Internacional

Ataque químico. Trump esconde as cartas

O governo americano é vago sobre se o uso de armas químicas pelo regime pode alterar a sua política para a Síria.

O mundo chegou ao limite da sua indignação contra o governo sírio no momento em que o presidente e ditador Bashar al-Assad foi responsabilizado pelo ataque de gás sarin contra os subúrbios de Damasco.

As fotografias de dezenas de cadáveres de criança fizeram o que dois anos de brutal repressão contra as manifestações pacíficas de 2011 não conseguiram e o governo norte-americano mostrou-se disposto a uma ação militar contra o regime.

Mas Barack Obama, que dissera semanas antes que a sua “linha vermelha” era o uso ou circulação de armas químicas, decidiu não bombardear o regime. Em vez disso, aceitou a mão russa para negociar uma saída ordenada do seu arsenal químico. 

Assad testou a vontade ameriana de entrar num novo confronto no Médio Oriente e venceu. Obama, por sua vez, tomou a decisão mais contestada da sua presidência: os críticos afirmam que o ex-presidente deixou passar o momento de ação e que desde então o conflito se radicalizou ao ponto de ser quase impossível apoiar outra força que não o regime, sobretudo tendo em conta os receios nos governos europeus de que a Síria se transforme numa nova Líbia e que isso provoque novas ondas de requerentes de asilo e atentados terroristas. 

Donald Trump insere-se nesta última corrente, passou a campanha a sugerir uma aliança com Moscovo e Damasco no combate ao Estado Islâmico e, se o ataque desta terça alterou alguma coisa, o novo presidente não o dá a saber. “O que eu penso sobre Assad pode já ter mudado”, disse esta quarta-feira, numa conferência de imprensa, recusando-se a dizer se o seu governo está ou não disposto a tomar medidas contra o regime pelo seu uso de armas químicas.

A embaixadora norte-americana nas Nações Unidas foi um pouco menos vaga, mas, dias depois de ela o secretário de Estado indicarem que a queda Assad já não é prioridade em Washington, Nikki Haley abriu as portas a uma retaliação. “Há alturas nas vidas dos Estados em que estamos obrigados a tomar ação por nós próprios”, lançou em Nova Iorque, mostrando imagens de cadáveres de crianças, vítimas do ataque em Sheikhoun.