Opiniao

O meu CDS

Há quem diga que eu não devo falar sobre o CDS. Que isso poderia ser interpretado como uma provocação, uma afronta ou um sinal de diferenciação sem qualquer efeito útil. Que o silêncio é a melhor estratégia política. Que há tempos de coruja e tempos de falcão. 

Pois bem. Eu não quero viver tempos de coruja nem tempos de falcão. Estou no CDS em liberdade, sem calculismos, sem taticismos e sem qualquer condicionamento político. 

Estou no CDS como sempre estive. Continuo a querer aquilo que sempre quis. Um CDS forte, mobilizado e capaz de fazer oposição ao Governo. Ao fim de um ano desde o último Congresso de Gondomar posso afirmar, a todos aqueles que comigo aí estiveram, que devemos estar de consciência absolutamente tranquila. Eu estou. Fizemos bem em apresentar a Moção ‘Juntos pelo Futuro’ e fizemos bem, apesar das dificuldades que nos foram surgindo, em apresentar uma lista alternativa ao Conselho Nacional do CDS. 

Esse caminho fez sentido. Todo o sentido.

Continuo a achar que o CDS só tem a ganhar com diferentes vozes, com opiniões que somem, com divergência e com debate de opiniões. Sempre gostei do contraditório e sempre procurei ouvir com atenção quem pensava de forma diferente. Foi assim que cresci no nosso CDS, ‘chateando’ quem presidia, apoiando quem liderava. Aqueles que querem reduzir tudo e todos a um pensamento único dominante não têm a mínima noção do dano que provocam. Se o CDS souber aceitar a diversidade, se perceber que essa diferença soma e acrescenta, então não será preciso proclamar a unidade a partir de um qualquer diretório. Essa unidade será vivida por todos e será vivida de forma natural.

Não gosto de discutir balanços quando vejo um primeiro-ministro confortável a distribuir sorrisos, mas há que fazer justiça a Assunção Cristas. Era fácil fazer política de terra queimada nos tempos difíceis que hoje enfrentamos. Substituir Paulo Portas terá sido porventura a transição mais difícil que um qualquer Partido Político viveu nos últimos anos. O CDS deixou Paulo Portas ir à sua vida (ou melhor, quis ir à sua vida) e o CDS seguiu a sua própria vida. É verdade que tinha outras preferências (que assumi, para alguns, antes de tempo… para mim, no meu tempo), é verdade que não concordo com tudo o que foi feito neste novo tempo da ‘política positiva’, com tudo o que foi dito e, por vezes, até tenho dificuldade em me rever no novo estilo do meu CDS. Mas a verdade é que há mais vida para além de Paulo Portas e Assunção Cristas foi a única a aceitar a dificuldade de o substituir. A coragem que revelou na candidatura a Lisboa já tinha sido precedida da coragem de se candidatar a Presidente do CDS, algo que muitos dos ‘putativos’ candidatos alternativos habituais não fizeram. Merece todo o crédito por isso e merece mais do que o nosso benefício da dúvida. Merece sobretudo a nossa exigência. A coragem implica responsabilidade na ação política e obriga que todos estejam à altura da fasquia que a Presidente, ela própria, definiu. 

Não tenho problema em reconhecer que no último ano o CDS esteve bem ao colocar no debate político temas como a natalidade, o envelhecimento ativo, a sustentabilidade da segurança social, a saúde ou a educação, como esteve bem na luta firme contra a eutanásia. Mas não chega. É preciso mais. É preciso mais consistência, mais acutilância, mais equipa e mais combate político. O nível de exigência que queremos impor a este governo que nos desgoverna não pode deixar de ser a mesma exigência que devemos ter connosco próprios. Com Assunção Cristas, com a direção do CDS, com o Grupo Parlamentar e com cada um de nós. Ninguém está excluído.

O CDS não é nem nunca foi um Partido de um homem só ou de uma mulher só. É de todos e continuará a ser de todos. 

Se me fosse perguntado diria a Assunção Cristas que precisa de puxar para o combate político todo um conjunto de quadros que, por opção ou por feitio, se têm vindo a anular ao longo do último ano. 

Se me fosse perguntado diria a Assunção Cristas para reservar algum do tempo que sobra do desafio de Lisboa (se sobrar) e do combate a António Costa para olhar para o Partido, para as bases, para a organização interna. 

Se me fosse perguntado diria a Assunção Cristas que não basta um marketing liderante. É preciso um caminho liderante. Que o CDS continuará forte, mas que precisa de todos. 

Não é que me perguntem, mas aproveito para responder que a nossa (minha) solidariedade não é com um qualquer presidente, mas sim com o Partido. Afirmar solidariedade com o Partido não significa, nem nunca significará, assinar por baixo tudo aquilo que achamos que pode e deve estar melhor. Nunca foi assim com Paulo Portas, não será seguramente assim com Assunção Cristas.

O momento não é para fraturas ou para divisões. É momento para dizer presente. No Partido, mesmo quando for para divergir ou até para criticar, mas também no combate político a este Governo que nos desgoverna. Essa é a nossa prioridade. Fazer oposição setorialmente, Ministério a Ministério, afirmando, sempre e em qualquer circunstância, a opção preferencial pelos mais pobres, pela defesa da vida, pela defesa dos direitos humanos, dos direitos da Criança, da Família e do funcionamento regulado de uma verdadeira economia social de mercado. Esses devem ser os nossos únicos interesses e as nossas prioridades.

O CDS sabe que conta connosco.