Opiniao

Novo Banco

No meio de diferentes ruídos e de sagazes juízos, ficámos a saber que o Novo Banco teve uma oferta de compra final que, após duras e diretas negociações – e a devida articulação com o Banco Central Europeu –, foi aceite pelo Governo português e pelo Banco de Portugal.

Vivemos um tempo novo de soberania partilhada. Em termos financeiros, já não somos muito mais que um Estado exíguo, na sagaz e perfeita designação do professor Adriano Moreira.

Não vamos aqui abordar as condições do negócio nem a sua evolução. Nem sequer as avaliações partidárias em relação ao que foi anunciado e publicamente partilhado. Apenas importa evidenciar, por justa, a determinação de Mário Centeno.
Também não vamos deter-nos, por ora, nas situações em ponderação – já que, ao que consta e se escuta, existiam várias empresas internacionais que apresentaram propostas de compra efetiva de ativos, as quais esperavam respostas concretas. Propostas essas que acelerariam o encaixe de mais receitas, com benefício claro para os credores do GES e do próprio Novo Banco. E tendo consciência que algumas dessas empresas não tinham necessidade de endividamento à banca.

Mas o que sabemos igualmente é que, neste preciso momento, o denominado swift code continua a ser o do BES (BESCPTPL). Isto significa que só se alterou a designação externa – diga-se, para ‘o povo ver’ –, já que em termos estritamente bancários internacionais continua ser utilizado o antigo código de identificação. O que não deixa de ser tão curioso quanto singular.

Ao mesmo tempo – e com vista a serem validados, como a nova Europa da ‘banca’ exige –, os novos membros da administração do banco estão a ser internamente formados (pelos seus reconhecidos formadores, muitos deles do BES), enquanto os da Caixa Geral de Depósitos teriam de ir receber formação numa reconhecida, reputada e cara instituição francesa. 

Ou seja: uns são formados, e bem, em Lisboa, outros teriam de ir a Fontainebleau. Uns recebem ‘aulas’ em português, outros receberiam na língua franca contemporânea – o inglês, apesar do ‘brexit’… –, com um pouco de francês à mistura para recordar as antigas elites europeias. E ainda, decerto, com umas notas e um acento em alemão!

O ‘filme’ para o Banco Novo está em marcha. Por ora, vemos muitas ‘fotografias’. Umas a cores, bem pintadas, outras a preto e branco, bem escolhidas. Mas o que sabemos é que o BES acabou mas afinal continuou. O Novo Banco nasceu e afinal não morreu. Agora é o tempo anunciado de um Banco Novo. Que, segundo se afirma, poderá nascer de verdade entre maio e outubro. Entre o pós visita papal e o pós eleições autárquicas. E sempre com a República, com o seu verdadeiro espírito e as suas diferenças, a querer dizer ‘Presente!’.