Desporto

Chapecoense. Famílias das vítimas criticam "festa de carnaval"

Evento de homenagem que antecedeu o jogo da Supertaça Sul-Americana teve fogo de artifício e música

Estão de volta os sorrisos à Chapecoense. Quatro meses depois da tragédia que vitimou grande parte do plantel e do staff, a equipa de Santa Catarina realizou o encontro com o Atlético Nacional que não chegou a acontecer em novembro. Agora a contar para a Supertaça Sul-Americana (conhecida como Recopa), que opõe o vencedor da Libertadores ao vencedor da Taça Sul-Americana - título que foi atribuído de forma simbólica à Chapecoense, após o acidente.

Em campo, tudo correu bem ao conjunto brasileiro, que venceu a primeira mão da final, em casa, por 2-1. O segundo jogo, já agora, acontecerá dia 11 de maio na Colômbia.

O problema, do ponto de vista das famílias das vítimas, foi a forma como o clube conduziu o evento que antecedeu o jogo. "Hoje não é dia de festa, fogos de artifício, comemorações. Isso dói para nós que perdemos a nossa metade naquela noite", escreveu Letícia, esposa do falecido guardião Danilo, através das redes sociais. Mas não foi a única. "Uma coisa é ser grato, fazer uma homenagem. Gratidão todos nós temos, pois o povo colombiano fez muito bonito e auxiliou-nos em tudo o que foi preciso. As famílias, especialmente, sentem muita gratidão, mas o que aconteceu foi uma festa de Carnaval, foi um show pirotécnico, show de música. Acho que ainda dói muito, é muito recente. E não tem como não lembrar de Medellin, da Colômbia sem sofrer. Não acho que seja a hora de tanto alvoroço", atirou Graciela Missel, mulher de Márcio Koury, um dos médicos do clube que também faleceu no desastre, em declarações ao "Globoesporte".

As famílias queixam-se ainda de falta de atenção por parte do clube: há poucos dias, foi o próprio filho de Caio Júnior, o treinador falecido (que passou por Vitória de Guimarães, Belenenses e Estrela da Amadora enquanto jogador), a criticar a postura recente da Chapecoense face às famílias. Além disso, algumas das viúvas apresentaram recentemente ações na justiça a pedir indemnizações.