Opiniao

A venda do Novo Banco

Quando, em agosto de 2014, o Estado teve de intervir no Banco Espírito Santo para evitar a falência da poderosa instituição bancária, colocaram-se três alternativas.

A primeira seria a de liquidar o banco, o que traria danos gravíssimos no nosso tecido económico. Afinal de contas, o antigo BES era, segundo os critérios, o segundo ou terceiro maior banco português. E, pela sua “capilaridade” na economia (estar presente em toda a parte), não podia ser simplesmente liquidado, sem consequências económicas desastrosas.

A segunda hipótese seria nacionalizar o banco, o que se afigura quer desnecessário quer complicado, pois o Estado controla já o maior banco português, a Caixa Geral de Depósitos.  O Estado deter mais um banco importante causaria problemas ao nível de concorrência. E, de certeza, levantaria sobrolhos em Bruxelas. Além disso, explicou há pouco o primeiro-ministro, essa opção levaria à injeção imediata de dinheiros públicos num montante muito importante: entre 4.000 e 4.700 milhões de euros. Ou seja, no máximo, um gasto de dinheiro público na ordem dos 2,5% do PIB para o Estado ficar com o Novo Banco. Uma autêntica barbaridade, que teria uma consequência imediata: faria o défice orçamental derrapar significativamente.

Por fim, a alternativa de vender o banco, o que desde o início deste processo pareceu ser a alternativa mais sensata. A venda foi hoje finalmente acordada. O Novo Banco prossegue o seu caminho, e os contribuintes não terão, pelo menos no imediato, de entrar com dinheiro. Contudo, a instituição ficará confortavelmente capitalizada, logo com alguma capacidade para enfrentar prejuízos ocorridos por via do crédito malparado. De notar que os prejuízos, quer no caso do Novo Banco quer de qualquer outra empresa, destroem o capital próprio. Resta saber se os perto de 600 milhões de euros de almofada financeira que António Costa anunciou serão suficientes. Admito que sim.

Foram precisos dois anos e meio para chegarmos a este ponto. Em suma, esta acaba por ser a melhor opção possível. Apenas isso. Não há qualquer motivo para euforias.