, o governo Regional deliberou atribuir o nome de João Paulo II ao Estádio de Angra do Heroísmo; e diligenciou junto do governo da República para que o mesmo acontecesse com o Aeroporto de Ponta Delgada, único no mundo a ostentar designação tão ilustre”.

Mota Amaral não decidiu sozinho, mas as diligências junto de Cavaco Silva foram um sucesso.

Segundo o texto assinado pelo histórico social-democrata – que chegou a ser membro da Ala Liberal da Assembleia Nacional antes do 25 de abril – “foi o então primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva, hoje Presidente da República, que veio a São Miguel expressamente confirmar o propósito do governo da Região Autónoma dos Açores, também no dia 11 de maio, em 1995”.

A visita marcou Mota Amaral: “Recordo com emoção a aproximação do avião papal à Terceira e depois também a São Miguel, seguido pelos olhos e pelos corações de milhares e milhares de açorianos. E, no alto da escada, aberta a porta, a figura inconfundível do Papa João Paulo II, acenando a todos, com um gesto amável, de saudação e de bênção. Mandei guardar o tapete de veludo vermelho, bordado a oiro, feito expressamente para que o Papa o pisasse ao tocar o solo das nossas ilhas”.