Economia

Dijsselbloem. Vem aí a primeira reunião depois da polémica

Está marcada para esta sexta-feira uma reunião dos ministros das Finanças, em Malta, para discutir a situação da Grécia e o problema do crédito malparado.

A verdade é que se trata da primeira reunião depois da polémica que criou em torno das declarações de Jeroen Dijsselbloem, que colocou em causa os comportamentos dos países do sul da Europa: “Não se pode gastar todo o dinheiro em copos e mulheres e depois pedir ajuda”.

Mas as críticas ao presidente do Eurogrupo não surgiram apenas por causa das declarações feitas em entrevista ao jornal Frankfurter Zeitung. Dijsselbloem acabou por ser igual criticado por não se ter mostrado disponível para participar numa reunião para falar sobre a Grécia. Sendo a situação deste país um dos temas em cima da mesa no Eurogrupo. Até porque para discutir está o pacote de medidas que terão de ser aplicadas e que passam, por exemplo, por reformas no mercado de trabalho.

Outro tema que irá merecer igual atenção é a situação do crédito mal parado já que serão apresentadas as linhas do banco central para fazer face a este problema.

 Povos do sul. Preguiçosos, com excesso de licenciados e férias a mais

O presidente do Eurogrupo fez estalar o verniz ao apontar o dedo aos países do sul, que acabou por comparar quase a uma festa bunga bunga. No entanto, a ideia de divisão entre sul e norte da Europa não é nova.

Os reparos ou ataques aos países do sul da Europa não são novos, ainda que continuassem a existir dúvidas de que se tratasse de uma questão de preconceito entre o norte e o sul do velho continente. Agora, esta polémica volta à luz do dia com Jeroen Dijsselbloem a marcar a agenda por ter declarado que os países do sul gastaram dinheiro em “copos e mulheres”.

Mas esta posição em relação a países como Portugal, Grécia ou Espanha não traz novidades para muitos que recordam críticas passadas. Em tempos, também Angela Merkel chegou a sugerir que os países do sul da Europa gozavam demasiadas férias. A chanceler alemã chegou mesmo a exigir a unificação da idade da reforma e, principalmente, dos períodos de férias. “Não se trata só de não contrair dívidas, em países como a Grécia, Espanha e Portugal as pessoas não devem poder ir para a reforma mais cedo do que na Alemanha”, começou por dizer, para depois acabar com chave de ouro. “Todos temos de fazer um esforço, isso é importante, não podemos ter a mesmo moeda e uns terem muitas férias e outros poucas”, advertiu Merkel.

As declarações, feitas em 2011, acabaram por dividir opiniões e a oposição alemã chegou mesmo a criticar as declarações de Merkel sobre as férias e as reformas em Portugal. “A senhora Merkel aposta de novo no populismo e em agitar os ânimos, em vez de usar argumentos objetivos”, atiravam uns. Outros, por seu lado, apressaram-se a defender a posição da chanceler. Na altura, o porta voz adjunto, Christoph Steegmans, chegou mesmo a sublinhar que tinha sido decidido harmonizar os sistemas sociais na União Europeia.

A solução dada por Merkel? A chanceler alemã defendeu que, para além de contraírem dívidas, os países em questão deviam seguir o exemplo da Alemanha.

A polémica dos licenciados

Mais tarde, já em 2014, Angela Merkel voltou a comentar a realidade do sul da Europa, mas desta vez por causa do número de licenciados existentes quer em Portugal, quer em Espanha. Para a chanceler era evidente que se tratava de um facto que impedia que os países em questão valorizassem o ensino vocacional. Acima de tudo, para Merkel, o enfoque nos estudos universitários como um feito de topo da carreira devia mesmo ser contrariado.

Povos preguiçosos

Em 2013, Durão Barroso, então presidente da Comissão Europeia, criticava os “preconceitos” que estavam a emergir na Europa, afirmando que aqueles que pensavam que os povos do sul eram “preguiçosos”, estavam enganados e que, por exemplo, os portugueses eram “extremamente trabalhadores”.

Para Durão Barroso, um dos problemas que ganhava cada vez mais força era “a polarização” que ameaçava “tornar-se o resultado final da crise” e lamentou várias vezes “os preconceitos” que continuavam a emergir. Ainda que considerados “inaceitáveis”, a verdade é que, já nesta altura, ameaçavam dividir a Europa e delinear um risco entre norte e sul da Europa.